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Beagá, 16 de agosto de 2004 d.C.
 
Olimpíadas na tevê
Por Caboclo Alaranjado
 

Para aqueles que gostam de esporte mas não têm pulmão suficiente para praticar nada, maratona não é a tradicional prova de 42 quilômetros do atletismo e sim a ginástica que se faz para acompanhar os Jogos Olímpicos na televisão. Em Atenas, as emissoras esportivas de TV a cabo estão dando show, com até quatro canais simultâneos mostrando competições, o que exige uma certa pré-programação precisa do espectador. Mas como no Brasil isso é privilégio para poucos, a maioria tem que se contentar com as limitações - em todos os sentidos - da TV aberta.

A primeira grande barreira é a de horários decentes. Até uma certa hora da manhã, a Globo pode passar os jogos ininterruptamente. Mas há momentos em que há confusão de prioridades. Enquanto a pernambucana Joanna Maranhão disputava a final dos 400m medley, a emissora dos Marinho passava o irritante Caldeirão do Huck. Neste caso, ponto para a Band, que remodelou toda a grade de programação para dar uma cobertura mais global (sem trocadilhos) às Olimpíadas. Programas toscos como o de Márcia Goldschmidt e Gilberto Barros foram literalmente varridos para baixo do tapete e substituídos pelas locuções quase à moda antiga de Silvio Luiz.

Aliás, a qualidade do conteúdo das transmissões é onde a Band cede o empate à Globo. Por mais que tenha ostentado durante vários anos a alcunha de “canal do esporte”, a emissora está numa péssima safra de narradores e repórteres. O time de ex-atletas que servem como comentaristas temporários também é sofrível. A ex-ginasta Luiza Parente, por exemplo, não contente em fazer comentários óbvios durante a primeira apresentação da equipe brasileira, ainda assumia no ar: “Hahaha, agora que eu tô começando a ficar menos nervosa com a televisão”. Isso não é coisa que se diga, minha filha... A bela Fabíola Molina, que comenta a natação, também não foge do lugar comum ao abrir a boca. Sempre solta pelo menos três “que bela prova” a cada competição.

O único que se salva é o multihomem faz-tudo Álvaro José, que realmente tem muita informação sobre todas as modalidades que transmite. Seria o básico para todo jornalista esportivo, ainda mais em tempos de Olimpíada. A Globo tem um cuidado muito maior com o conteúdo de seus âncoras, afinal dificilmente eles são vistos falando asneira (a não ser o Galvão Bueno transmitindo futebol).

Entre mortos e feridos até que está sendo possível se informar bem sobre os Jogos pela TV. Mas confesso que, para Pequim-2008, vou juntar uma grana e assinar algum canal fechado. Porque ter que acordar de madrugada é um saco.

Por mais rabugento que eu às vezes possa parecer em meus textos, até que estou torcendo por um bom desempenho do Brasil em Atenas. Fiquei puto com a eliminação do Guga, com o vexame do revezamento 4x100 na natação e com as derrotas no boxe. E me enchi de orgulho com as vitórias no vôlei, no basquete e no futebol feminino.

Pode ser que eu seja traído pela temporalidade deste texto, mas o meu prognóstico é de que a delegação brasileira volta da Grécia com quatro medalhas de ouro na bagagem. Vôlei masculino, vôlei de praia, iatismo e ginástica olímpica devem trazer esses títulos para nós. Devemos trazer mais algumas pratas – basquete e vôlei feminino, salto triplo e alguma outra no iatismo. Bronzes são mais complicados de prever - e tento apostar em pelo menos oito.

Palpites rapidinhos: a natação vai voltar de mãos vazias. O futebol feminino belisca pelo menos um bronze. Devemos ter alguma surpresa no atletismo. Torben Grael se isola como o maior vencedor olímpico brasileiro. E por que não apostar em um novo ouro no judô?

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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