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A atração
do campeonato brasileiro neste domingo aqui em Belém foi Paysandu
x Flamengo, duelo que começou nas arquibancadas do Mangueirão. De
um lado, mais de trinta mil torcedores do Papão, agoniados por ver
o time com dificuldades de sair de uma zona perigosa na tábua de
classificação da série A. Do outro lado, cinco mil barulhentos,
fanáticos e estridentes flamenguistas, mantendo a tradição que o
rubro-negro tem de arrastar torcedores onde quer que vá.
Os
bicolores apostavam numa vitória fácil, já que o Mengão vinha desfalcado
de todas as estrelas do time: Júlio César, Athirson, Edílson e Felipe.
E essa expectativa foi aumentada com o gol de Iarley, com menos
de 20 minutos do primeiro tempo. "Vai ser de goleada", pensaram
alguns desavisados. Mas uma constatação que tive ultimamente é que
o Flamengo joga bem melhor sem os "craques". Vale lembrar dos últimos
jogos contra o Cruzeiro. Com o time completo na decisão da Copa
do Brasil, os cariocas quase perderam dentro do Maracanã e foram
massacrados no Mineirão. Sem as estrelas, pelo Brasileirão, golearam
por 3x0, quando o que estava em jogo era apenas o azedo gosto da
vingança.
Voltando
à partida do Mangueirão, a ira do Flamengo foi despertada pelo gol
do Paysandu. Foi aí que o talento das jovens revelações rubro-negras
começou a se destacar sobre o conjunto bem armado do time da casa.
O baixinho meio-campo Igor jogou que foi uma beleza. Serviu os atacantes,
fez belos passes, criou ótimas jogadas e ainda fez o gol de empate,
numa falta que muitos velhos locutores de rádio diriam que foi "batida
na forquilha".
O Paysandu
teve boas chances de gol ainda no primeiro tempo. Mesmo com o dia
nada inspirado de Róbson, o Papão assustou várias vezes com tabelas
primorosas e finalizações razoáveis de Iarley e Wélber. Mas o "PQP"
mais forte gritado das arquibancadas foi quando Iarley perdeu um
gol sozinho, cara a cara com o goleiro, num lançamento em que não
havia impedimento. Na hora de chutar, o jogador escorregou feio.
Com
tantos gols perdidos, restava à galera do Papão tentar adivinhar
a sorte do time no segundo tempo. "O Paysandu não pode levar gol
logo no início, senão tá f*****", profetizou um torcedor que assistia
ao jogo do meu lado. Maldita boca... Aos 3 minutos, em nova cobrança
de falta, o Flamengo virou o placar. A bola, batida por Cássio,
bateu estrategicamente em um jogador do Fla que estava na barreira
e traiu o goleiro Alexandre Fávaro.
Curiosa
foi a maneira como o Papão chegou ao empate. Sabe quando um time
está jogando acuado, trocando passes sem objetividade e aparentemente
sem coragem de chegar ao ataque? Foi o que o Paysandu fez durante
intermináveis dois minutos, até que num momento iluminado Lecheva
cruzou e Róbson cabeceou para se redimir da péssima atuação e empatar
a partida.
O 2x2
acabou sendo justo porque não houve dominante e dominado no jogo.
Os dois times tiveram bons momentos, mandaram bolas na trave e mostraram
que têm ataques perigosos. O saldo deste empate só não é amigável
para os dois lados, porque enquanto o Flamengo se mantém entre os
oito primeiros colocados, o Paysandu está dez degraus abaixo, ainda
tendo pesadelos com a zona de rebaixamento e longe de ser o Papão
que encantou na Libertadores.

Nas
arquibancadas do Mangueirão estava pendurada a faixa de uma torcida
organizada que certamente tem o nome (e o slogan) mais engraçado
entre todas as torcidas do país: "Fla-Fla de Belém - a torcida mais
peituda do Brasil". Cômico.

Outro
detalhe de Paysandu x Flamengo, mas que de engraçado não tem nada.
O estatuto do torcedor, mais uma vez, passou longe do Mangueirão.
A renda do jogo, que estava sendo esperada como uma das maiores
do ano em Belém, não foi divulgada. Enquanto a administração do
estádio faz o papel dela e divulga relatórios completos sobre a
quantidade de público, a diretoria do Papão se omite e esconde o
valor arrecadado com a venda de ingressos.
A prática
é comum por aqui, já que os clubes vez ou outra estão com a Justiça
do Trabalho à espreita para cobrar dívidas com ex-jogadores ou ex-funcionários.
Atendendo ao pedido de indenização dos "renegados", os juízes trabalhistas
ordenam o bloqueio da renda de determinada partida para o pagamento
desses débitos. É aí que os dirigentes dão o pulo do gato: anunciam
um valor abaixo do real, inventam "bônus" nos ingressos para que
uma parte da renda não faça parte do montante "oficial" ou simplesmente
não divulgam nada. Vergonhoso.

Semana
passada, uma equipe de uma produtora de TV inglesa esteve em Belém
para fazer uma matéria sobre o Paysandu para um programa chamado
"Futebol Mundial", que é exibido para mais de 140 países em todos
os continentes. O Papão chamou a atenção dos gringos pelo crescimento
que teve nos últimos 18 meses, com a conquista da Copa dos Campeões
e com a ótima campanha na Taça Libertadores. A reportagem, que deve
ter a duração aproximada de 8 minutos e vai ser exibida em julho,
vai tentar explicar as razões para o sucesso do Papão, mostrar um
pouco da história recente do clube e ilustrar com curiosidades e
excentricidades: o engraçadíssimo Didi (feirante do Ver-o-Peso que
é torcedor-símbolo do clube), a torcida organizada Terror Bicolor
(considerada uma das maiores do Brasil) e aspectos da cultura paraense,
como danças típicas e culinária regional.
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