| Pela
primeira vez desde a vitória de Rubens
Barrichello no GP de Silverstone de F-1 do ano passado, esta
coluna deixa o futebol no banco de reservas. As razões são
mais do que óbvias, afinal começa nesta sexta-feira
aquela que é considerada a maior festa mundial do esporte
- ou também da publicidade, da xaropada e da putaria. Não
há como passar batido pelos Jogos Olímpicos, nem que
seja pra torcer por atletas dos quais você nunca ouviu falar,
só porque a Globo fez uma matéria tããããão
bonita com a família dele no Brasil.
Como acontece desde os jogos de Atlanta, a expectativa
que ronda a delegação verde-amarela é que estas
serão “as Olimpíadas em que o Brasil vai ter
o seu melhor desempenho em toda a história”. Em 96
até que isso deu certo, mas em 2000 foi aquele fiasco. E
isso porque desperdiçamos medalhas que estavam praticamente
penduradas no pescoço, como as do hipismo e do iatismo. Metaforizando
em termos de futebol, é como se tivéssemos driblado
o goleiro e chutado no travessão.
A diferença é que em Atenas, usando
um clichê de jornalismo esportivo, os principais atletas brasileiros
estão mais maduros. O vôlei masculino, agora praticamente
imbatível, conquistou a supremacia que tempos atrás
era da Itália. Para o vôlei feminino faltou o título
mundial, mas está sobrando qualidade (apesar do corte de
Leila). Finalmente temos ginastas de ponta, como a já tida
como lendária Daiane dos Santos. No atletismo não
temos Maurren Maggi, mas temos Jadel Gregório, o segundo
melhor do mundo no salto triplo. As duplas campeãs mundiais
de vôlei de praia são brasileiras. No basquete feminino,
há chances de beliscar pelo menos um bronze. E isso sem falar
nas modalidades que costumam trazer medalhas inesperadas, como judô
e iatismo.
Mas assim como há essas esperanças,
temos que reconhecer que estamos mais fracos em esportes que tinham
brasileiros figurando ocasionalmente entre os primeiros. Dividida
entre veteranos às portas da aposentadoria e jovens talentos
que só devem estar realmente prontos em Pequim-2008, a turma
da natação deve voltar da Grécia sem medalha.
No atletismo, nossa geração de corredores ainda não
chegou a ter brilhos individuais como os de Róbson Caetano
e Joaquim Cruz de outros tempos. A esperança é o revezamento
4x100, que traz medalhas há dois Jogos, mas este ano está
desfalcado de Claudinei Quirino.
Para
os amantes sedentários do esporte que ficam em casa, há
uma modalidade: a maratona em frente à TV. Sportv e ESPN
Brasil prometem cobertura integral em até quatro canais diferentes
(caso da Sportv). Para quem não tem TV a cabo, Globo e Band
devem quebrar um galho, já que não tem competição
nenhuma no horário da novela das oito. Agora é preparar
um cantinho confortável, gelar as cervejas, estourar a pipoca
e torcer para que pelo menos umas medalhinhas de bronze a gente
consiga.
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