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Beagá, 02 de agosto de 2004 d.C.
 
O rol dos famintos: começa o campeonato da série C
Por Caboclo Alaranjado
 

No último domingo, a bola rolou em Alagoinhas, interior da Bahia. Os amantes do futebol em Mossoró, no Rio Grande do Norte, pararam para acompanhar as desventuras de seus dois clubes numa competição nacional. E o Estádio da Montanha, na cidade gaúcha de Bento Gonçalves, abrigou uma bela partida com seis gols. Uma pena que o time da casa saiu derrotado.

Essas são poucas linhas do que pode ser dito sobre a primeira rodada do campeonato brasileiro da série C, que começou perdendo o título de maior torneio de futebol do país para a Copa do Brasil. Graças às desistências de quatro representantes de Rondônia, Roraima, Acre e Amapá, o número de clubes baixou dos iniciais 64 para 60. Uma competição enxuta, se levarmos em conta que ela já foi disputada por mais de uma centena de times num passado recente.

Uma coisa é fato: a Terceirona 2004 parece não ter virtuais candidatos ao título. Você pode dizer que isso não é novidade nenhuma, mas lembre-se que nos anos anteriores sempre houve alguma barbada de início de campeonato. Como o Santo André de 2003, o Brasiliense de 2002, e como São Raimundo e São Caetano foram em temporadas passadas. Hoje, a série C tem apenas três ex-campeões nacionais (Tuna Luso, Sampaio Corrêa e União São João), alguns times medianos tradicionais (Moto Clube, Treze, Sergipe, os Américas paulista e carioca) e uma cambada de equipes pequenas, candidatas a emergentes.

É o caso do Itacuruba, de Pernambuco, que no campeonato estadual deste ano ficou em quarto lugar, atrás apenas dos três grandes do Recife. É um clube que tem 17 anos de fundação e apenas duas temporadas na primeira divisão. Na estréia, o time surpreendeu o Coruripe, de Alagoas, na casa do adversário com uma vitória de 1x0. Surpresa maior aprontou o Cuiabá, campeão matogrossense, para cima do Ji-Paraná, de Rondônia: 3x0 em pleno campo do rival.

O grupo 5, que conta com os representantes do Pará e do Maranhão, foi o responsável pela melhor média de gols da primeira rodada. Nos dois confrontos, as torcidas foram presenteadas com sete bolas na rede. Em São Luís, o Sampaio Corrêa chegou a fazer 4x1 sobre o Castanhal, mas os paraenses conseguiram diminuir a desvantagem para 4x3 e saíram de campo com um gostinho de derrota menos amargo. Em Belém, a partida entre Moto Clube e Tuna Luso foi emocionante. Os maranhenses saíram na frente e conduziram a vantagem até os 39 minutos do segundo tempo, quando o placar estava 3x2. Foi aí que os donos da casa reagiram de forma impressionante. Empataram o jogo aos 40 e viraram aos 44, com um gol olímpico. Reviravoltas dignas de primeira divisão.

Os resultados da primeira rodada ainda não são suficientes para avaliar favoritos ou mesmo traçar uma idéia de quem passará à próxima fase. Afinal, este é um campeonato que tem que ser vencido dentro de campo e na ponta do lápis, graças às dificuldades que a metade das equipes tem para pagar todas as despesas de transporte e hospedagem. Mesmo recebendo uma ajudinha da CBF, a outra metade não é de privilegiados. Todos se juntam no rol dos famintos em busca de uma pindaíba menos pior. E viva o futebol!

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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