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Valeu
a pena abrir mão de umas horinhas a mais de descanso neste domingo
para ver o GP da Inglaterra de Fórmula 1. Não apenas pela grande
vitória de Rubens Barrichello, mas principalmente pelo acontecimento
mais inusitado já visto numa corrida em muito tempo. A cena do fanático
religioso de kilt entrando na pista de Silverstone e atravessando
o asfalto enquanto os carros passavam a toda velocidade vai entrar
na galeria de imagens inesquecíveis deste início de século.
A corrida
já estava bem interessante antes daquilo tudo acontecer: uma boa
largada (marcada pela bela saída de Jarno Trulli) e uma entrada
do safety car logo nas primeiras voltas (o que atrapalhou a vida
de muitos pilotos) garantiam o equilíbrio da prova. Mas aquela invasão,
que mais parecia um apelo por qualquer coisa, foi demais. Primeiro,
o fato foi divertido por si só. Segundo, foi um barato ouvir um
Galvão Bueno desesperado gritando "ele está querendo morrer!". E
terceiro, deu para perceber o quanto uma ocorrência pitoresca pode
embananar a história de um GP.
Assim
que o maluco foi visto na pista, a direção de prova decretou a segunda
entrada do safety car. E coincidiu de ser justamente no início da
primeira rodada de pit stops. Então, antes mesmo do carrinho prateado
entrar em cena, houve uma verdadeira carreata rumo aos boxes. Quatorze
dos vinte carros foram trocar pneus e colocar combustível ao mesmo
tempo. Isso gerou um outro acontecimento bem inusitado em se tratando
da Fórmula 1 contemporânea. Enquanto Rubens Barrichello (que liderava
a corrida até então) fazia a sua parada, o sempre cheio de privilégios
Michael Schumacher aguardava os mecânicos da Ferrari terminarem
os trabalhos no carro do brasileiro para ser atendido. Mas imaginem
só o caos... Dezenas de carros passando pelo box da escuderia italiana
e o Schumão esperando a equipe terminar de acertar o carro do Rubinho.
Um momento único na história dessa dupla.
Alguns
dos pilotos se livraram dessa bagunça porque tinham feito pit stops
na entrada do primeiro safety car. Acabaram ganhando de lambuja
os primeiros lugares durante um bom número de voltas. Mas ninguém
foi mais sortudo que o brasileiro Cristiano da Matta, que ficou
na liderança durante um bom tempo e só não foi além do sétimo lugar
porque tem um carro muito ruim. Da Matta deveria agradecer eternamente
ao maluco do kilt (Parêntese: será que não era um escocês torcedor
do David Coulthard?).
A temporada
2003 está equilibrada, mas vinha sendo caracterizada por corridas
mornas. Por isso, o GP da Inglaterra devolve um pouco de diversão
à Fórmula 1, num nível só superado este ano pela corrida de Interlagos.
Na próxima prova, em Hockenheim, bem que poderia aparecer um cara
com uma gaita de fole ou uma modelo pelada arriscando a vida no
meio dos bólidos voadores. Nossas manhãs de domingo precisam de
coisas assim.

Apesar
da preocupação do estatuto do torcedor com os problemas de arbitragem,
há uma coisa que vem me chamando a atenção de maneira negativa em
relação a isso no campeonato brasileiro da série B. Os juízes escalados
para as partidas sempre são de estados próximos ao local desses
jogos. Por exemplo: numa partida em Belém, quem apita é um árbitro
do Maranhão. Num jogo em Goiânia, o juiz é de Brasília e por aí
vai. Isso por si só já é um pouco desconfiante. Mas o pior de tudo
é que um dos componentes do trio de arbitragem SEMPRE é da federação
do estado onde está sendo disputada a partida.
Entendo
que a razão disso seja a diminuição dos custos de transporte dos
homens do apito, mas a CBF poderia dar menos pano para manga. Afinal,
um bandeirinha tendencioso pode mudar a história de um jogo.
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