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Antes
de falar sobre o incontestável título do Cruzeiro, gostaria de dizer
aos meus três leitores que quase fui vítima de uma censura induzida.
Ao saber que eu pretendia escrever sobre o vitorioso time azul,
o editor do ABACAXI ATÔMICO, Cajabis Cannabis, tentou me desfazer
da idéia com aqueles argumentos furados de atleticano. "Vai escrever
sobre o Cruzeiro, é? Então nem precisa mandar texto. Por que você
não escreve sobre a segundona do Pará?", questionou.
Caro
patrão Cajabis, não falo sobre a segundona do Pará em primeiro lugar
porque o campeonato já acabou há quase um mês (maiores detalhes
ainda nesta coluna). E em segundo lugar porque há muito tempo não
há um campeão brasileiro como o Cruzeiro. Nove pontos de vantagem
sobre o segundo lugar, quase vinte a mais que o terceiro, melhor
ataque, craque do campeonato... E isso porque ainda faltam duas
rodadas!
Assim
como o acesso de Palmeiras e Botafogo na série B, o título do Cruzeiro
na primeira divisão era um caso de favas contadas. E isso vem desde
o final do Brasileirão do ano passado, quando o competente time
de Vanderlei Luxemburgo ficou de fora do mata-mata por ter alguns
gols de saldo a menos que o Santos, que acabou levantando a taça.
No ano seguinte, o que já era eficiente foi se mostrando imbatível.
O Cruzeiro conquistou o campeonato mineiro e a Copa do Brasil sem
perder um jogo sequer nas duas competições.
Mas
foi no campeonato brasileiro que o Trem Azul pôde provar que é,
de fato, o melhor time do país. A fórmula de pontos corridos premiou
a regularidade e a qualidade do elenco cruzeirense. E olha que a
conquista nem foi tão fácil quanto os números atuais demonstram.
Primeiro porque o Cruzeiro sobreviveu à saída do goleador Deivid,
que era o segundo melhor jogador do time. E finalmente porque a
equipe teve brios para suportar os tropeços seguidos na metade do
segundo turno que quase levaram à perda da liderança.
No
mais, parabéns ao técnico Luxemburgo, ao destruidor Alex, ao artilheiro
Aristizábal, ao versátil Maldonado, ao competentíssimo Maurinho,
ao surpreendente Edu Dracena e aos demais jogadores. A você, patrão
Cajabis, eu só digo um "sinto muito" e faço votos que o Atlético
tenha melhor sorte no Brasileirão do ano que vem ou naquela competição
caça-níqueis chamada Copa Sul Americana. Aliás, faço também uma
sugestão: por que você não reconhece os méritos do campeão e dá
o braço a torcer para a torcida cruzeirense? Pelo menos eles puderam
VER o próprio time levantar o título brasileiro, e você não...

Para
tentar agradar o patrão e manter meu emprego depois desse verdadeiro
insulto aos sentimentos de um atleticano, só me resta falar sobre
as últimas notícias da segunda divisão do campeonato paraense. A
competição terminou há cerca de três semanas e teve, assim como
o campeonato brasileiro, um campeão incontestável: o Castanhal.
O Japiim da Estrada, como é conhecido, venceu os cinco jogos que
disputou, levantando o caneco com 100% de aproveitamento. O Vila
Rica, time já retratado aqui numa coluna passada, ficou com o vice-campeonato,
quatro pontos atrás do Castanhal. Depois de caírem no ano de 2002,
os dois times voltam à primeira divisão do futebol paraense dispostos
a não repetir a vergonha da temporada anterior.

Vamos
agora de Brasileirão da série C. Até o fechamento desta coluna,
o Santo André liderava o quadrangular final do campeonato com 7
pontos e o Ituano estava em segundo com 6. Seguindo de perto os
dois paulistas vinha o Campinense, com 5 pontos. O Botafogo-PB comia
poeira com 3.
Aos
times do interior de São Paulo bastava uma vitória na quinta rodada
para garantir o acesso à série B de 2004. Confesso que estou torcendo
contra isso, afinal seria chatíssimo ver a Segundona se transformando
numa filial do campeonato paulista.
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