q
Página principal de Esporte Esportivo
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 05 de abril de 2004 d.C.
 
Mudando de foco
Por Caboclo Alaranjado
 

Antes de pedir desculpas aos meus dois leitores pelos atrasos constantes na publicação de uma nova coluna, gostaria de anunciar uma pequena reformulação que virá para o bem do escriba e dos seus poucos seguidores. Confesso que estava ficando cansado de “comentar” futebol. Afinal, saí da reportagem esportiva há alguns meses e não tenho mais aquela vivência dos bastidores, aquele pique que o dia-a-dia te dá. Acabei virando tão espectador quanto você, leitor. Embaso o que escrevo sobre futebol naquilo que vejo na TV, leio nos jornais e escuto nas conversas de bar.

E então? Qual seria essa mudança no perfil da coluna? Eu penso em aproveitar a experiência que tive na imprensa esportiva e a linha editorial de detonação do ABACAXI ATÔMICO para escrever sobre nossos escribas do esporte. Não faltam personagens, afinal o jornalismo esportivo brasileiro está perdido. Os programas de TV viraram entretenimento puro, sem informação. As rádios abriram espaço para desqualificados e até semi-analfabetos. Os jornais não servem para outra coisa que não seja embrulhar peixe. E é seguindo esses exemplos que os calouros das faculdades de jornalismo querem seguir para as bandas do esporte.

O fato é que o Brasil desaprendeu a fazer jornalismo esportivo, se é que um dia já soube. O que acontece hoje é aquela velha história do cobertor curto: você cobre a cabeça e descobre os pés. A imprensa se esconde com a máscara fajuta da imparcialidade, mas expõe fragilidades como a necessidade de explorar a vida pessoal dos jogadores para vender como notícia. O caso que envolveu o atacante Vágner Love esta semana foi notável. De que interessa saber se o artilheiro palmeirense andou tomando uns gorós na noite de São Paulo? Por mais verídica que seja a informação, discutir se o que líquido que ele bebia era alcoólico ou não é muita bobagem. Ou falta de assunto.

E é pra evitar essa falta de assunto que eu resolvo mudar o foco deste espaço a partir desta semana. Gostou, gostou. Não gostou, vai escrever uma coluna semelhante num outro site.

É impressionante a capacidade que o jornal Lance! tem para criar apelidinhos infames para os jogadores. E mais impressionante ainda é a falta de bom senso que os caras têm de ficar insistindo nessas bobagens. Ou alguém aí acha engraçado o Vágner sendo chamado de “Artilheiro do Amor” (assim mesmo, em maiúsculas) e o Robinho, de “Rei do Drible”? E agora ainda me inventam chamar o Basílio, do Santos, de Basigol. Quanta criatividade...

A gente vive falando mal do Galvão Bueno, do Sérgio Noronha, do Arnaldo César Coelho, do Dadá Maravilha... Mas as transmissões de futebol da Globo ainda são as melhores da TV. Principalmente se pegarmos a ESPN Internacional como referencial de comparação. Alguém aí conseguiu ficar acordado durante França x Holanda, na quarta-feira passada? Tá certo que os caras têm a limitação do off tube, número reduzido de profissionais participando... Mas o telespectador definitivamente não merece ficar de 10 a 12 segundos sem ouvir absolutamente nada a não ser o barulho do som ambiente. Se falta assunto e informação, contratem um produtor!!!

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
Rodopia, rodopia...
Uma baita revista
Wortmann: vida após Givanildo Oliveira
Mestre Cuca
A polêmica das taças
Confira textos mais antigos...