q
Página principal de Esporte Esportivo
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 20 de outubro de 2003 d.C.
 
Uma viagem etimológica e futebolística
Por Caboclo Alaranjado
 

Você sabia que o Palmeiras tem um clube-filial na Bahia chamado Palmeiras Nordeste? E que as primeiras treinadoras de times de futebol comandaram o Vasco e o Andirá, ambos do Acre? O que você certamente não sabe é que o atacante Casagrande, antes de estourar no Corinthians, foi emprestado à Caldense e quase foi artilheiro do campeonato mineiro. Deliciosas curiosidades como estas tornam o futebol um esporte fascinante e são o atrativo das 114 páginas da segunda edição do especial "500 Times do Brasil", da revista Placar.

Mas a maior diversão de ler o especial é, sem dúvida, descobrir os mais lazarentos nomes de clubes das regiões mais remotas do país. É impressionante sacar a criatividade e até mesmo o senso de humor de quem é responsável por bolar a denominação das equipes.

Para fazer um panorama geral sobre os nomes mais divertidos, começamos pela região Norte do Brasil. Lá de Rondônia, vêm duas referências a idiomas remotos. O latim é a origem do Gênus, que significa "família". E do hebraico surgiu o Shallon que, se fosse escrito da maneira correta (Shalom), significaria "paz". Do Amazonas vem o Fast Clube, que hoje de fast não tem nada, mas já disputou até amistoso contra o Cosmos de Nova York em Manaus. De lá, também saiu o Libermorro, cujo nome é uma justaposição (quase um anagrama) do bairro onde ele está localizado na capital amazonense, o Morro da Liberdade. Em Roraima, você encontra o Baré (que aqui em Belém é nome de um refrigerante) e o Progresso, que não poderia ter um nome mais otimista. No Pará, há o interplanetário Vênus (o único que tem camisa vendida em todas as farmácias e lojas de conveniência) e no Tocantins, além do clássico entre Intercap e Interporto, existe o Clube dos XXX, provavelmente o clube com o nome mais oligárquico do país.

Passando para a região Nordeste, chegamos ao Maranhão, o estado de onde saíram o rápido Expressinho, o solidário Boa Vontade e o natureba Açailândia. De lá vem também um dos times preferidos dos junkies: o Chapadinha, que encontra um co-irmão (como diria Vicente Matheus) no Piauí: o Picos. O Piauí ainda tem o motorizado Auto-Esporte e o curioso Cori-Sabbá, produto da fusão entre o Corinthians local com um time de frentistas dos postos Sabbá. O Ceará é campeão nordestino em nomes legais. É da terra de Chico Anysio que vem os "itas" Itapajé e Itapipoca, o "dotô" Uniclinic, o fantástico Calouros do Ar e o indígena Uruburetama, conhecido como o "Banana Mecânica". No Rio Grande do Norte, encontramos o time das meninas vulgares (o Piranhas) e um representante dos duplos sentidos fálicos (o Pauferrense). Indo até o fim da região, tem o inacreditável Decisão e o estranho Ramalat em Pernambuco, os católicos Bom Jesus e Capela em Alagoas, e os diferentes Dorense, Lagartense, Maruinense e Propriá em Sergipe. Na Bahia, o espaço é do internacional Colo-Colo, do inspirado em novela global Astro e do já tradicional Leônico.

Chegando ao Centro-Oeste, encontramos mais dois integrantes da seleção junkie: o Crac (em Goiás) e o Chapadão (no Mato Grosso do Sul). Em Brasília, os clubes de nomes mais legais já não existem: o Defelê, o Coenge, o Perdeneiras e o supercampeão de torneios de empresas, o Serviço Gráfico. No Mato Grosso, temos o sanduba Mixto e o alegre Sorriso. E o Mato Grosso do Sul é celeiro de ótimos nomes: o caipira Ivinhema, o time com nome de fruta disléxica Maracaju, o otimista Mundo Novo, o noveleiro Pantanal e o sensacional Moreninhas.

No Sudeste, o número de clubes é bem maior. Conseqüentemente, o de aberrações também. Em Minas, há os vizinhos Ituiutaba e Ituiutabana, o Patrocinense (que, pelo nome, não deve ter problemas com falta de patrocínio), o esquisito Tombense e o operário Fabril. São Paulo tem centenas de clubes, mas a maioria deles faz como os times europeus e usa o nome da cidade de origem. De engraçados, temos apenas o Jaboticabal, o Batatais e o Sertãozinho. Do Espírito Santo, saem o feliz Alegrense e o cadente Estrela do Norte. No Rio de Janeiro, temos o festivo Arraial do Cabo, o enjoado Barreira, o literário Casimiro de Abreu e o Rodoviário, time dos motoristas.

Para fechar o tour pelo Brasil dos nomes toscos, a região Sul. Do Paraná, vem o venenoso Cascavel, o duplo sentido Ponta Grossa e o simpático Dois Vizinhos. Em Santa Catarina, há o quase gringo Atlético Hermann Aichinger (imaginem um locutor de rádio narrando um gol desse time), o corporativo Operários Mafrenses e o "pra cima" Concórdia. No Uruguai, ops!, no Rio Grande do Sul, há os pequenos Avenida, Carazinhense, Lami e Social Cristão.

Tendo em mãos um verdadeiro Atlas dos clubes do Brasil, você ainda pode fazer um passatempo dos mais divertidos: criar jogos temáticos, usando os times que tem nomes correlatos. Aqui vai uma pequena amostra. Boas risadas!

Clássico planetário: Astro (BA) x Estrela do Norte (ES)
Clássico da construção civil: Operários Mafrenses (SC) x Olaria (RJ)
Clássico dos personagens históricos: Tiradentes (PA) x Dom Pedro II (DF)
Clássico das religiões: Bom Jesus (AL) x Shallon (RO)
Clássico da guerra: Batalha (AL) x Decisão (PE)
Clássico da solidariedade: Boa Vontade (MA) x Mundo Novo (MS)
Clássico dos feriados nacionais: Sete de Setembro (AL) x 15 de Novembro (RS)
Clássico dos répteis: Cascavel (PR) x Lagartense (SE)
Clássico da literatura lusófona: Ateneu (MG) x Casimiro de Abreu (RJ)
Clássico do relevo: Colinas (TO) x Serra (ES)
Clássico da globalização: Internacional (RS) x Intercontinental (PE)
Clássico dos planos econômicos: Cruzeiro (MG) x Real (GO)
Clássico lista telefônica: Francisco Beltrão (PR) x Marcílio Dias (SC)
Clássico "a Itália é aqui": Juventus (AC) x Roma (PR)
Clássico das línguas clássicas: Gênus (RO) x Ceres (RJ)
Clássico do pomar: Jaboticabal (SP) x Limoeiro (CE)
Clássico da realeza: Princesa do Solimões (AM) x Império Toledo (PR)
Clássico "tirei zero em Geografia": Coritiba (SE) x Tocantins (MA).

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
Adote um time da série C
O nosso Peter Shilton
Campeonato brasileiro de xadrez
Memórias de turismo futebolístico
Causos do futebol paraense (II)
Confira textos mais antigos...