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Beagá, 26 de julho de 2004 d.C.
 
Desabafo
Por Caboclo Alaranjado
 

Eu não agüento mais este torneio nacional de peladas que insiste em ser chamado de campeonato brasileiro de futebol. Os jogos são ruins, dão calo na vista. Não há craques, apenas jogadores medianos que se destacam graças à mediocridade dos demais. É aquele velho ditado: em terra de cego, quem tem olho é rei...

Eu não agüento mais esse equilíbrio tão incensado pela imprensa esportiva. Só porque dois catarinenses já lideraram, clubes menores estão freqüentemente na zona de classificação para a Libertadores e uns e outros medianos andam pregando peças por aí, todo mundo acha isso lindo. Enchem a bola da “nova ordem do futebol brasileiro” e esquecem que ela é mais fruto de erros dos grandes do que de acertos dos pequenos. E num campeonato nivelado por baixo, o mínimo que se podia esperar era essa rotatividade nas primeiras posições.

Eu não agüento mais ter de me contentar ao ver o desespero dos grandes na rabeira da tabela e achar isso divertido. Tá certo que seria lindo ver Flamengo, Corinthians e Botafogo caindo abraçadinhos para a série B, só que mais legal seria ver esses clubes passando por reestruturações administrativas e montando equipes competitivas o suficiente para lutar pelo título.

Eu não agüento mais os momentos constrangedores provocados por esse momento decadente dos clubes tradicionais. Em 1980, Flamengo e Atlético Mineiro decidiram o Brasileirão numa das finais mais eletrizantes da história. Este ano, o jogo entre os dois clubes foi um 0x0 em que o Galo jogou com três volantes e o Mengo com quatro. E o pior: num jogo em que os dois precisavam da vitória pra não morrer na zona de rebaixamento.

Eu não agüento mais a queda absurda no público. Aqui em Belém até o ano passado dava gosto de ver os jogos do Paysandu, que sempre tinham pelo menos 20 mil pessoas nas arquibancadas do Mangueirão. Hoje em dia, a média está em torno de 11 mil. E um público de 15 mil pagantes já é considerado excelente. Isso sem falar nos demais clubes...

Eu não agüento mais ver as péssimas arbitragens estragando ainda mais um caldo que já está extremamente azedo. A atual safra de juízes brasileiros é sofrível. Mas é aquela coisa. Num país em que Oscar Roberto de Godói é comentarista de TV, não dá pra esperar muito.

Eu não agüento mais a falta de bom senso da Globo, que insiste em transmitir as partidas do Flamengo contra qualquer time perereca, mesmo tendo um jogão entre primeiros colocados na mesma rodada.

Eu não agüento mais Galvão Bueno, Arnaldo César Coelho, Milton Neves e Fernando Fernandes.

Eu não agüento mais ver Eurico Miranda e o exército de dirigentes desonestos. Isso sem falar nos dirigentes incompetentes.

É por isso que eu digo: a temporada de 2004 está sendo sofrível para o futebol brasileiro.

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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