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Beagá, 13 de outubro de 2003 d.C.
 
Adote um time da série C
Por Caboclo Alaranjado
 

Eles são carentes. Não têm atenção, seus jogadores raramente são procurados para dar entrevistas e muita gente nem sabe os resultados dos jogos deles. Eles são pobres. Estão quase sempre na pindaíba, com falta de uniformes e material de treino ou com salários atrasados. Eles são subvalorizados. Muitos passaram quatro meses sem disputar uma competição oficial. Alguns deles estão na rua da amargura. Viveram dias de glória, levantaram canecos e surpreenderam o Brasil, mas hoje roem o osso.

É de dar pena, não? Tudo isso faz parte da realidade das equipes que disputam a série C do campeonato brasileiro. O torneio já eliminou mais da metade dos participantes que começaram a disputa. Mas os 56 que sobraram ainda têm muito chão para percorrer antes de dar adeus ao porão do futebol brasileiro.

O regulamento do campeonato é injusto, mas é a única maneira de colocar tantos clubes para disputar um título num espaço de tempo tão curto. Na primeira fase, os clubes foram divididos em 28 grupos, que incluíam entre três e cinco equipes próximas geograficamente. Todos fizeram jogos de ida e volta entre si até passarem os dois melhores para a segunda fase. Deste momento até o quadrangular final, vai ser só mata-mata. São cinco rodadas de confrontos eliminatórios até serem conhecidos os quatro finalistas da Terceirona. Para quem não tem torcida, até que não há tanto prejuízo. Mas, e os clubes de massa, como é que ficam? Vale lembrar que os times que chegarem ao quadrangular terão feito no máximo dez jogos em casa ao final do campeonato.

É pensando em todos esses problemas que o ABACAXI ATÔMICO está aderindo à campanha promovida pelos blogs futebolísticos Planeta Futebol (www.planetafutebol.blogger.com.br) e De Primeira (www.deprimeira.blogger.com.br): "Adote um time da série C". Você não precisa ajudar com dinheiro, apenas com o seu pensamento positivo e a sua torcida. Os jogadores do seu clube adotado podem até nem ficar sabendo quem você é, mas certamente vão sentir a força que vem das suas boas intenções.

Para que apoiar o Flamengo, se o rubro-negro já tem mais de 24 milhões de torcedores e vive decepcionando cada um deles? Para que torcer pelo Corinthians, se o clube vem sentindo em campo o reflexo de suas cagadas administrativas? Para que incentivar o Vasco e as ações mal intencionadas de Eurico Miranda? E além do mais, para que torcer por um time da série A se já está quase certo que o Cruzeiro será o campeão? Não gaste a sua garganta entoando gritos de guerra pelos grandes. Faça ao menos uma boa ação neste ano e torça pelos pequenos.

O meu time na série C já foi escolhido: é a Tuna Luso, aqui de Belém. A Águia do Souza, como é conhecida, tem uma das mais simpáticas torcidas de Kombi do Brasil. Aqui no Pará, ela é equivalente a um Paraná Clube, a uma Portuguesa, a um América Mineiro. Mas o currículo de conquistas dá uma ponta de inveja nos torcedores do Remo, um dos clubes considerados grandes em Belém. É que enquanto o Remo não tem nenhum título nacional, a Tuna tem dois: a Taça de Prata de 1985 e a série C de 1992.

Mas o elenco deste ano está longe de encher os olhos. A maioria dos jogadores é jovem e foi formada na própria Tuna ou em clubes menores do futebol paraense. Os destaques são o goleiro André Luís (que chegou a ser cotado para ir para o Paysandu no campeonato brasileiro), o meio-campo Joacy e o atacante Gil, um típico centroavante peladeiro: sem técnica, mas com muita força.

Uma pena é que a Tuna estreou na segunda fase vencendo o Nacional de Manaus por um magro 1x0. No jogo de volta, vai ser difícil segurar um empate no Amazonas, tanto pela qualidade do time do Naça quanto pela vibrante torcida que ele possui.

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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