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Você
sabia que o Palmeiras tem um clube-filial na Bahia chamado Palmeiras
Nordeste? E que as primeiras treinadoras de times de futebol comandaram
o Vasco e o Andirá, ambos do Acre? O que você certamente não sabe
é que o atacante Casagrande, antes de estourar no Corinthians, foi
emprestado à Caldense e quase foi artilheiro do campeonato mineiro.
Deliciosas curiosidades como estas tornam o futebol um esporte fascinante
e são o atrativo das 114 páginas da segunda edição do especial "500
Times do Brasil", da revista Placar.
Mas
a maior diversão de ler o especial é, sem dúvida, descobrir os mais
lazarentos nomes de clubes das regiões mais remotas do país. É impressionante
sacar a criatividade e até mesmo o senso de humor de quem é responsável
por bolar a denominação das equipes.
Para
fazer um panorama geral sobre os nomes mais divertidos, começamos
pela região Norte do Brasil. Lá de Rondônia, vêm duas referências
a idiomas remotos. O latim é a origem do Gênus, que significa
"família". E do hebraico surgiu o Shallon que, se fosse
escrito da maneira correta (Shalom), significaria "paz".
Do Amazonas vem o Fast Clube, que hoje de fast não
tem nada, mas já disputou até amistoso contra o Cosmos de Nova York
em Manaus. De lá, também saiu o Libermorro, cujo nome é uma
justaposição (quase um anagrama) do bairro onde ele está localizado
na capital amazonense, o Morro da Liberdade. Em Roraima, você encontra
o Baré (que aqui em Belém é nome de um refrigerante) e o
Progresso, que não poderia ter um nome mais otimista. No
Pará, há o interplanetário Vênus (o único que tem camisa
vendida em todas as farmácias e lojas de conveniência) e no Tocantins,
além do clássico entre Intercap e Interporto, existe
o Clube dos XXX, provavelmente o clube com o nome mais oligárquico
do país.
Passando
para a região Nordeste, chegamos ao Maranhão, o estado de onde saíram
o rápido Expressinho, o solidário Boa Vontade e o
natureba Açailândia. De lá vem também um dos times preferidos
dos junkies: o Chapadinha, que encontra um co-irmão
(como diria Vicente Matheus) no Piauí: o Picos. O Piauí ainda
tem o motorizado Auto-Esporte e o curioso Cori-Sabbá,
produto da fusão entre o Corinthians local com um time de frentistas
dos postos Sabbá. O Ceará é campeão nordestino em nomes legais.
É da terra de Chico Anysio que vem os "itas" Itapajé e Itapipoca,
o "dotô" Uniclinic, o fantástico Calouros do Ar e
o indígena Uruburetama, conhecido como o "Banana Mecânica".
No Rio Grande do Norte, encontramos o time das meninas vulgares
(o Piranhas) e um representante dos duplos sentidos fálicos
(o Pauferrense). Indo até o fim da região, tem o inacreditável
Decisão e o estranho Ramalat em Pernambuco, os católicos
Bom Jesus e Capela em Alagoas, e os diferentes Dorense,
Lagartense, Maruinense e Propriá em Sergipe.
Na Bahia, o espaço é do internacional Colo-Colo, do inspirado
em novela global Astro e do já tradicional Leônico.
Chegando
ao Centro-Oeste, encontramos mais dois integrantes da seleção
junkie: o Crac (em Goiás) e o Chapadão (no Mato
Grosso do Sul). Em Brasília, os clubes de nomes mais legais já não
existem: o Defelê, o Coenge, o Perdeneiras
e o supercampeão de torneios de empresas, o Serviço Gráfico.
No Mato Grosso, temos o sanduba Mixto e o alegre Sorriso.
E o Mato Grosso do Sul é celeiro de ótimos nomes: o caipira
Ivinhema, o time com nome de fruta disléxica Maracaju,
o otimista Mundo Novo, o noveleiro Pantanal e o
sensacional Moreninhas.
No
Sudeste, o número de clubes é bem maior. Conseqüentemente, o de
aberrações também. Em Minas, há os vizinhos Ituiutaba e
Ituiutabana, o Patrocinense (que, pelo nome, não
deve ter problemas com falta de patrocínio), o esquisito Tombense
e o operário Fabril. São Paulo tem centenas de clubes, mas
a maioria deles faz como os times europeus e usa o nome da cidade
de origem. De engraçados, temos apenas o Jaboticabal, o
Batatais e o Sertãozinho. Do Espírito Santo, saem o
feliz Alegrense e o cadente Estrela do Norte. No
Rio de Janeiro, temos o festivo Arraial do Cabo, o enjoado
Barreira, o literário Casimiro de Abreu e o Rodoviário,
time dos motoristas.
Para
fechar o tour pelo Brasil dos nomes toscos, a região Sul. Do Paraná,
vem o venenoso Cascavel, o duplo sentido Ponta Grossa
e o simpático Dois Vizinhos. Em Santa Catarina, há o quase
gringo Atlético Hermann Aichinger (imaginem um locutor de
rádio narrando um gol desse time), o corporativo Operários Mafrenses
e o "pra cima" Concórdia. No Uruguai, ops!, no Rio Grande
do Sul, há os pequenos Avenida, Carazinhense,
Lami e Social Cristão.
Tendo
em mãos um verdadeiro Atlas dos clubes do Brasil, você ainda pode
fazer um passatempo dos mais divertidos: criar jogos temáticos,
usando os times que tem nomes correlatos. Aqui vai uma pequena amostra.
Boas risadas!
Clássico
planetário: Astro (BA) x Estrela do Norte (ES)
Clássico da construção civil: Operários Mafrenses (SC) x
Olaria (RJ)
Clássico dos personagens históricos: Tiradentes (PA) x Dom
Pedro II (DF)
Clássico das religiões: Bom Jesus (AL) x Shallon (RO)
Clássico da guerra: Batalha (AL) x Decisão (PE)
Clássico da solidariedade: Boa Vontade (MA) x Mundo Novo
(MS)
Clássico dos feriados nacionais: Sete de Setembro (AL) x
15 de Novembro (RS)
Clássico dos répteis: Cascavel (PR) x Lagartense (SE)
Clássico da literatura lusófona: Ateneu (MG) x Casimiro de
Abreu (RJ)
Clássico do relevo: Colinas (TO) x Serra (ES)
Clássico da globalização: Internacional (RS) x Intercontinental
(PE)
Clássico dos planos econômicos: Cruzeiro (MG) x Real (GO)
Clássico lista telefônica: Francisco Beltrão (PR) x Marcílio
Dias (SC)
Clássico "a Itália é aqui": Juventus (AC) x Roma (PR)
Clássico das línguas clássicas: Gênus (RO) x Ceres (RJ)
Clássico do pomar: Jaboticabal (SP) x Limoeiro (CE)
Clássico da realeza: Princesa do Solimões (AM) x Império
Toledo (PR)
Clássico "tirei zero em Geografia": Coritiba (SE) x
Tocantins (MA).
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