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Procure
em qualquer agenda que tenha até as mais inúteis datas comemorativas:
dia 26 de abril, próximo sábado, é dia do goleiro. Lembrança justa
feita a um jogador que não marca gols (a não ser se for um Rogério
Ceni ou um Chilavert), mas que pode ser o herói de uma grande vitória,
o salvador da pátria, o responsável por uma conquista. Um cara que
está quase sempre longe dos holofotes, mas o tempo todo perto de
ser alvo de críticas e até chacotas. Talvez seja exagero dizer que
é uma profissão ingrata, mas ser goleiro certamente é a mais curta
fronteira entre a aclamação e a crucificação.
Basta
lembrar de causos clássicos. Será que o correto Barbosa seria tão
maldito pelos torcedores brasileiros se a seleção tivesse vencido
a final da Copa de 1950? Barbosa morreu ouvindo acusações de ter
falhado no gol do uruguaio Ghiggia, que selou a maior derrota do
Brasil em Copas do Mundo. Há quem diga que o ex-goleiro só foi culpado
pelo simples fato de ser negro.
Mas
ao longo da história do futebol existiram muitos que, ao contrário
de Barbosa, tiveram tempo e oportunidade para responder em campo
às ofensas. Como o gaúcho Taffarel, que mesmo sendo um jogador acima
da média, levava uns senhores frangos de vez em quando. Frangarel,
era como lhe chamavam os críticos. Os mesmos que engrossavam o coro
de "sai que é sua, Taffarel!" nas copas de 94 e 98, em que o ex-goleiro
do Internacional garantiu algumas vitórias da seleção e nada menos
que um título mundial.
Para
homenagear as muralhas, os guarda-metas, os pegadores-de-pênaltis
e até mesmo os frangueiros, vale plagiar uma idéia do cronista José
Roberto Torero e escalar uma seleção com os maiores goleiros da
história.
O camisa
1 do time dos camisas 1 não pode ser qualquer um. É o russo Lev
Yashin, o Aranha Negra, tido por muitos como o melhor de todos
os tempos. Para ele, só faltou mesmo um título mundial para coroar
a carreira vitoriosa. Talvez, na seleção da ex-União Soviética,
Yashin não tenha tido a companhia do grande time que todo grande
goleiro merece.
No
Arqueiros Futebol Clube, as alas ficam com o argentino Goycoechea,
o "tapa penales" da Copa de 90, e com o estiloso, elegante e esquentadinho
brasileiro Emerson Leão. A zaga tem que ter dois jogadores de estilos
diferentes: um brucutu que resolva tudo nas botinadas e um beque
discreto e caladão, que sempre leva a culpa em qualquer falha coletiva.
Os escolhidos são o aprendiz de ultimate fighter paraguaio
Chilavert e o Ph.D em levar culpa, o brasileiro Barbosa.
Como
toda seleção impecável, a dos goleiros têm um meio de campo só de
jogadores cerebrais. Inteligentes, técnicos, classudos e com excelente
visão de jogo. Figuram na meiúca o italiano Dino Zoff, o
inglês Gordon Banks, o alemão Sepp Maier e o brasileiro
Taffarel.
Pra
fechar, os atacantes. E como a defesa, o ataque tem que ser de opostos.
Geralmente não é assim? Um "garçom" e um "matador"? Um falastrão
e um reservado? Pois encerramos a onzena com o folclórico colombiano
René Higuita (que seria algo como o Dadá Maravilha dos goleiros)
e o frio e eficiente dinamarquês Peter Schmeichel.
Yashin;
Goycoechea, Chilavert, Barbosa e Leão; Zoff, Banks, Taffarel e Maier;
Higuita e Schmeichel. Alguém concorda? Alguém discorda? O e-mail
está aí embaixo pra isso.

Começa
nesta sexta-feira o campeonato brasileiro da série B. Depois de
muita confusão envolvendo a tabela (time com 22 jogos, time com
24 jogos, time jogando duas vezes na mesma rodada...), as 24 equipes
vão dar início à violenta briga pelo acesso à primeira divisão.
Com jogos apenas aos sábados, a Segundona vai ser disputada em três
fases. Na primeira, todos jogam contra todos em turno único. Passam
para a segunda fase os oito melhores, que se dividem em dois grupos
de quatro e jogam entre si dentro dos grupos em turno e returno.
Os dois primeiros de cada chave disputam o título num novo quadrangular,
também com jogos de ida e volta. O campeão é o time que tiver mais
pontos nesse quadrangular final.
Os
dois times considerados grandes que caíram no ano passado estréiam
fora de casa. O Palmeiras, apesar do time bem mais ou menos, é favorito
ao acesso e joga contra o Brasiliense, equipe que tem condições
de chegar entre os oito melhores da primeira fase. Já o Botafogo
enfrenta o Vila Nova em Goiânia, e precisa de muito esforço e muitas
vitórias para acabar com a angústia da torcida.

Uma
curiosidade sobre a Segundona. Dos 24 clubes que disputam a competição
em 2003, apenas quatro a disputam desde 1994, quando o campeonato
foi reorganizado: Londrina, Ceará, Joinville e CRB. Todos os outros
estão no sobe-e-desce entre as séries A e C desde esse ano ou passaram
a ser cativos da B nos anos seguintes.
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