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Galvão
Bueno achou um absurdo o fato da CBF não ter levado a taça do campeonato
brasileiro ao Mineirão no jogo em que o Cruzeiro conquistou o título.
"Isso é uma deselegância da Confederação!", bradava o narrador menos
querido da TV brasileira em plena transmissão da Globo. Uma semana
depois, na rodada decisiva da série C, a taça foi levada para João
Pessoa, onde o Ituano jogava contra o Botafogo local. Entretanto,
o Santo André, que na mesma hora enfrentava o Campinense em Campina
Grande, também tinha chances de ser campeão. E aí, Galvão, será
que o time do ABC paulista também não foi vítima de uma deselegância
das piores? São dois casos diferentes que ilustram mais um problema
na relação entre a fórmula de pontos corridos e o futebol brasileiro.
A nossa
cultura de levantar a taça e dar a volta olímpica após o jogo da
conquista do título tem causado confusão para a CBF e não é de hoje.
Desde 2001, quando aconteceu o primeiro campeonato brasileiro da
série B decido num quadrangular, a Confederação ainda não encontrou
a melhor maneira de atender à necessidade dos torcedores e jogadores
do time campeão sem ser injusta com os outros que, teoricamente,
ainda estão na disputa do título.
Na
Segundona de 2001, o quadrangular decisivo chegou à última rodada
com os quatro clubes empatados em número de pontos. Por isso, a
taça não foi a nenhum dos dois jogos decisivos: Paysandu x Avaí,
em Belém, e Figueirense x Caxias em Florianópolis. A torcida do
Papão teve de festejar o título sem a taça, que só foi recebida
quatro meses depois. Pode ter sido uma festa sem graça, mas foi
o procedimento mais correto naquela situação.
Certa
também foi a atitude da CBF no caso do Cruzeiro este ano. Apesar
de ninguém duvidar que mais cedo ou mais tarde os mineiros seriam
campeões, o título poderia não vir naquela rodada. O Paysandu poderia
ter surpreendido o time de Luxemburgo, o que ainda deixava o Santos
com um fio de esperança. Seriam menos de 10% de chances, mas seria
alguma coisa.
Mas
a casa de Ricardo Teixeira chutou o balde da sensatez na decisão
da série C. O Ituano já tinha garantido o acesso, mas ainda precisava
de um ponto para conquistar o título. Como o jogo era fora de casa,
não era um resultado tão certo. E, além do mais, o Santo André podia
alcançá-lo em número de pontos e superá-lo no saldo de gols se vencesse
o Botafogo, como de fato acabou vencendo. Mesmo com essas possibilidades,
a taça foi levada para a cidade onde o Ituano jogava. Fica então
a pergunta: e se o Santo André tivesse conquistado o título?
Para
acabar com esse impasse diplomático, das duas uma: ou a CBF faz
como fez com o Cruzeiro e só entrega a taça depois da confirmação
do título (o que seria mais sensato) ou corta o mal pela raiz e
acaba com os pontos corridos. Afinal, como disse o Galvão Bueno
na única frase aproveitável da carreira recente dele, final é o
maior barato.

E
não é que o Grêmio vai escapar da Segundona? Apesar de ser vestida
hoje por "craques" do naipe de Cláudio Pitbull e Baloy, aquela camisa
listrada ainda faz um estrago.

E
não é que o São Caetano vai chegar pela terceira vez na Taça Libertadores?
Quem sabe se com o espírito copeiro do Tite eles não se redimem
do vexame na final de 2002.

E
não é que o Atlético Mineiro vai morrer na praia de novo? Por mais
vagas na Libertadores que a CBF estipule, o Galo sempre vai arrumar
um jeito de ficar no "quase".
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