| Para aqueles que gostam de esporte
mas não têm pulmão suficiente para praticar
nada, maratona não é a tradicional prova de 42 quilômetros
do atletismo e sim a ginástica que se faz para acompanhar
os Jogos Olímpicos na televisão. Em Atenas, as emissoras
esportivas de TV a cabo estão dando show, com até
quatro canais simultâneos mostrando competições,
o que exige uma certa pré-programação precisa
do espectador. Mas como no Brasil isso é privilégio
para poucos, a maioria tem que se contentar com as limitações
- em todos os sentidos - da TV aberta.
A primeira
grande barreira é a de horários decentes. Até
uma certa hora da manhã, a Globo pode passar os jogos ininterruptamente.
Mas há momentos em que há confusão de prioridades.
Enquanto a pernambucana Joanna Maranhão disputava a final
dos 400m medley, a emissora dos Marinho passava o irritante Caldeirão
do Huck. Neste caso, ponto para a Band, que remodelou toda
a grade de programação para dar uma cobertura mais
global (sem trocadilhos) às Olimpíadas. Programas
toscos como o de Márcia Goldschmidt e Gilberto Barros foram
literalmente varridos para baixo do tapete e substituídos
pelas locuções quase à moda antiga de Silvio
Luiz.
Aliás, a qualidade do conteúdo das
transmissões é onde a Band cede o empate à
Globo. Por mais que tenha ostentado durante vários anos a
alcunha de “canal do esporte”, a emissora está
numa péssima safra de narradores e repórteres. O time
de ex-atletas que servem como comentaristas temporários também
é sofrível. A ex-ginasta Luiza Parente, por exemplo,
não contente em fazer comentários óbvios durante
a primeira apresentação da equipe brasileira, ainda
assumia no ar: “Hahaha, agora que eu tô começando
a ficar menos nervosa com a televisão”. Isso não
é coisa que se diga, minha filha... A bela Fabíola
Molina, que comenta a natação, também não
foge do lugar comum ao abrir a boca. Sempre solta pelo menos três
“que bela prova” a cada competição.
O único que se salva é o multihomem
faz-tudo Álvaro José, que realmente tem muita informação
sobre todas as modalidades que transmite. Seria o básico
para todo jornalista esportivo, ainda mais em tempos de Olimpíada.
A Globo tem um cuidado muito maior com o conteúdo de seus
âncoras, afinal dificilmente eles são vistos falando
asneira (a não ser o Galvão Bueno transmitindo futebol).
Entre
mortos e feridos até que está sendo possível
se informar bem sobre os Jogos pela TV. Mas confesso que, para Pequim-2008,
vou juntar uma grana e assinar algum canal fechado. Porque ter que
acordar de madrugada é um saco.

Por
mais rabugento que eu às vezes possa parecer em meus textos,
até que estou torcendo por um bom desempenho do Brasil em
Atenas. Fiquei puto com a eliminação do Guga, com
o vexame do revezamento 4x100 na natação e com as
derrotas no boxe. E me enchi de orgulho com as vitórias no
vôlei, no basquete e no futebol feminino.
Pode ser que eu seja traído pela temporalidade
deste texto, mas o meu prognóstico é de que a delegação
brasileira volta da Grécia com quatro medalhas de ouro na
bagagem. Vôlei masculino, vôlei de praia, iatismo e
ginástica olímpica devem trazer esses títulos
para nós. Devemos trazer mais algumas pratas – basquete
e vôlei feminino, salto triplo e alguma outra no iatismo.
Bronzes são mais complicados de prever - e tento apostar
em pelo menos oito.
Palpites rapidinhos: a natação vai
voltar de mãos vazias. O futebol feminino belisca pelo menos
um bronze. Devemos ter alguma surpresa no atletismo. Torben Grael
se isola como o maior vencedor olímpico brasileiro. E por
que não apostar em um novo ouro no judô?
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