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Para
a tristeza das tietes de Diego e para a alegria dos desafetos de
Emerson Leão, o Santos perdeu a Libertadores dentro de casa. Mas
qualquer pessoa com o mínimo de bom senso futebolístico sabia que
a fatura já estava liquidada logo após a primeira partida, em Buenos
Aires. Não adiantava toda aquela conversa xarope de "no Brasil somos
os favoritos" e "a virada é totalmente possível" e etc. O time do
Boca era infinitamente melhor e ponto final.
E não
faltaram razões para que essa derrota fosse absorvida pela opinião
pública como extremamente dolorosa. Tudo graças à imprensa esportiva
nacional (sempre ela). Engraçada foi a forma como a mídia construiu
o ambiente para o tricampeonato do Santos, até então mais certo
do que a virgindade da Sandy. Buscou referências à decisão de quarenta
anos atrás, lembrou que Mengálvio em 63, assim como Elano em 2003,
estava machucado, comparou Robinho a Pelé... Todo esse lengalenga,
somado à babação que acompanha o time do Santos desde as finais
do campeonato brasileiro do ano passado, tornou a "corrente pra
frente" em torno do Peixe uma coisa meio difícil de se fazer.
Para
o ABACAXI ATÔMICO, o senso comum é pior do que um disco do Jota
Quest no repeat. Por isso, ninguém aqui vai ficar lamentando e choramingando
porque os Meninos da Vila perderam para o Boca. O Santos de Leão
é o melhor time do Brasil dos últimos anos? Diego e Robinho, além
de serem lindos, são as maiores revelações do futebol nacional na
última década? Então eles vão ficar morrendo de inveja de alguns
pernas-de-pau, cabeças-de-bagre e feiosos que chegaram à final da
Libertadores e levantaram o caneco mais importante do futebol sul-americano
nos últimos onze anos.
Vamos
começar lembrando do fantástico São Paulo de Telê Santana, campeão
da Libertadores de 1992 e 1993. O time era realmente impecável,
tinha verdadeiros craques e o melhor: era perfeitamente conduzido
pela mão e pelo cérebro do treinador. Mas para cada Raí e para cada
Cafu, tinha pelo menos um Pintado e um Ronaldo Luís. Vejam só: o
bronco volante Pintado, que ninguém nem sabe mais por onde anda,
tem um título de Libertadores. O talentosíssimo Paulo Almeida, que
agora é volante da seleção olímpica, não.
O Grêmio
de 1995 era um espelho do próprio técnico. Felipão comandava (muito
bem, por sinal) um monte de jogadores medianos que acabaram tendo
como principais armas a força, o conjunto e o entrosamento. O atacante
Jardel, que sempre foi ofuscado nos tempos do Vasco, virou artilheiro
e cabeceador nato. Pra alguma coisa ele tinha que saber usar a cabeça,
né? Mas jogando em função dele, havia vários pernas-de-pau: o zagueiro-avenida
Scheidt, o volante nota 5 Luís Carlos Goiano e o bichado meio-campo
Carlos Miguel. Todos podem bater no peito e dizer: fui campeão da
Libertadores. Alex, Renato, Elano e os outros craques da nova geração,
ficaram apenas no quase.
A lista
de Forrest Gumps engorda um bocado se lembrarmos do Vasco
de 98 e do Palmeiras de 99. O vascaíno Nasa (que até fez um gol
contra na decisão de Yokohama contra o Real Madrid) e o palmeirense
Galeano são os maiores exemplos de como um cidadão como você, que
bate uma bolinha nos finais de semana e é chamado pelos amigos de
"pereba", pode chegar ao estrelato do futebol sul-americano.
Mas
as crias de Emerson Leão se roem mais ainda de inveja quando lembram
daqueles que ganharam a Libertadores mais de uma vez. O volante
Dinho (campeão pelo São Paulo em 93 e pelo Grêmio em 95), o atacante
Paulo Nunes (campeão pelo Grêmio em 95 e pelo Palmeiras em 99) e
o lateral-direito Vítor (o único tricampeão: São Paulo-92, Cruzeiro-97
e Vasco-98) podem esbanjar todas essas conquistas. E o pior: além
de serem jogadores de qualidade duvidosa, são feios de doer. Viu
só, Diego? Não é só com beleza e um bom futebolzinho que se conquista
a América...
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