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Beagá, 09 de agosto de 2004 d.C.
 
Pra não refugar em Atenas
Por Caboclo Alaranjado
 

Pela primeira vez desde a vitória de Rubens Barrichello no GP de Silverstone de F-1 do ano passado, esta coluna deixa o futebol no banco de reservas. As razões são mais do que óbvias, afinal começa nesta sexta-feira aquela que é considerada a maior festa mundial do esporte - ou também da publicidade, da xaropada e da putaria. Não há como passar batido pelos Jogos Olímpicos, nem que seja pra torcer por atletas dos quais você nunca ouviu falar, só porque a Globo fez uma matéria tããããão bonita com a família dele no Brasil.

Como acontece desde os jogos de Atlanta, a expectativa que ronda a delegação verde-amarela é que estas serão “as Olimpíadas em que o Brasil vai ter o seu melhor desempenho em toda a história”. Em 96 até que isso deu certo, mas em 2000 foi aquele fiasco. E isso porque desperdiçamos medalhas que estavam praticamente penduradas no pescoço, como as do hipismo e do iatismo. Metaforizando em termos de futebol, é como se tivéssemos driblado o goleiro e chutado no travessão.

A diferença é que em Atenas, usando um clichê de jornalismo esportivo, os principais atletas brasileiros estão mais maduros. O vôlei masculino, agora praticamente imbatível, conquistou a supremacia que tempos atrás era da Itália. Para o vôlei feminino faltou o título mundial, mas está sobrando qualidade (apesar do corte de Leila). Finalmente temos ginastas de ponta, como a já tida como lendária Daiane dos Santos. No atletismo não temos Maurren Maggi, mas temos Jadel Gregório, o segundo melhor do mundo no salto triplo. As duplas campeãs mundiais de vôlei de praia são brasileiras. No basquete feminino, há chances de beliscar pelo menos um bronze. E isso sem falar nas modalidades que costumam trazer medalhas inesperadas, como judô e iatismo.

Mas assim como há essas esperanças, temos que reconhecer que estamos mais fracos em esportes que tinham brasileiros figurando ocasionalmente entre os primeiros. Dividida entre veteranos às portas da aposentadoria e jovens talentos que só devem estar realmente prontos em Pequim-2008, a turma da natação deve voltar da Grécia sem medalha. No atletismo, nossa geração de corredores ainda não chegou a ter brilhos individuais como os de Róbson Caetano e Joaquim Cruz de outros tempos. A esperança é o revezamento 4x100, que traz medalhas há dois Jogos, mas este ano está desfalcado de Claudinei Quirino.

Para os amantes sedentários do esporte que ficam em casa, há uma modalidade: a maratona em frente à TV. Sportv e ESPN Brasil prometem cobertura integral em até quatro canais diferentes (caso da Sportv). Para quem não tem TV a cabo, Globo e Band devem quebrar um galho, já que não tem competição nenhuma no horário da novela das oito. Agora é preparar um cantinho confortável, gelar as cervejas, estourar a pipoca e torcer para que pelo menos umas medalhinhas de bronze a gente consiga.

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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