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Eles
são carentes. Não têm atenção, seus jogadores raramente são procurados
para dar entrevistas e muita gente nem sabe os resultados dos jogos
deles. Eles são pobres. Estão quase sempre na pindaíba, com falta
de uniformes e material de treino ou com salários atrasados. Eles
são subvalorizados. Muitos passaram quatro meses sem disputar uma
competição oficial. Alguns deles estão na rua da amargura. Viveram
dias de glória, levantaram canecos e surpreenderam o Brasil, mas
hoje roem o osso.
É
de dar pena, não? Tudo isso faz parte da realidade das equipes que
disputam a série C do campeonato brasileiro. O torneio já eliminou
mais da metade dos participantes que começaram a disputa. Mas os
56 que sobraram ainda têm muito chão para percorrer antes de dar
adeus ao porão do futebol brasileiro.
O
regulamento do campeonato é injusto, mas é a única maneira de colocar
tantos clubes para disputar um título num espaço de tempo tão curto.
Na primeira fase, os clubes foram divididos em 28 grupos, que incluíam
entre três e cinco equipes próximas geograficamente. Todos fizeram
jogos de ida e volta entre si até passarem os dois melhores para
a segunda fase. Deste momento até o quadrangular final, vai ser
só mata-mata. São cinco rodadas de confrontos eliminatórios até
serem conhecidos os quatro finalistas da Terceirona. Para quem não
tem torcida, até que não há tanto prejuízo. Mas, e os clubes de
massa, como é que ficam? Vale lembrar que os times que chegarem
ao quadrangular terão feito no máximo dez jogos em casa ao final
do campeonato.
É
pensando em todos esses problemas que o ABACAXI ATÔMICO está aderindo
à campanha promovida pelos blogs futebolísticos Planeta Futebol
(www.planetafutebol.blogger.com.br)
e De Primeira (www.deprimeira.blogger.com.br):
"Adote um time da série C". Você não precisa ajudar com dinheiro,
apenas com o seu pensamento positivo e a sua torcida. Os jogadores
do seu clube adotado podem até nem ficar sabendo quem você é, mas
certamente vão sentir a força que vem das suas boas intenções.
Para
que apoiar o Flamengo, se o rubro-negro já tem mais de 24 milhões
de torcedores e vive decepcionando cada um deles? Para que torcer
pelo Corinthians, se o clube vem sentindo em campo o reflexo de
suas cagadas administrativas? Para que incentivar o Vasco e as ações
mal intencionadas de Eurico Miranda? E além do mais, para que torcer
por um time da série A se já está quase certo que o Cruzeiro será
o campeão? Não gaste a sua garganta entoando gritos de guerra pelos
grandes. Faça ao menos uma boa ação neste ano e torça pelos pequenos.

O
meu time na série C já foi escolhido: é a Tuna Luso, aqui de Belém.
A Águia do Souza, como é conhecida, tem uma das mais simpáticas
torcidas de Kombi do Brasil. Aqui no Pará, ela é equivalente a um
Paraná Clube, a uma Portuguesa, a um América Mineiro. Mas o currículo
de conquistas dá uma ponta de inveja nos torcedores do Remo, um
dos clubes considerados grandes em Belém. É que enquanto o Remo
não tem nenhum título nacional, a Tuna tem dois: a Taça de Prata
de 1985 e a série C de 1992.
Mas
o elenco deste ano está longe de encher os olhos. A maioria dos
jogadores é jovem e foi formada na própria Tuna ou em clubes menores
do futebol paraense. Os destaques são o goleiro André Luís (que
chegou a ser cotado para ir para o Paysandu no campeonato brasileiro),
o meio-campo Joacy e o atacante Gil, um típico centroavante peladeiro:
sem técnica, mas com muita força.
Uma
pena é que a Tuna estreou na segunda fase vencendo o Nacional de
Manaus por um magro 1x0. No jogo de volta, vai ser difícil segurar
um empate no Amazonas, tanto pela qualidade do time do Naça quanto
pela vibrante torcida que ele possui.
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