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Beagá, 08 de dezembro de 2003 d.C.
 
A polêmica das taças
Por Caboclo Alaranjado
 

Galvão Bueno achou um absurdo o fato da CBF não ter levado a taça do campeonato brasileiro ao Mineirão no jogo em que o Cruzeiro conquistou o título. "Isso é uma deselegância da Confederação!", bradava o narrador menos querido da TV brasileira em plena transmissão da Globo. Uma semana depois, na rodada decisiva da série C, a taça foi levada para João Pessoa, onde o Ituano jogava contra o Botafogo local. Entretanto, o Santo André, que na mesma hora enfrentava o Campinense em Campina Grande, também tinha chances de ser campeão. E aí, Galvão, será que o time do ABC paulista também não foi vítima de uma deselegância das piores? São dois casos diferentes que ilustram mais um problema na relação entre a fórmula de pontos corridos e o futebol brasileiro.

A nossa cultura de levantar a taça e dar a volta olímpica após o jogo da conquista do título tem causado confusão para a CBF e não é de hoje. Desde 2001, quando aconteceu o primeiro campeonato brasileiro da série B decido num quadrangular, a Confederação ainda não encontrou a melhor maneira de atender à necessidade dos torcedores e jogadores do time campeão sem ser injusta com os outros que, teoricamente, ainda estão na disputa do título.

Na Segundona de 2001, o quadrangular decisivo chegou à última rodada com os quatro clubes empatados em número de pontos. Por isso, a taça não foi a nenhum dos dois jogos decisivos: Paysandu x Avaí, em Belém, e Figueirense x Caxias em Florianópolis. A torcida do Papão teve de festejar o título sem a taça, que só foi recebida quatro meses depois. Pode ter sido uma festa sem graça, mas foi o procedimento mais correto naquela situação.

Certa também foi a atitude da CBF no caso do Cruzeiro este ano. Apesar de ninguém duvidar que mais cedo ou mais tarde os mineiros seriam campeões, o título poderia não vir naquela rodada. O Paysandu poderia ter surpreendido o time de Luxemburgo, o que ainda deixava o Santos com um fio de esperança. Seriam menos de 10% de chances, mas seria alguma coisa.

Mas a casa de Ricardo Teixeira chutou o balde da sensatez na decisão da série C. O Ituano já tinha garantido o acesso, mas ainda precisava de um ponto para conquistar o título. Como o jogo era fora de casa, não era um resultado tão certo. E, além do mais, o Santo André podia alcançá-lo em número de pontos e superá-lo no saldo de gols se vencesse o Botafogo, como de fato acabou vencendo. Mesmo com essas possibilidades, a taça foi levada para a cidade onde o Ituano jogava. Fica então a pergunta: e se o Santo André tivesse conquistado o título?

Para acabar com esse impasse diplomático, das duas uma: ou a CBF faz como fez com o Cruzeiro e só entrega a taça depois da confirmação do título (o que seria mais sensato) ou corta o mal pela raiz e acaba com os pontos corridos. Afinal, como disse o Galvão Bueno na única frase aproveitável da carreira recente dele, final é o maior barato.

E não é que o Grêmio vai escapar da Segundona? Apesar de ser vestida hoje por "craques" do naipe de Cláudio Pitbull e Baloy, aquela camisa listrada ainda faz um estrago.

E não é que o São Caetano vai chegar pela terceira vez na Taça Libertadores? Quem sabe se com o espírito copeiro do Tite eles não se redimem do vexame na final de 2002.

E não é que o Atlético Mineiro vai morrer na praia de novo? Por mais vagas na Libertadores que a CBF estipule, o Galo sempre vai arrumar um jeito de ficar no "quase".

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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