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Antes
da bola começar a rolar, o campeonato brasileiro da segunda divisão
estava cercado de expectativas. A competição ganharia um aditivo
com a presença de vários clubes considerados "grandes". O orgulho
ferido do Palmeiras, do Botafogo e da Portuguesa, aliado à insistência
daqueles times que há séculos morrem na praia e não conseguem acesso
à Primeirona (Remo, Londrina, Ceará, CRB...) resultaria num campeonato
inesquecível.
Passadas
doze rodadas, a Segundona realmente é a disputa mais apertada do
futebol nacional este ano. Nesta primeira metade de competição,
aconteceu de tudo: cinco clubes já lideraram a tabela de classificação,
times que começaram lá em cima despencaram, times que começaram
lá em baixo ascenderam... Isso sem falar no emocionante sobe-e-desce
no chamado G-8, o grupo dos oito melhores da série B que se classificam
para a segunda fase do torneio. Por causa da pequena diferença de
pontuação entre os participantes, um time pode perder até oito posições
em caso de derrota. Um empate em casa, então, é resultado que pode
até derrubar treinador, tamanha a importância de uma vitória de
um clube nos próprios domínios.
Mas
nem tudo é um mar de rosas. Nessas doze jornadas, ainda não surgiu
um time que se possa considerar favorito absoluto, aquela equipe
com cheiro de campeã. Muito menos se viu um esquadrão daqueles de
encher os olhos, como um Cruzeiro da divisão de acesso. Pelo contrário,
nem aqueles clubes que encabeçam a tabela estão dando espetáculo.
Muito menos o Verdão, o Fogão, a Lusinha ou os sempre enjoados times
pernambucanos.
O Botafogo
carioca é o atual primeiro lugar, mas tem um escrete que faz Nilton
Santos se encher de desgosto e Garrincha se contorcer no túmulo
(e não é pra driblar as minhocas). A bomba de Levir Culpi demorou
a engrenar neste Brasileirão, e não foi por azar: o time tem uma
meiúca nada criativa e um ataque tão inoperante que praticamente
só marca gols quando a defesa do adversário é ruim. Mas a máxima
do futebol hoje é "o que vale são os três pontos". A equipe está
fazendo sua parte, mas se o Fogão subir para a primeira divisão
e continuar dessa maneira, sobe com a passagem de volta agendada
para 2005.
A campanha
do Palmeiras, que hoje é o vice-líder, também só se estabilizou
agora. Depois de inúmeros empates estúpidos que deixaram a torcida
com pesadelos de Fluminense, o Verdão recuperou a confiança e ganhou
alguns jogos fora de casa. Mas também tem um time meia-boca, que
não chega a um milésimo do "ataque dos cem gols" de 96, ou do "esquadrão
da Parmalat" de 93 e 94. Atualmente, a torcida palmeirense se diverte
mais em tentar adivinhar o nome dos jogadores que estão em campo
com a camisa alviverde. Bons tempos em que ainda se tinha o Galeano
e o Magrão para tirar uma bronca... Pelo menos, os torcedores sabiam
a quem xingar! Para sentir o drama, a esperança do Palmeiras hoje
é um artilheiro que atende por um nome que mais parece o de um go-go
boy: Vágner Love.
Do
Recife, que prometia emplacar campeão e vice da Segundona em 2003,
também pouco se viu. O Náutico é o mais estável dos três clubes
pernambucanos e é o único que está entre os oito primeiros. Mas
perdeu três preciosos pontos no STJD, que podem fazer uma baita
diferença na reta final. Sport e Santa Cruz começaram arrasadores,
mas entraram numa descida vertiginosa. Perderam jogos em casa, foram
goleados e não demonstram tanta força como esbanjavam.
Nem
os outros integrantes cativos do G-8 parecem ser apostas seguras
rumo ao acesso. Ao Marília, do interior de São Paulo, falta um goleador
e mais regularidade nas partidas em casa. Ao Remo, aqui de Belém,
falta a sorte de entrar em campo com o time completo, já que os
jogadores vivem suspensos por cartões amarelos ou expulsões.
Trocando
em miúdos, o equilíbrio da série B é conseqüência de um campeonato
que está nivelado por baixo. Sem equipes brilhantes, sem craques,
sem grandes jogos... Fazendo uma metáfora de qualidade questionável,
a Segundona hoje é um purgatório. O que motiva as 24 almas penadas
que participam deste campeonato é o desejo de subir para o céu da
primeira divisão e o desespero para não descer ao inferno da Terceirona.
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