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Três
semanas atrás, eu fiz aqui nesta coluna
um grande oba-oba em cima do belo desempenho dos clubes brasileiros
na Taça Libertadores. Corinthians, Santos, Grêmio e Paysandu tinham
estreado muito bem nas oitavas-de-final e isso me levou a dizer:
"existem chances reais de que os quatro semifinalistas da Libertadores
sejam brazucas. Uma possibilidade respaldada não só pela arrumação
da tabela (que só prevê jogos entre brasileiros na fase semifinal),
mas pela própria qualidade que os clubes nacionais vêm demonstrando
na competição".
O tempo
se encarregou de derrubar tudo o que eu previ. Primeiro foi o Corinthians,
que não se contentou com o baile que levou do River Plate em campo
e terminou a partida apelando para o antijogo e para a violência.
Vergonhoso. Depois foi o Paysandu, que deixou para fazer o pior
jogo em toda a Libertadores justamente quando mais precisava ser
o time guerreiro que encantou o Brasil. E como o Boca Juniors foi
o primeiro time realmente bom que o Papão enfrentou na competição,
não deu outra: eliminação dentro de casa.
Restaram
para as quartas-de-final o Santos, o Grêmio e a expectativa de uma
semifinal brasileira e outra argentina, já que Boca e River haviam
atropelado os outros dois brazucas nas oitavas. O Peixe fez a parte
dele e eliminou (com muitas dificuldades, diga-se de passagem) os
mexicanos enjoados do Cruz Azul. Mas o Grêmio, time em que eu apostava
mais fichas, acabou perdendo de uma forma estúpida. Acho que o fato
determinante para a eliminação dos gaúchos não foi o gol do Independiente
de Medellín nos acréscimos do jogo de volta. Foi, na verdade, o
empate no jogo de ida, em que o Grêmio deveria ter construído a
classificação com uma boa vitória.
E ajudando
a continuar a minha seqüência de palpites errados, o River foi eliminado
pelo América de Cali com uma goleada de 4x1 na Colômbia. Então,
seguem no páreo pelo título sul-americano dois times colombianos
(América e Independiente), um argentino (Boca) e apenas um brasileiro
(Santos).
Tendo
em vista esse histórico de bolas fora, não me resta outra opção
que não seja aposentar a bola de cristal e o instinto palpiteiro
nesta Libertadores. Afinal, ainda resta o Santos na briga pela taça
e quero evitar qualquer problema com a turma do Emerson Leão. Já
pensou se eu encho a bola do Peixe, eles caem fora e vêm dizer depois
que a culpa foi minha? Longe disso!

Apesar
da isenção de palpites, não custa lembrar de um fato curioso pra
quem acredita em coincidências no futebol. Na última vez em que
o Santos foi campeão mundial, em 1963, o timaço de Pelé venceu o
Boca Juniors na decisão da Libertadores e passou pelo Milan na Copa
Intercontinental. Bom, o Peixe ainda não está na final, mas o Boca
é um dos candidatos à decisão no outro confronto semifinal. E o
Milan já está garantido no jogão de Yokohama no fim do ano. Daqui
pra frente, é com o senhor destino!

Falando
nisso, o Milan volta a conquistar a Copa dos Campeões depois de
mais de uma década de jejum. A última vez em que os milaneses levantaram
essa taça foi na época do timaço comandado pelos holandeses Gullit,
Van Basten e Rijkaard. Com eles, o Milan foi bicampeão europeu e
mundial em 1989 e 1990.
Não
tenho acompanhado os jogos do campeonato italiano e não vi absolutamente
nada da Copa dos Campeões, mas acho muito improvável que o time
atual do Milan seja melhor que o da virada dos anos 80 para os 90.
Aquele sim, era de encher os olhos de qualquer amante do futebol
bem jogado...
O curioso
é que este time do Milan deu início a uma série de "esquadrões da
vez" no futebol europeu: equipes fora de série, cheias de craques
e de títulos, mas de efeito efêmero. Depois do reinado dos milaneses
(que sobreviveu, moribundo, até 1993), vieram o Ajax de 1995, a
Juventus de 1996, o Barcelona de 1997, o Manchester United de 1998
e 1999, e o Real Madrid de 2000 até hoje.

O goleiro
Rogério Ceni, do São Paulo, escapou de uma longa suspensão graças
ao recém-estabelecido estatuto do torcedor. Ele foi flagrado pelas
câmeras de TV ao agredir o atacante Dimba no jogo contra o Goiás
e chegou a ser suspenso preventivamente. Mas antes do julgamento
de Ceni, um cidadão entrou na Justiça pedindo a absolvição do goleiro,
baseado em artigos do estatuto.
A polêmica
tem um lado positivo e um negativo. O bom é que estamos vendo que
o estatuto está começando a funcionar e que a mentalidade do torcedor
está absorvendo as novas leis. Agora, ruim é ver o Rogério Ceni
sair como inocente de um lance em que as imagens mostram claramente
que ele é culpado.
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