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O campeão
brasileiro de 2003 vai ser conhecido após uma verdadeira gestação:
quase nove meses de jogos, com todos os clubes se enfrentando em
turno e returno. E pela primeira vez pode-se afirmar com certeza
que o melhor vai vencer, já que o formato de pontos corridos não
permite injustiças.
Acredito
que a grande vantagem desse sistema de disputa no nosso país é a
grande quantidade de candidatos ao título. Enquanto em alguns campeonatos,
como o português e o espanhol, a briga é polarizada entre no máximo
três equipes, o Brasileirão sempre tem pelo menos dez times com
potencial para chegar em primeiro. Isso sem contar com as zebras
ocasionais...
Se
por um lado o campeonato tem boas chances de ter emoção até a última
rodada, também vai ser um teste para o torcedor brasileiro. Ele,
que tem a má fama de imediatista, de não apreciar nada a longo prazo
e de ser exterminador de treinadores, vai ter a paciência e os nervos
à prova. Por exemplo, num torneio de turno único, uma seqüência
de três derrotas significa derrocada à vista, certo? Mas numa competição
de turno e returno, é um revés altamente recuperável.
Teste
para o torcedor e para os cartolas, também. As diretorias que costumam,
ao longo da temporada, demitir e contratar jogadores com a velocidade
de uma McLaren vão ter de planejar melhor a formação dos elencos.
Quem fez má campanha nos estaduais, na Copa do Brasil ou na Libertadores
é quem sai perdendo, afinal não houve tempo para aquelas contratações
em cima da hora e muito menos para uma pré-temporada. Desvantagem
também para quem trocou de técnico agora e tem que recomeçar todo
o trabalho de preparação e entrosamento.
Pelo
que se viu nos jogos deste início de ano, os times paulistas são
favoritos incontestáveis. Santos, Corinthians e São Paulo têm os
melhores times do Brasil, tanto no talento individual quanto na
aplicação tática. Os cariocas, coitadinhos, estão a anos-luz...
O Fluminense, que encontrou em Renato Gaúcho um grande estrategista
e líder, é quem mais parece estar em condições de brigar pelo caneco.
Fora desse eixo, os candidatos são o Cruzeiro (um time renovado
e fortalecido, que o técnico Luxemburgo tem na mão) e o Grêmio (favorito
de sempre, com a mesma base do ano passado).
Os
aspirantes a azarão apostam nos gols de seus respectivos matadores.
O Criciúma, campeão da série B do ano passado, tem Delmer e Dejair.
A torcida do Fortaleza, que também volta à Primeirona este ano,
já fez até música para um atacante baixinho, feioso e decisivo.
É Clodoaldo, que deve ter feito um contrato de publicidade com a
Rede Globo, tamanho é o oba-oba feito pela emissora em torno dele.
Aqui de Belém, o Paysandu apresenta Róbson, oportunamente chamado
de Robgol. O centroavante paraibano, artilheiro do campeonato paraense
e da Taça Libertadores, tem uma média invejável de 1,2 gols por
partida nesta temporada.
Mas
tudo ainda é incerteza. Nessas 46 rodadas, os favoritos podem virar
fiascos, os azarões podem se tornar decepções e os times com menos
expectativas podem terminar entre os primeiros. É essa imprevisibilidade
que dá graça ao campeonato brasileiro, que tem tudo pra ser o melhor
da história. Façam suas apostas!

Mudando
um pouco de assunto, como meu editor deu carta branca para falar
de qualquer esporte na coluna, achei interessante escrever sobre
a Fórmula 1. A temporada já começou há mais de um mês, mas teve
no último fim de semana o tão esperado Grande Prêmio do Brasil.
E, só pra manter uma escrita de nove temporadas consecutivas, Rubens
Barrichello não conseguiu nem terminar a prova.
Ao
contrário das corridas anteriores em Interlagos, Rubinho contava
com todos os elementos necessários para vencer. Vamos conferir?
Antes: quando ele era da Jordan ou da Stewart, dizia que o motor
não era bom o suficiente. 2003: guia simplesmente uma Ferrari. Antes:
não conseguia uma posição muito boa no grid. 2003: larga na pole
position. Antes: reclamava da preferência da equipe italiana ao
companheiro Michael Schumacher. Hoje: o alemão não conseguiu mais
que o sétimo lugar na largada. Antes: "se chovesse, eu não perderia...".
Hoje: choveu nos dias de treino oficial e no domingo do GP.
A decepção
já começou na largada. Aparentando estar com o carro mais pesado
ou com uma estratégia para pista seca, Barrichello foi perdendo
posições. Só conseguiu recuperar quando parte da pista secou. O
brasileiro chegou a travar um duelo com David Coulthard pela primeira
posição, que acabou numa bela ultrapassagem. Mas a alegria dos torcedores
em Interlagos durou duas voltas. Rubinho saiu da prova pelo mais
idiota dos motivos que poderia fazê-lo sair: falta de gasolina.
O cara tem toda a tecnologia de ponta à disposição e esquece da
hora de colocar combustível... Tsc, tsc, tsc… Mesmo se o dispositivo
que regula o nível de gasosa no tanque do carro quebrou, a equipe
teria como saber que a hora do pit stop estava chegando. Tá pensando
o quê? Até a Ferrari tem gente despreparada!
Mas
o abandono de Barrichello não foi a única atração do GP. A corrida,
por causa da chuva, das lambanças e dos acidentes, acabou se tornando
inesquecível. Um mesmo trecho da pista foi responsável pela derrapagem
e pelo abandono de quase dez pilotos, entre eles o todo-poderoso
Michael Schumacher. Depois, foi o australiano Mark Webber quem bateu
em um outro local e deixou terra e destroços de carro no asfalto.
O pobre coitado Fernando Alonso, que passou por lá pouco depois,
não conseguiu desviar e acabou sofrendo um grave acidente. A direção
da prova acabou tendo de dar bandeira vermelha. A equipe Jordan
comemorava a vitória, já que Giancarlo Fisichella tinha ultrapassado
o líder Kimi Raikonnen. Fisichella ganhou mas não levou, já que,
pelas regras, após a bandeira vermelha valem os resultados da antepenúltima
volta. O pódio acabou ficando só com os dois, já que o acidentado
Alonso deve ter comemorado o terceiro lugar num hospital próximo
de Interlagos.
Esta
foi só a terceira corrida do ano, mas a Fórmula 1 parece ter recuperado
a graça. Pilotos diferentes estão emplacando nas primeiras filas
do grid, chegando ao pódio e pontuando. Depois do GP Brasil, apenas
seis dos vinte pilotos da categoria ainda não marcaram pontos. E
o melhor de tudo: Michael Schumacher, que ainda não chegou nenhuma
vez entre os três primeiros, está num modesto oitavo lugar. Obrigado,
novas regras!

E voltando
ao futebol... Um dado curioso das duas primeiras rodadas do campeonato
brasileiro: nenhum time conseguiu vencer duas vezes e nem perder
duas vezes neste início de competição. Todos os times estão com
pelo menos um ponto na tabela. Sinal do equilíbrio que deve durar
oito meses.

A piada
da vez: com o formato de pontos corridos no Brasileirão, a única
certeza é que dessa vez o Atlético Mineiro não vai morrer nas semifinais.

Pela
quantidade de jogos previstos para este ano, um recorde certamente
vai ser batido: o de gols marcados pelo artilheiro do campeonato
brasileiro. O recordista, até agora, é Edmundo, que marcou 29 gols
pelo Vasco na temporada 1997. Para superar essa marca, os atacantes
têm que manter uma média de 0,63 gols por partida até o fim do campeonato,
considerando que os fulanos joguem em todas as 46 rodadas. Como
as médias dos artilheiros dos últimos três certames oscilaram entre
0,71 e 1,03 gol por jogo, não é um trabalho muito difícil.

Falando
em gols, recordes e artilheiros, Romário tem um bom motivo para
voltar do Qatar e disputar o Brasileirão. Ele é o sexto maior goleador
da história do campeonato brasileiro, com 111 gols e, se realmente
voltar e mantiver a boa média dos últimos anos, pode subir até quatro
degraus neste ranking. Bastam 34 gols para que o baixinho ultrapasse
Dario, Serginho Chulapa, Túlio e Zico e fique no segundo lugar,
atrás apenas de Roberto Dinamite, que tem inalcançáveis 190 gols.
E aí peixe, topa o desafio?

Se
a série A já começa a todo vapor, a Segundona teve o seu início
adiado para 18 de abril. Tudo por causa de grana. A associação de
clubes que disputa a série B argumenta que sem 3,5 milhões de reais
na mão, não há como começar o campeonato. A quantia, que viria das
cotas de televisão, ainda está presa na discussão entre Globo e
SBT. A emissora do plim-plim ofereceu 10 milhões, contra 9,6 milhões
de Silvio Santos. Os recém-rebaixados Palmeiras, Botafogo e Portuguesa
acham pouco e pedem mais. Para sair dessa pindaíba e dar logo o
pontapé inicial na competição, já houve quem sugerisse a mudança
da fórmula de disputa para turno único.

Quarta-feira
vai ser dia de tentativa de forra aqui em Belém. O Santos volta
à cidade para repetir o duelo campal contra o Paysandu. Pra quem
não lembra, no jogo do ano passado entre Papão e Peixe os comandados
de Emerson Leão reclamaram tanto de impedimento em um gol (legítimo)
do adversário que o volante Preto acabou apanhando de um policial
militar. O sempre irritadinho Leão levou um jato de spray de pimenta
nos olhos e até registrou ocorrência numa delegacia. Com certeza,
eles vão querer revanche. E se essa sede de vingança ficar só dentro
de campo, o jogo promete, já que os dois times estão fazendo excelente
campanha na Libertadores.

É impressionante
ver como o Flamengo de hoje só joga com a tradição da camisa. A
partida contra o Ceará, valendo uma vaga nas oitavas-de-final da
Copa do Brasil, não merece um adjetivo mais cruel do que sofrível.
Os cariocas conseguiram marcar um magro 1x0 no tempo normal e foram
decidir nos pênaltis. Começaram contando com o azar dos jogadores
do Ceará, que desperdiçaram as duas primeiras cobranças, mas gelaram
quando também perderam dois pênaltis. Levaram a melhor no final,
mas sem brilho algum.
E no
fim de semana, apesar da vitória sobre o Bahia em Salvador, um lance
digno de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Por favor, me expliquem:
o que foi aquela lambança do goleiro Júlio César com o zagueiro?
Nem Dida e Aldair fariam melhor!
O que
me dá alegria nisso tudo é que o adversário do Flamengo na próxima
fase da Copa do Brasil é o meu querido Clube do Remo!
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