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Beagá, 16 de junho de 2003 d.C.
 
O Midas de Nova Iguaçu
Por Caboclo Alaranjado
 

Antes mesmo do título da Copa do Brasil, 99% dos cronistas esportivos do país já babavam ovo pelo time do Cruzeiro. Depois da vitória na decisão contra o Flamengo e da conquista da vaga na Libertadores do ano que vem, a rasgação de seda foi turbinada. E entre expressões como "melhor time do país" e "máquina imbatível", sempre há uma referência - justíssima - ao técnico Vanderlei Luxemburgo, o grande responsável pela grande campanha do clube em 2003. Luxemburgo pode não ser lá uma pessoa suficientemente simpática e confiável, mas que ele tem talento para transformar um time em vencedor, isso com certeza.

Para quem levou o humilde (e hoje às baratas) Bragantino a ser campeão brasileiro da série B e paulista, comandar um exército de craques como o do Cruzeiro deve ser moleza. Mas a história do futebol prova que nem só de excelentes soldados vive um batalhão eficiente. É preciso ter pulso, personalidade e - o mais importante - um esquema tático que favoreça a química entre os jogadores. O próprio Luxemburgo já viveu esse lado da moeda, ao tentar comandar o "ataque dos sonhos" no Flamengo em 1995, com os problemáticos Romário e Edmundo. A sorte dele é que o histórico de fracassos é amplamente superado pelo de sucessos. Vanderlei Luxemburgo levantou 16 títulos de 1983 até hoje, sendo três campeonatos brasileiros da série A, uma Copa do Brasil e uma Copa América à frente da Seleção.

E tão importante quanto saber tocar para a frente um grande time é saber a hora de escapar de uma roubada. E isso já aconteceu pelo menos duas vezes com Luxa. Foi assim no Flamengo de 1995, quando ele deixou o clube pouco antes do pesadelo da Segundona assustar de verdade. Da mesma forma aconteceu com o Palmeiras em 2002. Logo depois da Copa dos Campeões, Luxemburgo recebeu uma boa proposta do Cruzeiro e não pensou duas vezes antes de largar o Verdão, que acabou vocês sabem onde.

Foi pouco antes de trocar o Palmeiras pelo Cruzeiro no ano passado que tive a oportunidade de entrevistar Vanderlei Luxemburgo aqui em Belém. O alviverde veio à cidade para enfrentar o Paysandu, pelas quartas-de-final da Copa dos Campeões, e o técnico escolheu o campo de um clube social privadíssimo para os treinos. Na hora dos treinos táticos e das jogadas ensaiadas, ele pedia que os cinegrafistas e fotógrafos desligassem as câmeras - nem sempre muito educadamente. Na hora da coletiva, perguntei se o Palmeiras precisava de arma secreta para ganhar do Paysandu. Ao contrário do que eu imaginava, ele não se aborreceu, respondeu que aquele era um procedimento rotineiro e encheu de elogios o Papão. Mas quando um outro repórter perguntou o que exatamente tinha chamado a atenção dele no time paraense, Luxa se limitou a dizer "sim, eu observei o Paysandu", com aquela cara típica de treinador que esconde o jogo. A tática não deu certo e o Palmeiras perdeu, mas provavelmente foi mais pela ruindade do time do que por erro de estratégia do treinador.

Pela qualidade do elenco que tem hoje nas mãos, Luxemburgo pode estar começando a viver a fase mais vitoriosa da carreira, mais até que a do Palmeiras na época da Parmalat. Com o Cruzeiro, já venceu a Copa do Brasil e tem vaga garantida na edição 2004 da Libertadores, uma competição em que o time mineiro leva o maior jeito. Pode, ainda este ano, conquistar o quarto campeonato brasileiro do currículo e se tornar o técnico com mais títulos em Brasileirões. Competência para isso ele tem. Índole, eu tenho as minhas dúvidas.

Depois da aventura milionária no Catar, Romário está de volta ao Fluminense. Além de tentar levar o Tricolor ao título nacional, o Baixinho tem como missão a quebra de um recorde pessoal. Hoje, ele é o sexto maior artilheiro da história do Brasileirão, com 112 gols. Se estabelecer uma boa média, pode ultrapassar facilmente Dario (113), Serginho (125), Túlio (127) e Zico (135) para assumir a vice-liderança no ranking histórico. Superar o primeiro colocado, Roberto Dinamite (190), é bem mais complicado. Se Romário não se aposentar em 2003, fica para o ano que vem.

E a Fórmula 1 parece estar retornando às condições "normais". Três meses depois da estréia das novas regras, que pareciam devolver o equilíbrio à categoria, Michael Schumacher volta a liderar o mundial de pilotos. Quem imaginava que dessa vez o alemão não ia levar, está frustrado. Mais frustrados ainda estão os brasileiros. Rubens Barrichello está longe de ser o ótimo segundo piloto de 2002 e os novatos Cristiano da Matta e Antônio Pizzonia estão decepcionando. Pra ver um novo campeão na F-1, talvez o melhor jeito seja esperar a aposentadoria de Schummy, prevista para 2006.

 
Caboclo Alaranjado é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Belém. E-mail: caboclo@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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