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Beagá, 01 de dezembro de 2003 d.C.
 
O Brasil é azul (ou "carta aberta ao patrão")
Por Caboclo Alaranjado
 

Antes de falar sobre o incontestável título do Cruzeiro, gostaria de dizer aos meus três leitores que quase fui vítima de uma censura induzida. Ao saber que eu pretendia escrever sobre o vitorioso time azul, o editor do ABACAXI ATÔMICO, Cajabis Cannabis, tentou me desfazer da idéia com aqueles argumentos furados de atleticano. "Vai escrever sobre o Cruzeiro, é? Então nem precisa mandar texto. Por que você não escreve sobre a segundona do Pará?", questionou.

Caro patrão Cajabis, não falo sobre a segundona do Pará em primeiro lugar porque o campeonato já acabou há quase um mês (maiores detalhes ainda nesta coluna). E em segundo lugar porque há muito tempo não há um campeão brasileiro como o Cruzeiro. Nove pontos de vantagem sobre o segundo lugar, quase vinte a mais que o terceiro, melhor ataque, craque do campeonato... E isso porque ainda faltam duas rodadas!

Assim como o acesso de Palmeiras e Botafogo na série B, o título do Cruzeiro na primeira divisão era um caso de favas contadas. E isso vem desde o final do Brasileirão do ano passado, quando o competente time de Vanderlei Luxemburgo ficou de fora do mata-mata por ter alguns gols de saldo a menos que o Santos, que acabou levantando a taça. No ano seguinte, o que já era eficiente foi se mostrando imbatível. O Cruzeiro conquistou o campeonato mineiro e a Copa do Brasil sem perder um jogo sequer nas duas competições.

Mas foi no campeonato brasileiro que o Trem Azul pôde provar que é, de fato, o melhor time do país. A fórmula de pontos corridos premiou a regularidade e a qualidade do elenco cruzeirense. E olha que a conquista nem foi tão fácil quanto os números atuais demonstram. Primeiro porque o Cruzeiro sobreviveu à saída do goleador Deivid, que era o segundo melhor jogador do time. E finalmente porque a equipe teve brios para suportar os tropeços seguidos na metade do segundo turno que quase levaram à perda da liderança.

No mais, parabéns ao técnico Luxemburgo, ao destruidor Alex, ao artilheiro Aristizábal, ao versátil Maldonado, ao competentíssimo Maurinho, ao surpreendente Edu Dracena e aos demais jogadores. A você, patrão Cajabis, eu só digo um "sinto muito" e faço votos que o Atlético tenha melhor sorte no Brasileirão do ano que vem ou naquela competição caça-níqueis chamada Copa Sul Americana. Aliás, faço também uma sugestão: por que você não reconhece os méritos do campeão e dá o braço a torcer para a torcida cruzeirense? Pelo menos eles puderam VER o próprio time levantar o título brasileiro, e você não...

Para tentar agradar o patrão e manter meu emprego depois desse verdadeiro insulto aos sentimentos de um atleticano, só me resta falar sobre as últimas notícias da segunda divisão do campeonato paraense. A competição terminou há cerca de três semanas e teve, assim como o campeonato brasileiro, um campeão incontestável: o Castanhal. O Japiim da Estrada, como é conhecido, venceu os cinco jogos que disputou, levantando o caneco com 100% de aproveitamento. O Vila Rica, time já retratado aqui numa coluna passada, ficou com o vice-campeonato, quatro pontos atrás do Castanhal. Depois de caírem no ano de 2002, os dois times voltam à primeira divisão do futebol paraense dispostos a não repetir a vergonha da temporada anterior.

Vamos agora de Brasileirão da série C. Até o fechamento desta coluna, o Santo André liderava o quadrangular final do campeonato com 7 pontos e o Ituano estava em segundo com 6. Seguindo de perto os dois paulistas vinha o Campinense, com 5 pontos. O Botafogo-PB comia poeira com 3.

Aos times do interior de São Paulo bastava uma vitória na quinta rodada para garantir o acesso à série B de 2004. Confesso que estou torcendo contra isso, afinal seria chatíssimo ver a Segundona se transformando numa filial do campeonato paulista.

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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