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Beagá, 08 de março de 2004 d.C.
 
Rodopia, rodopia...
Por Caboclo Alaranjado
 

Ô emprego mais sujeito a infortúnios, esse de técnico de futebol... Tá certo que nem todos os treinadores são flor que se cheire, mas ultimamente as diretorias de clubes estão se superando em demissões mal explicadas, prematuras ou coisa que o valha. “Estranhas” talvez seja a palavra mais certa.

O bilhete azul dado a Vanderlei Luxemburgo já até virou notícia velha, mas continua mal explicado. Chantagem, disputa de poder, briga de egos com os mandatários do clube... Tudo isso teria levado ao fim o casamento mais incensado do futebol brasileiro dos últimos anos e que rendeu como frutos os títulos do campeonato mineiro, da Copa do Brasil e do Brasileirão, além de um time impecável com pinta de favorito na Libertadores. Com tudo isso, qualquer torcida esqueceria que Luxemburgo sempre deu problema nos clubes que passou. Os irmãos Perrella, “donos” do Cruzeiro, preferiram matar a caça pela boca.

Bem menos badalada pela mídia, só que até mais inexplicável, foi a demissão de Ivo Wortmann do Goiás. O técnico gaúcho ultimamente vinha esbanjando competência, mas sem muita sorte com resultados, porém parecia ter superado esse estigma no Verdão. O time estava embalado no campeonato goiano, com dez vitórias em doze jogos. Ainda assim, a diretoria do clube foi encontrar motivos para mandar Wortmann embora. O treinador, com a discrição e o profissionalismo que lhe são peculiares, preferiu o silêncio. A imprensa local, no entanto, descobriu que o provável motivo da demissão repentina havia sido a divergência na escalação do time. Enquanto Wortmann queria dar oportunidade à prata da casa, os cartolas pressionavam para que fossem escalados os medalhões contratados quase a peso de ouro. Típico do futebol brasileiro.

Aqui no Pará, a guilhotina já fez várias vítimas em poucas rodadas de campeonato estadual. A maior e mais repentina foi a de Heron Ferreira, do Paysandu. Tá certo que ele é um zero à esquerda como treinador (e só a cartolagem do Papão acreditava no contrário), mas demitir após infames três jogos um cara que já tinha comandado a pré-temporada, indicado jogadores e começava a desenhar uma cara tática para a equipe?

Toda vez é a mesma coisa no Brasil: técnico rodando mais rápido que brinquedo do Hopi Hari. Mas as diretorias, em compensação, não aprendem nunca. Continuam apostando em técnicos quebra-galho que quase nunca dão certo, ou ainda querem cortar as asas dos competentes que querem ter um pouco mais de liberdade no trabalho (uns confundem isso com poder, mas aí é detalhe...). Enquanto isso, bons profissionais vão sendo desvalorizados, picaretas vem sendo incensados e muitas torcidas andam ressabiadas com o que vêem em campo...

A partir da semana que vem, deixo temporariamente o cargo de correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. É que estou de mudança para São Paulo por dois meses. Vou fazer uns cursos, inclusive um de jornalismo esportivo. Quem sabe assim eu não ganho um aumento de salário aqui no site... A partir da próxima coluna, então, causos da cidade cinza ou velhas histórias de Belém.

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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