| As manchetes de jornais e telejornais
no dia seguinte ao encerramento de uma edição de Jogos
Olímpicos são sempre as mesmas, alternando apenas
afirmativas e negativas. Toda vez é “Brasil fracassa”
ou “Brasil arrebenta”. Depois de Atenas, a imprensa
bradou aos quatro ventos que esta tinha sido a melhor participação
do país em uma Olimpíada. Se levarmos em conta os
números absolutos e os infames critérios de ordem
de classificação nos Jogos, realmente foi a melhor,
porque nesta Olimpíada ganhamos mais ouros. Mas precisamos
pensar em algo além de um estúpido quadro de medalhas,
afinal estamos longe de viver o grande momento do esporte brasileiro
que o Galvão Bueno tanto insiste em dizer que passamos.
Duas das nossas quatro medalhas de ouro foram no
iatismo, que agora ostenta o título de modalidade que mais
trouxe medalhas ao Brasil. Chegou-se ao cúmulo de dizer numa
transmissão da Bandeirantes que o Brasil é o país
da vela. Ora, como assim? Um esporte em que só famílias
abastadas ou de sobrenome europeu praticam. Há uma ação
do Ministério dos Esportes aqui no Norte, o Projeto Navegar,
que fornece infra-estrutura e recursos humanos para levar crianças
a praticarem iatismo. Mas ainda há resultados bem escassos
em se tratando de formação de atletas para o futuro.
Enquanto isso, contaremos apenas com algum outro Grael e com o Robert
Scheidt enquanto estiver em forma.
Atletismo e natação, esportes que
corriqueiramente trazem bons resultados, decepcionaram. São
modalidades em que o Brasil viveu mais de ídolos isolados
do que realmente de uma boa geração de atletas. Talvez
a década de 80 no atletismo e o final da de 90 na natação
tenham sido os momentos mais promissores. Mas hoje roemos o osso.
Temos alguns bons nomes, como Maurren Maggi e Jadel Gregório,
estrelas que representam exceções em meio a tantos
desconhecidos. Há muito tempo o Brasil não precisava
fazer esforço para lembrar quem eram os representantes verde
e amarelo em provas tradicionais como os 100 e os 200 metros rasos.
Aliás, quem foram eles mesmo? Na natação, nossos
últimos ídolos, Gustavo Borges e Fernando Scherer,
se despediram das piscinas com resultados sofríveis. No mais,
tivemos que agüentar locutores e comentaristas de TV querendo
se orgulhar de nonos lugares e outras colocações esdrúxulas
e insignificantes.
E olha que estas duas últimas, aliadas ao
handebol (um eterno fracasso olímpico brasileiro), são
modalidades super difundidas em escolas pelo Brasil inteiro. O problema
é que não basta botar neguinho pra correr um do lado
do outro e ver quem chega primeiro. É preciso qualificação
de profissionais para lapidar os pequenos talentos. E isso aí
depende das intenções ou mesmo do dinheiro que a escola
tem para investir nisso. Não é preciso ser adivinho
pra saber que a maioria das instituições de ensino
do país estão mais próximas da segunda opção.
Posso até ter fugido um pouco do tema central
da coluna, mas tudo isso é pra mostrar que estamos muito
atrás de outros países de terceiro mundo (principalmente
Cuba) e de outras nações que não são
exatamente subdesenvolvidas, mas tiveram a economia estancada pelo
socialismo (os integrantes da antiga Cortina de Ferro). E enquanto
não houver um grande investimento do governo, as Olimpíadas
para os brasileiros serão sempre uma grande comemoração
de presenças em finais B e décimos-segundos lugares.
|