| Eu
não agüento mais este torneio nacional de peladas que
insiste em ser chamado de campeonato brasileiro de futebol. Os jogos
são ruins, dão calo na vista. Não há
craques, apenas jogadores medianos que se destacam graças
à mediocridade dos demais. É aquele velho ditado:
em terra de cego, quem tem olho é rei...
Eu não agüento mais esse equilíbrio
tão incensado pela imprensa esportiva. Só porque dois
catarinenses já lideraram, clubes menores estão freqüentemente
na zona de classificação para a Libertadores e uns
e outros medianos andam pregando peças por aí, todo
mundo acha isso lindo. Enchem a bola da “nova ordem do futebol
brasileiro” e esquecem que ela é mais fruto de erros
dos grandes do que de acertos dos pequenos. E num campeonato nivelado
por baixo, o mínimo que se podia esperar era essa rotatividade
nas primeiras posições.
Eu não agüento mais ter de me contentar
ao ver o desespero dos grandes na rabeira da tabela e achar isso
divertido. Tá certo que seria lindo ver Flamengo, Corinthians
e Botafogo caindo abraçadinhos para a série B, só
que mais legal seria ver esses clubes passando por reestruturações
administrativas e montando equipes competitivas o suficiente para
lutar pelo título.
Eu não agüento mais os momentos constrangedores
provocados por esse momento decadente dos clubes tradicionais. Em
1980, Flamengo e Atlético Mineiro decidiram o Brasileirão
numa das finais mais eletrizantes da história. Este ano,
o jogo entre os dois clubes foi um 0x0 em que o Galo jogou com três
volantes e o Mengo com quatro. E o pior: num jogo em que os dois
precisavam da vitória pra não morrer na zona de rebaixamento.
Eu não agüento mais a queda absurda
no público. Aqui em Belém até o ano passado
dava gosto de ver os jogos do Paysandu, que sempre tinham pelo menos
20 mil pessoas nas arquibancadas do Mangueirão. Hoje em dia,
a média está em torno de 11 mil. E um público
de 15 mil pagantes já é considerado excelente. Isso
sem falar nos demais clubes...
Eu não agüento mais ver as péssimas
arbitragens estragando ainda mais um caldo que já está
extremamente azedo. A atual safra de juízes brasileiros é
sofrível. Mas é aquela coisa. Num país em que
Oscar Roberto de Godói é comentarista de TV, não
dá pra esperar muito.
Eu não agüento mais a falta de bom senso
da Globo, que insiste em transmitir as partidas do Flamengo contra
qualquer time perereca, mesmo tendo um jogão entre primeiros
colocados na mesma rodada.
Eu não agüento mais Galvão Bueno,
Arnaldo César Coelho, Milton Neves e Fernando Fernandes.
Eu não agüento mais ver Eurico Miranda
e o exército de dirigentes desonestos. Isso sem falar nos
dirigentes incompetentes.
É por isso que eu digo: a temporada de 2004
está sendo sofrível para o futebol brasileiro.
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