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A
camisa 1 da seleção brasileira está órfã de um de seus maiores heróis.
Taffarel, campeão do mundo em 94 e personagem de tantas outras glórias
do escrete, resolveu abandonar o futebol esta semana. O goleiro
sai de cena aos 37 anos, bem depois dos grandes momentos da carreira,
mas é impossível dizer que ele pendura as chuteiras (e as luvas)
no esquecimento. Até porque vai ser muito difícil esquecer um jogador
como ele.
Em
quase vinte anos, Taffarel colecionou triunfos como poucos goleiros
o fizeram até hoje. Foi titular quase incontestável da seleção brasileira
de 89 a 98, jogou mais de cem partidas com a amarelinha, disputou
três Copas do Mundo... Foi ele também o primeiro goleiro brasileiro
a jogar na Europa. O fato abriu as portas do mercado internacional
para os nossos arqueiros, mas poucos tiveram competência e méritos
para emplacar lá fora. Depois dele, apenas Dida (hoje estrela do
Milan) conseguiu ser bem-sucedido no velho continente. E olha que
os clubes que Taffarel defendeu não chegam nem perto de ser um esquadrão
como o rubro-negro da Itália. Parma, Reggiana, Reggina, Galatasaray...
Só que a tradição desses times é inversamente proporcional ao carinho
que as torcidas têm pelo herói do tetra.
Aqui
no Brasil não é diferente. Se as torcidas do Inter de Porto Alegre
e do Atlético Mineiro escolhessem numa votação o goleiro mais querido
que passou pelo clube em todos os tempos, Taffarel certamente seria
o vencedor nas duas eleições. No Rio Grande do Sul, ele ainda é
tido como um dos mais notáveis jogadores nascidos no estado. Em
Minas, ele é visto como um exemplo de caráter e de profissionalismo.
Mas
aí você pode perguntar: "de que adianta ser querido, ter caráter
e personalidade se o jogador não for bom?". Realmente, Taffarel
não era bom. Ele era ótimo, era o melhor. Imbatível na saída do
gol, impecável na segurança e especialista na loteria dos pênaltis.
E não era frio como o "melhor do mundo" Oliver Kahn. Taffarel jogava
com o coração. Basta lembrar das últimas Copas que ele disputou
(especificamente dos jogos contra a Itália, em 94, e contra a Holanda,
em 98) para ter certeza disso.
Com
um histórico tão recheado de grandes momentos, ainda há quem prefira
lembrar dos atos falhos de Taffarel, como os gols sofridos contra
a Bolívia nas Eliminatórias de 93 e contra o Uruguai na Copa América
de 95. Só que como todo grande homem, o grande goleiro também tem
um quê de Cristo em frase de pára-choque: vive na cruz, mas só ele
salva.
Certamente,
não vão faltar candidatos a promotores de uma despedida festiva
de Taffarel. Seriam necessárias pelo menos dez partidas para fazer
jus à importância dele no futebol nacional. O próprio técnico Carlos
Alberto Parreira já acenou com a possibilidade de convocá-lo para
os próximos dois jogos da seleção pelas Eliminatórias da Copa como
forma de homenagear o goleiro. Aí, quem sabe, a torcida brasileira
não pode bradar pela última vez o genial bordão criado pelo famigerado
Galvão Bueno: "Sai que é suuuuuuua, Taffarel!!!". E dessa vez, para
guarda-lo eternamente.

A
primeira fase da Segundona 2003 termina sem surpresas. Palmeiras
e Botafogo ficaram em primeiro e segundo lugares, os três times
pernambucanos se classificaram e os dois times que subiram da série
C no ano passado cavaram um lugarzinho entre os melhores. Tendo
em mãos o cruzamento das duas chaves, tenho a ousadia de fazer aqui
uns prognósticos...
Grupo B - Palmeiras, Brasiliense, Sport Recife e Santa Cruz.
É o grupo mais forte, sem dúvida. O Palmeiras começou mal o campeonato,
mas se tornou um verdadeiro aniquilador nas últimas rodadas, aplicando
goleadas até fora de casa. Provavelmente, nem vai precisar da mão
amiga da arbitragem ou do favorecimento da CBF para ficar com uma
das duas vagas. Sport Recife e Santa Cruz devem fazer uma briga
digna de rinha pelo segundo lugar. Os dois times são bons e têm
torcida, o que já é meio caminho andado numa segunda divisão. Aposto
um pouco mais de fichas no Santa. O Brasiliense, na minha opinião,
é o café-com-leite do grupo. Tem no elenco um amontoado de jogadores
que passaram por grandes clubes com razoável sucesso. Só que essa
receita de medalhões nunca dá certo...
Grupo C - Botafogo, Remo, Marília e Náutico.
Como nenhum dos times é extraordinário, vai prevalecer aquele que
tiver mais conjunto. É o caso do Remo e do Náutico. O Leão Azul
paraense tem jogadores de segunda, mas um técnico de primeira. Givanildo
Oliveira transformou o Remo em um time de chegada, daqueles que
brigam pela vitória do início ao fim. O alvirrubro pernambucano
tem o melhor elenco e está vivendo uma ótima fase. Conquistou a
classificação que parecia impossível ao vencer as quatro últimas
partidas. Outro ponto a favor do time do artilheiro Kuki: duas dessas
quatro vitórias do Náutico foram sobre companheiros de quadrangular
(Remo e Botafogo) nas casas dos adversários. O Botafogo terminou
em segundo, mas tem um timinho vagabundo que só tem como ponto forte
a tradição do clube e olhe lá. Pelo menos, ainda tem uma grande
torcida, ao contrário do Marília. O time do interior de São Paulo
é o franco atirador do grupo, e provavelmente o candidato mais fraco
às duas vagas. Aposto na classificação do Náutico em primeiro e
do Remo em segundo, numa briga feia com o Botafogo.
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