| Ô emprego mais sujeito a infortúnios,
esse de técnico de futebol... Tá certo que nem todos
os treinadores são flor que se cheire, mas ultimamente as
diretorias de clubes estão se superando em demissões
mal explicadas, prematuras ou coisa que o valha. “Estranhas”
talvez seja a palavra mais certa.
O bilhete azul dado a Vanderlei Luxemburgo já
até virou notícia velha, mas continua mal explicado.
Chantagem, disputa de poder, briga de egos com os mandatários
do clube... Tudo isso teria levado ao fim o casamento mais incensado
do futebol brasileiro dos últimos anos e que rendeu como
frutos os títulos do campeonato mineiro, da Copa do Brasil
e do Brasileirão, além de um time impecável
com pinta de favorito na Libertadores. Com tudo isso, qualquer torcida
esqueceria que Luxemburgo sempre deu problema nos clubes que passou.
Os irmãos Perrella, “donos” do Cruzeiro, preferiram
matar a caça pela boca.
Bem menos badalada pela mídia, só
que até mais inexplicável, foi a demissão de
Ivo Wortmann do Goiás. O técnico gaúcho ultimamente
vinha esbanjando competência, mas sem muita sorte com resultados,
porém parecia ter superado esse estigma no Verdão.
O time estava embalado no campeonato goiano, com dez vitórias
em doze jogos. Ainda assim, a diretoria do clube foi encontrar motivos
para mandar Wortmann embora. O treinador, com a discrição
e o profissionalismo que lhe são peculiares, preferiu o silêncio.
A imprensa local, no entanto, descobriu que o provável motivo
da demissão repentina havia sido a divergência na escalação
do time. Enquanto Wortmann queria dar oportunidade à prata
da casa, os cartolas pressionavam para que fossem escalados os medalhões
contratados quase a peso de ouro. Típico do futebol brasileiro.
Aqui no Pará, a guilhotina já fez
várias vítimas em poucas rodadas de campeonato estadual.
A maior e mais repentina foi a de Heron Ferreira, do Paysandu. Tá
certo que ele é um zero à esquerda como treinador
(e só a cartolagem do Papão acreditava no contrário),
mas demitir após infames três jogos um cara que já
tinha comandado a pré-temporada, indicado jogadores e começava
a desenhar uma cara tática para a equipe?
Toda
vez é a mesma coisa no Brasil: técnico rodando mais
rápido que brinquedo do Hopi Hari. Mas as diretorias, em
compensação, não aprendem nunca. Continuam
apostando em técnicos quebra-galho que quase nunca dão
certo, ou ainda querem cortar as asas dos competentes que querem
ter um pouco mais de liberdade no trabalho (uns confundem isso com
poder, mas aí é detalhe...). Enquanto isso, bons profissionais
vão sendo desvalorizados, picaretas vem sendo incensados
e muitas torcidas andam ressabiadas com o que vêem em campo...

A partir da semana que vem, deixo temporariamente
o cargo de correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém.
É que estou de mudança para São Paulo por dois
meses. Vou fazer uns cursos, inclusive um de jornalismo esportivo.
Quem sabe assim eu não ganho um aumento de salário
aqui no site... A partir da próxima coluna, então,
causos da cidade cinza ou velhas histórias de Belém.
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