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Beagá, 14 de abril de 2003 d.C.
 
Domingo é dia de Rock e Gol?
Por Caboclo Alaranjado
 

O cardápio de mesas-redondas dominicais tem, desde o início do Brasileirão, uma nova iguaria. A MTV resolveu dar emprego permanente aos ex-Sobrinhos do Athayde Paulo Bonfá e Marco Bianchi, criando o Rockgol de Domingo. Todos os domingos, às dez da noite, Bonfá e Bianchi comentam os resultados do fim de semana com o humor que lhes é peculiar. Ao lado deles, dois convidados: um jogador e um telespectador.

A idéia é até interessante, é uma alternativa à mesmice das outras mesas. Mas existe um grande problema: chega-se a um ponto em que não se sabe se o programa é jornalístico ou humorístico. Deu pra perceber a falta de cuidado com a informação na edição de duas semanas atrás, quando a TV mostrava os gols de Paysandu x Vitória e os apresentadores falavam dos lances como se fosse o jogo Paraná x Atlético Paranaense. A vantagem é que eles não pareceram tão constrangidos como os "comentaristas normais" ao reconhecer a lambança.

Talvez ainda esteja faltando escolher os convidados certos. No programa que assisti, era o Alex, do Cruzeiro, quem estava na mesa. Ele parecia acanhado demais, não entendendo o que tinha ido fazer no meio daqueles dois comediantes. E ainda não entendi os critérios para a escolha do telespectador que vai ao estúdio. É muito arriscado abrir esse espaço para o público, pois corre-se o risco do fanatismo do torcedor na telinha se confundir com uma suposta imparcialidade da emissora.

Está cedo pra fazer uma avaliação definitiva, mas acho que Paulo Bonfá e Marco Bianchi se saem muito melhor transmitindo os jogos dos dublês de pernas-de-pau no MTV Rock e Gol. Em relação ao humor, ainda prefiro as gafes dos comentaristas da Globo. Na TV, piada involuntária sempre tem mais graça!

Está confirmado. Por falta de dinheiro, o campeonato brasileiro da série B não vai mais ser disputado no sistema de pontos corridos como a série A. O regulamento agora prevê turno único, com dois quadrangulares semifinais e um quadrangular final para apontar os dois times que sobem. Alterações também no calendário: antes, eram previstas 46 datas, agora são 35. Por isso, só vai haver agora uma rodada por semana, aos sábados.

Se por um lado essa mudança tira um pouco da força da competição, por outro facilita a vida dos times pequenos. Convenhamos, para um clube que não tem cacife competitivo para agüentar os pontos corridos, é bem mais fácil atingir uma meta como classificar entre os oito primeiros e depois dar uma de franco atirador nos quadrangulares. Já a disposição esticada de datas vai dar tempo para que os times se preparem melhor entre uma partida e outra e evitar aquelas cansativas maratonas de jogos.

Quem não gostou nada do impasse e do atraso no início da Segundona foi o Palmeiras. Nunca o Verdão ficou tanto tempo sem jogar. E pra quem já foi campeão da Libertadores, esperar pela série B é humilhante, degradante, é o fim do mundo. Bem que o tri-rebaixado Fluminense poderia prestar uma consultoria aos palmeirenses pra convencê-los do contrário.

E o Flamengo, hein? Foi só eu criticá-lo na coluna passada que ele resolveu responder no campo. Com todos os méritos, goleou o Fluminense e agora é um dos líderes do campeonato. Pode comemorar, torcida rubro-negra! Desde 1992, quando conquistou o último título nacional, o Mengão não fica nem entre os três primeiros na classificação. Quanto mais na liderança!

O Paysandu já sabe quem vai enfrentar nas oitavas-de-final da Copa Libertadores. É ninguém menos que o Boca Juniors, talvez o mais temido dos times sul-americanos. Há quem comente que os argentinos fizeram corpo mole na última partida para terminar em segundo lugar na chave e pegar o inexperiente time paraense no mata-mata. Nem imagino se isso procede, mas o fato é que a torcida bicolor está eufórica com esse confronto, que promete entrar para a história do futebol local.

Se o Papão realizar a fantasia dos torcedores e eliminar o Boca, seria uma façanha digna de entrar para o hino do clube. Como uma vitória sobre o Peñarol na década de 60. Na época, o time uruguaio era a base da seleção celeste e fazia uma excursão pelo Brasil. Já tinha vencido o Santos, o Botafogo, o Flamengo, o Palmeiras... Mas quando chegou em Belém, levou humilhantes 3x0 do Paysandu. Até hoje, o hino do Papão lembra esse feito: "o nosso time joga pra valer / até o Peñarol veio aqui pra padecer".

Mas antes de pensar em sonhar em ganhar do Boca, o Paysandu precisa tomar cuidado pra não continuar dando vexame no Brasileirão. Tá certo que o Corinthians é um grande time, mas perder de 6x1 não dá...

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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