q
Página principal de Esporte Esportivo
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 15 de dezembro de 2003 d.C.
 
Mestre Cuca
Por Caboclo Alaranjado
 

Como o campeonato brasileiro chegou à última rodada com poucas definições a serem feitas, faltaram personagens para a reta final da competição. Mas ainda há tempo para escrever sobre um técnico que só não se saiu melhor que o supercampeão Luxemburgo no Brasileirão. Na 11ª rodada, Cuca pegou um humilhado Goiás na lanterna e construiu um time que só não faturou o título porque o Cruzeiro não deixou mais méritos pra ninguém. O 9º lugar na classificação final pode não significar grande coisa para a maioria das torcidas do país, mas para o Goiás serviu como porta de entrada para a Copa Sul-Americana de 2004. E para Cuca, o grande responsável por essa guinada, valeu o convite para dirigir o São Paulo na próxima temporada.

Tive algum contato com Cuca na época em que foi técnico do Remo em 2001. Ele chegou para substituir Cláudio Duarte, que quase teve um piti ao perceber a roubada em que havia se metido. Não era a primeira vez que ele pisava o gramado do Baenão. Em 1994, já em fim de carreira, Cuca era titular do ataque do Remo que foi rebaixado para a série B do campeonato brasileiro e foi um dos poucos jogadores poupados pela torcida remista. Talvez por isso ele tenha chegado como aposta para uma reação do time paraense, que aturava a lanterna da Segundona naquele ano. Demorou um pouco, mas o Remo engrenou. Teve o que a Rede Globo insiste em chamar de "efeito Goiás" e passou oito jogos sem perder. Da zona de rebaixamento, o Leão Azul saltou para o quarto lugar. Qualquer semelhança com a história do time de Grafite e Araújo em 2003 é mera coincidência...

Só que, ao contrário do Goiás de hoje, o Remo de Cuca teve uma queda de produção vertiginosa. Perdeu jogos tolos em casa e voltou para a rabeira da tabela. A torcida então se voltou contra o comandante que antes havia tirado o time da lama. "Fora, Cuca!", gritavam os exigentes magnetos das arquibancadas do estádio Evandro Almeida. O ex-centroavante do Grêmio reagia com um misto de profissionalismo e inexperiência que parecia até um sintoma de desequilíbrio emocional. À medida que as rodadas iam passando e o Remo ia ficando mais a perigo, Cuca exibia um semblante cada vez mais abatido. Nas entrevistas, ele se atrapalhava e demonstrava que ia se consumindo pela derrota. Não deu outra. A poucas rodadas do fim do campeonato, o então técnico estreante entregou o lugar, engolido pela pressão.

Muitos disseram que Cuca sairia de Belém direto para o divã de um analista, mas ainda na mesma temporada ele teve equilíbrio e competência para livrar o Criciúma do rebaixamento para a série C. Também ajudou a formar a base do Tigrão que conquistou a Segundona no ano seguinte. E só reapareceu para a mídia quando resolveu encarar o trabalho de tirar o Goiás do buraco. Cuca descascou o abacaxi e ficou com a coroa após fazer com que o time goiano se tornasse uma espécie de "campeão moral" do returno.

Cuca ainda é inexperiente como treinador, mas desponta como um dos grandes nomes da nova geração de técnicos. Há quem diga que o São Paulo é grande demais para ele. Mas Cuca certamente prefere tirar a prova dos nove da maneira que fez durante toda a carreira - na prática. Equilíbrio e competência para isso ele tem.

Aproveitando o recesso do futebol brasileiro e o gancho deste texto, as minhas próximas duas colunas falarão sobre treinadores. Os personagens que escolhi são Ivo Wortmann e Paulo Bonamigo. Até semana que vem!

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
A polêmica das taças
O Brasil é azul (ou "carta aberta ao patrão")
Subindo pelo elevador social
Carência de torcedor
Relatos de uma pelada
Confira textos mais antigos...