|
"O
nosso time joga pra valer / Até o Peñarol veio aqui pra padecer".
Os curiosos versos do hino do Paysandu, em alusão à vitória mais
expressiva da história do clube (leia sobre isso na coluna de 14
de abril), estão com os dias contados graças a um simples e
triunfante 1x0 na já inesquecível noite de 24 de abril de 2003.
A vitória do Papão sobre o Boca Juniors é a mais importante que
um time do Pará já conseguiu e que nenhum time brasileiro havia
conseguido na história recente.
As
conquistas nos últimos dez anos, a catimba dos jogadores e uma das
torcidas mais vibrantes do mundo transformaram o Boca em mais do
que um time quando joga em La Bombonera: é um mito do futebol sul-americano.
Não há um grande escrete que não fique de pernas bambas ao entrar
naquele gramado e perceber que está numa verdadeira panela de pressão.
Poucos sobreviveram à fervura do caldeirão argentino.
O Paysandu
não só sobreviveu como impressionou pela bravura. Os paraenses começaram
levando pressão no início do jogo e, logo aos 19 minutos do primeiro
tempo, perderam o artilheiro Róbson, que levou cartão vermelho depois
de uma discussão com um adversário. Como se desgraça pouca fosse
bobagem, no segundo tempo o Papão teve outro expulso: o brigador
volante Vânderson, talvez o mais argentino dos jogadores do time.
Mesmo com nove em campo, o Paysandu não se entregava. Pelo contrário,
foi depois da segunda expulsão que o time passou a dominar a partida.
Para
sair o gol, foi preciso um pouquinho de tempo e um bocado de talento.
O meia-atacante Iarley recebeu uma bola na grande área e, mesmo
cercado de zagueiros, teve visão e habilidade para sair da marcação,
chutar a bola no cantinho e entrar na história do futebol paraense.
Enquanto menos de cem torcedores do Papão festejavam o gol lá no
estádio de La Bombonera, milhares deles saíam às ruas de Belém para
comemorar a já lendária vitória. E foram fogos de artifício, bandeiras,
carreatas como não se via desde a conquista do pentacampeonato mundial
pela seleção brasileira.
No
dia seguinte, as manchetes dos jornais compensavam a falta de criatividade
nos títulos com letras garrafais e empolgação: "Cala a boca, Bombonera!",
"Um cala-boca na Argentina". E numa emissora de TV, um torcedor,
como se fosse porta-voz de todos os outros, dava um depoimento que
emocionava pela sinceridade: "Cara, já me belisquei várias vezes
mas ainda não tô acreditando que o Papão ganhou do Boca lá na Argentina!".
Mas se o tempo não for suficiente para acabar com essa gostosa incredulidade,
o hino do Paysandu poderá ajudá-lo a assimilar a façanha. "O nosso
time não é de brincadeira / Ganhou do Boca Juniors em plena Bombonera".
Que tal?

Se
os torcedores do Papão estão radiantes e felizes, a outra metade
dos fãs de futebol no Pará tem motivos para pensar duas vezes antes
de colocar os pés fora de casa. Em menos de quatro dias, o Remo
levou duas humilhantes goleadas. Quarta-feira, perdeu de 4x0 para
o Flamengo pela Copa do Brasil. No sábado, estreou na Segundona
levando de 5x2 da Portuguesa. Ainda bem que os clássicos com o Paysandu
só voltam no ano que vem!

Falando
em Segundona, não foi só o Remo que estreou mal. O Botafogo perdeu
de virada para o Vila Nova, em Goiânia. Pela (falta de) qualidade
do time, ainda vai ser preciso muito chão para que o alvinegro possa
pensar em sonhar com a volta à primeira divisão.

Diego
e Robinho, os queridinhos de Emerson Leão e das tietes, finalmente
estão na Seleção brasileira. Parreira abriu mão de manter a base
da seleção campeã do mundo e decidiu chamar os mais habilidosos
jogadores da atualidade. Mas isso só aconteceu depois de quase seis
meses de pressão da opinião pública, desde o estouro dos meninos
da Vila até a primeira convocação. Essa demora é uma prova de que
acabaram os tempos de estrelas passageiras de qualidade duvidosa
vestindo a amarelinha.

E o
Marcos, hein? Foi só a gente lembrar do dia do goleiro que ele resolveu
virar o personagem da semana. Não é todo dia que um goleiro de Seleção
brasileira leva sete gols num jogo só e em circunstâncias como as
do jogo contra o Vitória. O camisa 1 do Palmeiras parece estar vivendo
um momento de instabilidade emocional impressionante. E não é de
hoje. Pouco depois da conquista da Copa do Mundo, Marcos dizia estar
incomodado com a vida sob os holofotes da mídia. Ainda em 2002,
ele desceu até o inferno futebolístico ao ser rebaixado junto com
o Palmeiras para a série B do campeonato brasileiro. Em 2003, a
transferência milionária para o Arsenal poderia ser um remédio.
Marcos chegou a viajar para a Inglaterra para assinar contrato,
mas voltou dizendo que as negociações tinham melado. E o pior: voltou
para ver o Palmeiras perder o Paulistão e para, de fato, disputar
a Segundona. Um divã para o Marcos, urgente!
|