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Às
vezes as pessoas subestimam meu poder de vidência, mas há um fato
que eu posso provar que previ um mês e meio antes de acontecer.
Leiam a minha coluna de 09/06: "Aí
imagine a seguinte situação... Na virada de temporada dos campeonatos
europeus (de junho a agosto), os times de lá fazem propostas irrecusáveis
pelos craques de Corinthians, Cruzeiro, São Paulo, Santos e etc.
Alguns deles (provavelmente a maioria) têm passe livre e podem muito
bem atravessar o Atlântico atraídos por euros.".
Pois
bem. Só nas últimas duas semanas, pelo menos três clubes perderam
seus principais jogadores para o futebol estrangeiro. O Bordeaux,
da França, levou o cruzeirense Deivid. O Vitória perdeu o atacante
Nádson para o Samsung, da Coréia do Sul. E o Paysandu vai ficar
o resto do campeonato sem o artilheiro Róbson, que trocou Belém
pelo Japão. Isso sem falar em alguns cabeças-de-bagre que foram
parar em clubes da Bulgária, da Grécia e da Turquia. Parece estranho
o fato de tantas transferências acontecerem praticamente ao mesmo
tempo, mas existem duas explicações bem fáceis. 1) os clubes do
exterior têm muito mais dinheiro que os brasileiros. 2) em todos
os países onde são disputados campeonatos por pontos corridos, há
dois intervalos na temporada: entre o primeiro e o segundo turno
e entre dois campeonatos diferentes.
Se
a primeira razão é impossível de se consertar, a segunda é muito
mais simples. Do jeito que o Brasileirão está hoje, o risco de um
time ser literalmente desmontado no meio da temporada é muito grande.
Pra piorar, as regras de contratações e inscrições são bem rígidas:
um jogador que fez mais de três partidas por um clube não pode se
transferir para outro da mesma divisão. Uma hipótese: já pensou
se, da mesma forma que o Bordeaux levou Deivid, os times da Europa
levam Aristizábal, Alex, Mota e todos os outros craques do Cruzeiro
no meio do campeonato brasileiro? Para tentar manter um elenco competitivo,
o clube mineiro teria que recorrer a jogadores da série B. E esse
sistema é ruim também para os jogadores. O Paysandu, por exemplo,
mandou cinco jogadores embora após a sexta rodada. Entre eles, o
goleiro Marcão, os zagueiros Gino e Sérgio, ídolos do time na conquista
da Copa dos Campeões. Todos estão impedidos até o fim do ano de
jogar em clubes da primeira divisão. Tá certo que eles não resolveriam
os possíveis problemas de um Cruzeiro, por exemplo. Mas seriam boas
peças num time mal das pernas, como os cariocas.
Então
eu escrevo aqui o que sempre falo: se for para imitar o sistema
europeu de disputa, que se imite direito. Um intervalo entre turno
e returno, com a possibilidade de transferência de jogadores entre
clubes da mesma divisão, é fundamental. Se os times brasileiros
não têm o mesmo poder aquisitivo dos europeus, essa é a melhor saída
para que se diminua o risco de esvaziamento dos bons elencos.

E o
Brasil perdeu a Copa Ouro para o México... Eu não levaria o resultado
dessa competição tão a sério se não fosse uma frase do Diego nesses
dias de disputa:
- Acabou
o laboratório. O negócio agora é sério.
Bom,
se mesmo depois do fim das experiências, perdemos duas vezes para
o México e passamos sufoco contra Honduras e Estados Unidos, estamos
perdidos no Pré-Olímpico... O mais triste disso tudo é que a geração
de jogadores da seleção sub-23 é excelente: Diego, Kaká, Robinho,
Júlio Baptista, Carlos Alberto, Paulo Almeida... Nomes que, se já
não estão, certamente estarão no time principal em breve.
Acho
que o problema é o técnico Ricardo Gomes, que é fraco demais. É
estranho você confiar um cargo tão importante para um profissional
que tem pouca experiência, que trabalhou apenas em clubes medianos.
Mas já estamos às vésperas do Pré-Olímpico e a um ano das Olimpíadas
de Atenas, e uma mudança de comandante neste momento pode tumultuar
a preparação da equipe.
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