q
Página principal de Esporte Esportivo
Adicione o ABACAXI ATÔMICO aos seus Favoritos. Faça do ABACAXI ATÔMICO a sua página inicial. Cadastre-se!
Mande o seu recado!
Beagá, 15 de setembro de 2003 d.C.
 
Campeonato brasileiro de xadrez
Por Caboclo Alaranjado
 

Quem viu os dois primeiros jogos da Seleção brasileira pelas Eliminatórias da Copa e relevou a atuação bisonha de Brasil x Equador deve ter chegado à mesma conclusão que eu: temos uma das melhores gerações de jogadores dos últimos dez anos. Descontadas as posições problemáticas (a zaga e a lateral-direita), sobram talentos. Temos mais é que nos orgulhar de se dar ao luxo de deixar Alex, Diego e Kaká no banco. Nem a Argentina tem tantos jogadores habilidosos!

Mas a pergunta (e o tema central desta coluna) é essa: se vivemos uma safra tão fértil, porque o campeonato brasileiro está tão ruim? Antes de você discordar e jogar um montão de pedras em mim, pare pra pensar. Quantos times realmente bons há no Brasileirão? 1) Santos. 2) Cruzeiro. 3) São Paulo. E só. A debandada de craques e a incompetência dos dirigentes na hora de contratar fez com que a maioria dos times da primeira divisão virassem amontoados de jogadores medianos. Acorde: o campeonato brasileiro está nivelado por baixo! O equilíbrio no número de pontos e o famigerado elevador do sobe-e-desce inventado pela Globo são uma ilusão!

Exercite mais uma vez a memória e tente se lembrar de uma partida inesquecível disputada nesta temporada. //// Tô esperando, hein? //// Difícil... Há muito tempo não se vê jogos decididos pela raça, pelo talento, pela estrela dos predestinados, por uma atuação brilhante do melhor jogador do time... Hoje, os grandes responsáveis pelos grandes duelos, pelas grandes exibições, são os treinadores. Durante toda a semana, a imprensa esportiva chama mais a atenção para as estratégias dos técnicos para surpreender taticamente o adversário do que para aquelas gostosas provocações entre artilheiros, que alimentam a rivalidade e aquela nostalgia dos bons tempos do futebol. E isso faz com que até as melhores partidas que conseguimos ver se pareçam com um jogo de xadrez num tabuleiro verde sem quadradinhos.

Quer uma prova disso? Tente associar os times a apenas um nome, o primeiro que vier à sua cabeça. A maioria das associações certamente se dará com os treinadores. É o Corinthians do Geninho, o São Caetano do Tite, o Coritiba do Paulo Bonamigo, o Paysandu do Ivo Wortmann... Mesmo aqueles clubes melhores servidos de jogadores encontram nos respectivos comandantes um nome mais representativo. É o caso do Santos de Emerson Leão e do Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo. Meticulosos e inteligentes como um Kasparov, mas gelados como um Deep Blue.

Dessa maneira, um bispo ou peão eficiente se torna mais importante do que aquele jogador que acaba com o jogo sozinho, ou do que aquela trinca de meio-campistas que promove bailes em campo, ou do que aquela dupla de ataque que resolve qualquer parada. Em vez de jogadas de encher os olhos, o nosso campeonato nacional está dominado pela secura dos xeques. E eu não estou nada satisfeito com isso...

O pior é que a série B está no mesmo caminho. Nenhum dos times isolados nas três primeiras posições há várias rodadas (Palmeiras, Botafogo e Remo) tem um plantel que possa ser considerado de alto nível. São apenas jogadores de nível semimediano comandados por treinadores competentes. A minha esperança é que o estrategismo dê lugar ao pega-pra-capar nos quadrangulares decisivos.

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

©Todos os direitos reservados
Melhor visualizado com Internet Explorer em 800X600

 
ÚLTIMAS MATÉRIAS
Memórias de turismo futebolístico
Causos do futebol paraense (II)
Causos do futebol paraense (I)
Evasão rumo aos euros
A comédia de Silverstone
Confira textos mais antigos...