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Beagá, 12 de julho de 2004 d.C.
 
Defendendo o indefensável
Por Caboclo Alaranjado
 

Pela primeira vez desde que comecei a acompanhar o dia-a-dia do futebol tive que dar o braço a torcer e concordar com o degradante Eurico Miranda. Em entrevista ao programa Terceiro Tempo, da TV Record, o dirigente mais truculento do futebol brasileiro justificou o pedido que fez aos torcedores do Vasco para que não fossem ao Maracanã ver o clássico contra o Flamengo.

Segundo Euricão, a diretoria do Rubro-negro rompeu o acordo feito entre os times cariocas pouco antes do campeonato brasileiro. Por esse trato, os clássicos estaduais seriam todos realizados no Maracanã e as rendas das partidas seriam divididas igualmente. Mas, em cima da hora, os cartolas flamenguistas jogaram essa conversa pra escanteio, se auto-proclamaram mandantes do jogo, mandaram fazer os ingressos apenas com o escudo do Flamengo e disseram que a renda iria inteira para os cofres da Gávea, como diz o regulamento.

O presidente do Vasco, em repúdio a esta atitude, pediu que a torcida cruzmaltina boicotasse o clássico, para não dar dinheiro ao Flamengo. E ainda adiantou que o jogo entre os dois clubes no returno será em São Januário e não há nenhum impedimento legal para isso.

Não há nem o que questionar. No momento de pindaíba e falta de prestígio que o futebol carioca vive, o Flamengo deveria mais era aceitar o tal acordo e não cutucar Eurico com vara curta. Agora tem de agüentar as conseqüências. Primeiro, a derrota em campo. Depois, boa parte da opinião pública apoiando o outrora tão esculachado presidente do Vasco. E por fim, o que talvez seja ainda pior, o fato de estar na zona de rebaixamento enquanto os vascaínos sobem na tabela.

O campeonato brasileiro ainda nem chegou na metade e os cavalos paraguaios já começaram a dar sinal de cansaço. O Criciúma, que liderou o torneio por algumas rodadas e foi apontado por muitos como representante da famigerada nova ordem do futebol nacional, andou levando umas sacolas e, de degrau em degrau, chegou à 14ª posição. O São Caetano, que começou o campeonato como favorito ao título, também foi perdendo pontos bobos e está em 13º. E o Vitória, que empolgou com boas exibições nas primeiras rodadas, ocupa um mediano 10º lugar.

Por outro lado, há aqueles clubes que dão guinadas no sentido inverso. O Palmeiras, que teve um início de campeonato aos trancos e barrancos, já é o líder há três rodadas. E o Santos, que antes da saída de Leão chegou a beijar a zona de rebaixamento, agora é terceiro lugar.

O problema é que essa cavalaria ainda tem muito chão pela frente: mais 32 rodadas a serem disputadas. Tempo suficiente para colocar à prova a resistência desses cavalos e saber se eles também não passam de paraguaios com um pouco mais de durabilidade.

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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