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Antes
mesmo do título da Copa do Brasil, 99% dos cronistas esportivos
do país já babavam ovo pelo time do Cruzeiro. Depois da vitória
na decisão contra o Flamengo e da conquista da vaga na Libertadores
do ano que vem, a rasgação de seda foi turbinada. E entre expressões
como "melhor time do país" e "máquina imbatível", sempre há uma
referência - justíssima - ao técnico Vanderlei Luxemburgo, o grande
responsável pela grande campanha do clube em 2003. Luxemburgo pode
não ser lá uma pessoa suficientemente simpática e confiável, mas
que ele tem talento para transformar um time em vencedor, isso com
certeza.
Para
quem levou o humilde (e hoje às baratas) Bragantino a ser campeão
brasileiro da série B e paulista, comandar um exército de craques
como o do Cruzeiro deve ser moleza. Mas a história do futebol prova
que nem só de excelentes soldados vive um batalhão eficiente. É
preciso ter pulso, personalidade e - o mais importante - um esquema
tático que favoreça a química entre os jogadores. O próprio Luxemburgo
já viveu esse lado da moeda, ao tentar comandar o "ataque dos sonhos"
no Flamengo em 1995, com os problemáticos Romário e Edmundo. A sorte
dele é que o histórico de fracassos é amplamente superado pelo de
sucessos. Vanderlei Luxemburgo levantou 16 títulos de 1983 até hoje,
sendo três campeonatos brasileiros da série A, uma Copa do Brasil
e uma Copa América à frente da Seleção.
E tão
importante quanto saber tocar para a frente um grande time é saber
a hora de escapar de uma roubada. E isso já aconteceu pelo menos
duas vezes com Luxa. Foi assim no Flamengo de 1995, quando ele deixou
o clube pouco antes do pesadelo da Segundona assustar de verdade.
Da mesma forma aconteceu com o Palmeiras em 2002. Logo depois da
Copa dos Campeões, Luxemburgo recebeu uma boa proposta do Cruzeiro
e não pensou duas vezes antes de largar o Verdão, que acabou vocês
sabem onde.
Foi
pouco antes de trocar o Palmeiras pelo Cruzeiro no ano passado que
tive a oportunidade de entrevistar Vanderlei Luxemburgo aqui em
Belém. O alviverde veio à cidade para enfrentar o Paysandu, pelas
quartas-de-final da Copa dos Campeões, e o técnico escolheu o campo
de um clube social privadíssimo para os treinos. Na hora dos treinos
táticos e das jogadas ensaiadas, ele pedia que os cinegrafistas
e fotógrafos desligassem as câmeras - nem sempre muito educadamente.
Na hora da coletiva, perguntei se o Palmeiras precisava de arma
secreta para ganhar do Paysandu. Ao contrário do que eu imaginava,
ele não se aborreceu, respondeu que aquele era um procedimento rotineiro
e encheu de elogios o Papão. Mas quando um outro repórter perguntou
o que exatamente tinha chamado a atenção dele no time paraense,
Luxa se limitou a dizer "sim, eu observei o Paysandu", com aquela
cara típica de treinador que esconde o jogo. A tática não deu certo
e o Palmeiras perdeu, mas provavelmente foi mais pela ruindade do
time do que por erro de estratégia do treinador.
Pela
qualidade do elenco que tem hoje nas mãos, Luxemburgo pode estar
começando a viver a fase mais vitoriosa da carreira, mais até que
a do Palmeiras na época da Parmalat. Com o Cruzeiro, já venceu a
Copa do Brasil e tem vaga garantida na edição 2004 da Libertadores,
uma competição em que o time mineiro leva o maior jeito. Pode, ainda
este ano, conquistar o quarto campeonato brasileiro do currículo
e se tornar o técnico com mais títulos em Brasileirões. Competência
para isso ele tem. Índole, eu tenho as minhas dúvidas.

Depois
da aventura milionária no Catar, Romário está de volta ao Fluminense.
Além de tentar levar o Tricolor ao título nacional, o Baixinho tem
como missão a quebra de um recorde pessoal. Hoje, ele é o sexto
maior artilheiro da história do Brasileirão, com 112 gols. Se estabelecer
uma boa média, pode ultrapassar facilmente Dario (113), Serginho
(125), Túlio (127) e Zico (135) para assumir a vice-liderança no
ranking histórico. Superar o primeiro colocado, Roberto Dinamite
(190), é bem mais complicado. Se Romário não se aposentar em 2003,
fica para o ano que vem.

E a
Fórmula 1 parece estar retornando às condições "normais". Três meses
depois da estréia das novas regras, que pareciam devolver o equilíbrio
à categoria, Michael Schumacher volta a liderar o mundial de pilotos.
Quem imaginava que dessa vez o alemão não ia levar, está frustrado.
Mais frustrados ainda estão os brasileiros. Rubens Barrichello está
longe de ser o ótimo segundo piloto de 2002 e os novatos Cristiano
da Matta e Antônio Pizzonia estão decepcionando. Pra ver um novo
campeão na F-1, talvez o melhor jeito seja esperar a aposentadoria
de Schummy, prevista para 2006.
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