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Quem
viu os dois primeiros jogos da Seleção brasileira pelas Eliminatórias
da Copa e relevou a atuação bisonha de Brasil x Equador deve ter
chegado à mesma conclusão que eu: temos uma das melhores gerações
de jogadores dos últimos dez anos. Descontadas as posições problemáticas
(a zaga e a lateral-direita), sobram talentos. Temos mais é que
nos orgulhar de se dar ao luxo de deixar Alex, Diego e Kaká no banco.
Nem a Argentina tem tantos jogadores habilidosos!
Mas
a pergunta (e o tema central desta coluna) é essa: se vivemos uma
safra tão fértil, porque o campeonato brasileiro está tão ruim?
Antes de você discordar e jogar um montão de pedras em mim, pare
pra pensar. Quantos times realmente bons há no Brasileirão? 1) Santos.
2) Cruzeiro. 3) São Paulo. E só. A debandada de craques e a incompetência
dos dirigentes na hora de contratar fez com que a maioria dos times
da primeira divisão virassem amontoados de jogadores medianos. Acorde:
o campeonato brasileiro está nivelado por baixo! O equilíbrio no
número de pontos e o famigerado elevador do sobe-e-desce inventado
pela Globo são uma ilusão!
Exercite
mais uma vez a memória e tente se lembrar de uma partida inesquecível
disputada nesta temporada. //// Tô esperando, hein? //// Difícil...
Há muito tempo não se vê jogos decididos pela raça, pelo talento,
pela estrela dos predestinados, por uma atuação brilhante do melhor
jogador do time... Hoje, os grandes responsáveis pelos grandes duelos,
pelas grandes exibições, são os treinadores. Durante toda a semana,
a imprensa esportiva chama mais a atenção para as estratégias dos
técnicos para surpreender taticamente o adversário do que para aquelas
gostosas provocações entre artilheiros, que alimentam a rivalidade
e aquela nostalgia dos bons tempos do futebol. E isso faz com que
até as melhores partidas que conseguimos ver se pareçam com um jogo
de xadrez num tabuleiro verde sem quadradinhos.
Quer
uma prova disso? Tente associar os times a apenas um nome, o primeiro
que vier à sua cabeça. A maioria das associações certamente se dará
com os treinadores. É o Corinthians do Geninho, o São Caetano do
Tite, o Coritiba do Paulo Bonamigo, o Paysandu do Ivo Wortmann...
Mesmo aqueles clubes melhores servidos de jogadores encontram nos
respectivos comandantes um nome mais representativo. É o caso do
Santos de Emerson Leão e do Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo. Meticulosos
e inteligentes como um Kasparov, mas gelados como um Deep Blue.
Dessa
maneira, um bispo ou peão eficiente se torna mais importante do
que aquele jogador que acaba com o jogo sozinho, ou do que aquela
trinca de meio-campistas que promove bailes em campo, ou do que
aquela dupla de ataque que resolve qualquer parada. Em vez de jogadas
de encher os olhos, o nosso campeonato nacional está dominado pela
secura dos xeques. E eu não estou nada satisfeito com isso...

O pior
é que a série B está no mesmo caminho. Nenhum dos times isolados
nas três primeiras posições há várias rodadas (Palmeiras, Botafogo
e Remo) tem um plantel que possa ser considerado de alto nível.
São apenas jogadores de nível semimediano comandados por treinadores
competentes. A minha esperança é que o estrategismo dê lugar ao
pega-pra-capar nos quadrangulares decisivos.
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