| No
texto passado eu tinha prometido mudar
o enfoque da coluna e passar a escrever sobre jornalismo esportivo,
e não mais sobre as últimas do futebol. Me permito
voltar atrás pelo menos por uma semana porque o momento é
oportuno. Começa neste feriado de Tiradentes a edição
2004 do dito maior e melhor campeonato do mundo. O Brasileirão
está bem longe disso, mas convenhamos: é uma senhora
competição.
No quesito regulamento, consolida-se a fórmula
de turno, returno e pontos corridos, amada por uns, odiada por outros.
Mas uma pequena novidade promete ser decisiva para dar um tempero
de emoção e desespero às rodadas finais. Agora,
são quatro clubes que caem para a segunda divisão,
e não dois como no ano passado. Isso, aliadas às quatro
vagas ofertadas para a Taça Libertadores e pelo menos oito
para a Copa Sul-Americana, deve deixar pouca gente sem ter para
quê torcer quando o campeonato estiver chegando ao fim.
Mas quem tem chance de ser campeão? Quem
é favorito às vagas para a Libertadores? Quem pode
beliscar um lugarzinho na Sul-Americana? E quem tem que contratar
um exorcista para se livrar do fantasma da série B? Todo
brasileiro que acha que entende de futebol tem uma opinião
diferente. Eu, como bom palpiteiro que sou, tenho a minha.
Acho que os 24 clubes que disputam o Brasileirão
em 2004 podem ser divididos em pelotões. A seguir, minha
divisão:
Pelotão
de frente - é formado, grosso modo, pelos mesmos
“melhores times do Brasil” do ano passado. Dos primeiros
colocados no Brasileirão 2003, os que evoluíram e
pintam como candidatos mais fortes ao título são o
São Caetano (que finalmente, desde 2000,
tem um time realmente bom) e o São Paulo
(o time de Cuca amarelou no Paulistão mas é mais forte
que o de Roberto Rojas). O Santos, mesmo não
tendo encontrado um matador, e o Cruzeiro, apesar
de ter perdido Luxemburgo, também concorrem com moral à
taça, mas menos incontestáveis que na temporada anterior.
Acrescentaria a essa lista o Atlético Paranaense
(com uma linha de frente invejável e um técnico competente),
o Flamengo (que pode ganhar um título nas
costas de Felipe do mesmo modo que fez com Júnior em 1992)
e o Palmeiras (que, baladas à parte, tem
um time ajeitado e entrosado).
Possíveis
surpresas - o Internacional, que conseguiu
manter a safra de jovens jogadores que levou a uma boa campanha
em 2003, pode surpreender ainda mais. O problema está no
técnico, o nada mais que mediano Lori Sandri. O Atlético
Mineiro, eterno time de chegada, montou o típico
time de formiguinhas que pode chegar longe, agora com o reforço
de Alex Mineiro, o herói do título do xará
paranaense em 2001. Por ter feito uma Segundona regular em 2003
e continuado com bons nomes como Almir e Sandro, o Botafogo
também é candidato a uma vaga na Copa Sul-Americana.
O Coritiba, que decepcionou na Libertadores mas
levantou o bi no estadual, aposta no “quadrado mágico
do ataque”, formado pelos bons Igor (ex-Flamengo), Tuta (ex-Palmeiras),
Luís Mário (ex-Grêmio) e pelo ótimo Aristizábal.
O Goiás perdeu Cuca e mais alguns jogadores
para o São Paulo, mas recrutou o ótimo meia Rodrigo
Tabata e o bom atacante Aldrovani para conquistar uma vaga na Sul-Americana
pelo segundo ano consecutivo. Se o Vitória superar
a falta de experiência do técnico Agnaldo Liz e os
egos inflados de Edílson e Vampeta, também tem chances
de beliscar um lugar na primeira metade da tábua de classificação.
Incógnitas
- ninguém sabe o que esperar de Fluminense,
Vasco, Figueirense, Paysandu,
Juventude e Criciúma. Piadas
à parte, o Flu tem um bom time no papel. Edmundo é
tão cerebral em campo quanto é destemperado fora dele.
E Romário ainda decide, apesar dos cabelos grisalhos. Mas
com tantos trintões num torneio longo, a briga vai ser contra
o Departamento Médico. O time da Cruz de Malta chegou à
decisão do campeonato carioca, mas não parece ser
aposta forte para o Brasileirão. A geração
da prata da casa é ruim e esperar apenas de Valdir não
parece muito seguro. O Figueira tem um técnico desconhecido
(Dorival Júnior) e alguns medalhões (os “craques”
Cléber e Sérgio Manoel). Foi campeão catarinense.
Mas e daí? O Ju tem um time fraquíssimo, mas um técnico
excelente, Ivo Wortmann. As chances de fracasso e sucesso são
iguais. O Papão está repetindo a história dos
dois últimos anos: monta um time bom, mas que acaba naufragando
graças ao aproveitamento ruim fora de casa. Mas, com uma
renovação de 80% no elenco, a esperança é
que 2004 seja diferente. O Tigre catarinense reformulou o elenco
depois da má campanha no estadual, mas resta saber se um
técnico especialista em segundas divisões (Vagner
Benazzi) vai dar certo na série A.
Xô,
segundona! - más administrações, planejamentos
errados, falta de grana, técnicos ruins, jogadores desconhecidos...
A combinação de pelo menos três desses fatores
está presente em todos os clubes desse pelotão. O
Corinthians, depois do quase-vexame no Paulistão,
não aprendeu a lição. Demorou a contratar,
contratou pouco, contratou mal e deve fazer do “Deus nos acuda”
o grito mais freqüente na torcida alvinegra. O Paraná
também quase caiu para a segundona estadual e, como única
mexida para se salvar, contratou o desconhecido treinador Paulo
Campos. É muito pouco pra quem tem um time medíocre.
O Grêmio deve passar pelo mesmo pesadelo
de 2003. Com Baloy, Cocito e uma geração pouco aproveitável
de crias da divisão de base, o tricolor gaúcho é,
no papelo, ainda pior do que aquele que fez papelão no ano
do centenário. Os times de Campinas também devem sofrer
com maus bocados. O Guarani tem a pior safra de
jogadores dos últimos anos e ainda tem dois ícones
da enganação como estrelas: o atacante Viola e o técnico
Joel Santana. A Ponte Preta, que quase caiu em
2003, ainda passa pelos mesmos problemas financeiros e futebolísticos.
Na pindaíba, a Macaca tem um elenco medíocre e um
treinador pouco conhecido.
Daqui a oito meses a gente confere esses palpites.
A sorte está lançada!
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