| Antes
de pedir desculpas aos meus dois leitores pelos atrasos constantes
na publicação de uma nova coluna, gostaria de anunciar
uma pequena reformulação que virá para o bem
do escriba e dos seus poucos seguidores. Confesso que estava ficando
cansado de “comentar” futebol. Afinal, saí da
reportagem esportiva há alguns meses e não tenho mais
aquela vivência dos bastidores, aquele pique que o dia-a-dia
te dá. Acabei virando tão espectador quanto você,
leitor. Embaso o que escrevo sobre futebol naquilo que vejo na TV,
leio nos jornais e escuto nas conversas de bar.
E então?
Qual seria essa mudança no perfil da coluna? Eu penso em
aproveitar a experiência que tive na imprensa esportiva e
a linha editorial de detonação do ABACAXI ATÔMICO
para escrever sobre nossos escribas do esporte. Não faltam
personagens, afinal o jornalismo esportivo brasileiro está
perdido. Os programas de TV viraram entretenimento puro, sem informação.
As rádios abriram espaço para desqualificados e até
semi-analfabetos. Os jornais não servem para outra coisa
que não seja embrulhar peixe. E é seguindo esses exemplos
que os calouros das faculdades de jornalismo querem seguir para
as bandas do esporte.
O fato
é que o Brasil desaprendeu a fazer jornalismo esportivo,
se é que um dia já soube. O que acontece hoje é
aquela velha história do cobertor curto: você cobre
a cabeça e descobre os pés. A imprensa se esconde
com a máscara fajuta da imparcialidade, mas expõe
fragilidades como a necessidade de explorar a vida pessoal dos jogadores
para vender como notícia. O caso que envolveu o atacante
Vágner Love esta semana foi notável. De que interessa
saber se o artilheiro palmeirense andou tomando uns gorós
na noite de São Paulo? Por mais verídica que seja
a informação, discutir se o que líquido que
ele bebia era alcoólico ou não é muita bobagem.
Ou falta de assunto.
E é
pra evitar essa falta de assunto que eu resolvo mudar o foco deste
espaço a partir desta semana. Gostou, gostou. Não
gostou, vai escrever uma coluna semelhante num outro site.

É
impressionante a capacidade que o jornal Lance!
tem para criar apelidinhos infames para os jogadores. E mais impressionante
ainda é a falta de bom senso que os caras têm de ficar
insistindo nessas bobagens. Ou alguém aí acha engraçado
o Vágner sendo chamado de “Artilheiro do Amor”
(assim mesmo, em maiúsculas) e o Robinho, de “Rei do
Drible”? E agora ainda me inventam chamar o Basílio,
do Santos, de Basigol. Quanta criatividade...

A
gente vive falando mal do Galvão Bueno, do Sérgio
Noronha, do Arnaldo César Coelho, do Dadá Maravilha...
Mas as transmissões de futebol da Globo ainda são
as melhores da TV. Principalmente se pegarmos a ESPN Internacional
como referencial de comparação. Alguém aí
conseguiu ficar acordado durante França x Holanda, na quarta-feira
passada? Tá certo que os caras têm a limitação
do off tube, número reduzido de profissionais participando...
Mas o telespectador definitivamente não merece ficar de 10
a 12 segundos sem ouvir absolutamente nada a não ser o barulho
do som ambiente. Se falta assunto e informação, contratem
um produtor!!!
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