| Era
abril de 1990 quando um garotinho de 7 anos que adorava banca de
jornais se encantou com uma determinada revista. A capa era uma
foto com 12 ídolos do futebol na época (Zico, Careca,
Bebeto...) vestindo camisas com uma letra em cada uma, formando
a frase “Placar 20 Anos”. Foi o suficiente para fazer
com que o garoto pedisse alguns cruzeiros para a mãe e comprasse
a revista. Começava ali uma relação quase indefinível
entre um aficcionado por futebol e uma fonte de informação.
Podem dizer
o que quiserem, mas ainda acho a Placar uma baita revista.
E o meu hábito de lê-la já dura quase 14 anos.
Foi nessas páginas que me eduquei em futebol, que me informei
sobre o passado glorioso daqueles que viriam a ser meus clubes de
coração, acompanhei quatro Copas do Mundo, fracassos
e sucessos da seleção brasileira, idas e vindas de
jogadores, biografias de antigos craques... Uma riqueza de informações,
preciosidades que guardo pra sempre.
Nesse tempo,
ela passou por altos e baixos (até mais baixos do que altos)
mas ainda é a mais respeitada - na verdade, é a única
- revista brasileira sobre futebol. No início da minha carreira
de leitor, ela era semanal e bem centrada no factual. Tinha aquelas
crônicas dos jogos da semana, notícias quentinhas...
e ainda tinha, religiosamente, na última página, escudinhos
de botão para recortar! Para um moleque, aquilo ali era o
deleite máximo... Depois bateu a crise financeira e ela passou
a ser mensal e temática. Cada edição era dedicada
exclusivamente a um assunto. Grandes reportagens, que elucidavam
mais que muitos verbetes de enciclopédias.
Aí,
de 1994 pra 1995, nova crise. A revista passou alguns meses sem
circular, antes de uma reformulação ousada para ganhar
leitores e, por que não?, anunciantes. A revista ficou com
um tamanho gigantesco e adotou um odioso slogan: “futebol,
sexo e rock and roll”. O enfoque do factual se desvirtuou
completamente... No lugar do feijão com arroz adubado, matérias
de comportamento que abordavam até a vida sexual (!!!) dos
jogadores... Pra mim, foi um tempo de decadência. A revista
que me ensinou quem foram Pelé, Garrincha e Nilton Santos,
que me contou as glórias do Santos dos anos 60 e do Flamengo
dos anos 80, agora estava dizendo quais os lugares mais insólitos
onde os atletas já tinham transado. Faça-me o favor.
Ainda bem que,
aos poucos, o enfoque voltou para onde não deveria ter saído
nunca: o futebol. E em 2001, para a alegria dos saudosistas, a Placar
voltou a ser semanal. Acho que foi a melhor fase da revista desde
que comecei a lê-la. Afinal, o futebol brasileiro rende assunto
demais pra ser resumido em páginas mensais. Pena que durou
pouco, graças a uma nova crise. Hoje ela é mensal
de novo, mas com uma qualidade impecável.
Talvez tenha
gente se perguntando... Mas por que diabos esse caboclo está
gastando tantas linhas pra escrever sobre uma revista, como que
fizesse propaganda da concorrência? Bem, usando um termo estritamente
jornalístico e desvirtuando totalmente a regra da “pirâmide
invertida”, agora é que estamos chegando ao lead da
matéria... Este mês, realizei o velho sonho de escrever
para a Placar. Ainda duvidava de que fosse possível
até ver o meu nome no rodapé de uma matéria
sobre o Agnaldo, atual técnico do Remo. Pode parecer piegas,
mas não consegui esconder um sorriso de orelha a orelha depois
que comprei a revista. Está lá, na primeira página
da seção "Abrindo o Jogo", ao lado da coluna
do Milton Neves (ugh!). Esta edição aí vai
merecer o melhor lugar na minha coleção e virar motivo
de orgulho por muitos anos...
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