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O patrão
Cajabis Cannabis esqueceu de postar isso aqui na semana passada,
mas estou de férias. Saí da minha casa na selva amazônica, peguei
o meu bote, meu arco e flecha, desafiei os jacarés no meio do caminho
e saí remando rumo a lugares diferentes, para aproveitar um pouco
os quase quarenta dias livre do trabalho - e da chatice da minha
chefe.
E uma
das coisas que mais gosto de fazer quando viajo assim é conhecer
os estádios de futebol de cada cidade. Pelo menos um, para voltar
cheio de histórias pra contar. E quando consigo visitá-los, dou
uma de turistão-farofa: levo máquina fotográfica e tiro aquelas
fotos com o mínimo de naturalidade e o máximo de breguice. E faço
isso mesmo quando não tem jogo e o estádio está vazio.
Meu
currículo de estádios não é lá muito vasto. O primeiro que visitei
fora de Belém foi o Mané Garrincha, em Brasília, para assistir a
um jogo entre Flamengo e Nacional do Uruguai, pela Copa Mercosul
de 2001. O estádio até que é bem simpático, mas é esquisitão: ele
fica literalmente enterrado, alguns metros abaixo do nível do chão
na área ao redor. Por isso, quem vê de fora não enxerga o campo,
mas só a modernosa arquibancada. E como ela não circunda toda a
área do gramado, fica parecendo estadiozinho de cidade do interior.
Em
2002, estive no Pacaembu para assistir à decisão da Taça Libertadores
entre São Caetano e Olímpia do Paraguai. Naquele dia, boa parte
de São Paulo estava em festa, já que o Azulão era o time queridinho
do Brasil e só precisava de um empate pra conquistar o título. Então
a torcida paulistana fez a maior festa desde as ruas ao redor do
Pacaembu até as arquibancadas. Foi bonito à beça. Pena que o time
do ABC decepcionou. Depois de fazer 1 a 0, o São Caetano afrouxou
e deixou o Olímpia virar o jogo no tempo normal. Decisão por pênaltis.
Foi nessa hora que saiu uma das frases mais engraçadas que já ouvi
num estádio. Um espirituoso torcedor tentava passar força ao goleiro
do Azulão:
"Vai,
Silvio Luiz! Todo Silvio Luiz tem seu dia de Luciano do Valle!"
Não
preciso lembrar que isso não deu certo, não é verdade?
No
final do ano passado, fiz uma viagem relâmpago ao Rio de Janeiro.
Não é muito difícil abstrair qual lugar eu quis visitar logo, certo?
Maracanã, o ainda celebrado maior estádio do mundo. Mas o meu dia
livre para ir ao Coliseu Brasileiro era um sábado à tarde, horário
que não tinha visitas programadas. Nem uma tentativa de lábia com
o carinha do portão deu certo. Fiquei do lado de fora, sem nem poder
ver o sagrado tapete verde. Mesmo assim, não me fiz de rogado: tirei
fotos na frente do letreiro e na estátua do Bellini e matei um pouco
da vontade.
Nas
férias deste mês, conheci os estádios dos três grandes clubes de
Curitiba. A Vila Capanema, do Paraná Clube, é bem simplezinha. Pouca
capacidade (menos de 10 mil lugares) e muita tradição. Os curitibanos
enchem a boca pra dizer que a acanhada praça esportiva recebeu um
jogo de Copa do Mundo: Espanha x Estados Unidos, no Mundial de 1950.
No Couto Pereira, assisti a Coritiba x Juventude, uma pelada digna
de série B. Mas valeu pela diversão de conhecer a torcida que freqüenta
o chamado "fosso" do estádio. Este é o lugar freqüentado pela galera
mais fanática - e talvez mais engraçada também. Se o jogo está ruim,
como foi o caso de Coxa x Juve, não tem problema. Trata-se de arrumar
outra forma de entretenimento. Nesse dia, uma moçada que estava
comigo (incluindo aí meu confrade Obdulio Rimet) resolveu procurar
sósias de famosos pelo "fosso". E lá vimos Cazuza, He-Man, Arnaldo
Jabor e Odair José, provavelmente o mais engraçado de todos. Fui
também à tão festejada Arena da Baixada, o dito mais moderno estádio
do país. Fiquei impressionado com a arquitetura e a funcionalidade
das instalações, mas juro que esperava um pouco mais. Talvez porque
não fosse dia de jogo, talvez porque estivessem faltando as belas
torcedoras do Atlético... Não sei. Talvez seja uma questão de bairrismo,
mas mesmo depois dessas andanças, ainda não vi estádio no Brasil
para superar o Mangueirão, da minha querida (e neste momento saudosa)
Belém do Pará.
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