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| Beagá,
Quinta, 30 de maio de 2002 d.C. |
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Café com leite Por
Indiegesto Minha relação com o futebol sempre foi parecida com a relação que a gente tem com aquele vizinho que você só sabe o nome, dá bom dia, mas não faz a menor idéia de quem seja e também não faz muita questão de conhece-lo. Minha lembrança mais remota de uma Copa do Mundo foi a de 82 (será que foi 82?), aquela em que fomos campeões morais, Telê como técnico e tudo mais. Me lembro que a família se reunia para assistir aos jogos na casa de uma vizinha que era muito gente fina, rolava uns comes e bebes e era divertido pra cacete. Me lembro também de uma indefectível bandeira do Brasil que ficava pendurada na escada da casa dessa vizinha, e quando o Brasil ia mal no jogo eu ia lá e jogava a bandeira para baixo, e milagrosamente o time jogava bem e marcava um gol. Bem, minha primeira superstição caiu por terra após o time perder para a Itália (será que era Itália?), a bandeira caiu pra caramba e o time também. Me lembro do Araquém, o show man (será que é assim que se escreve?) tomando uma surra de umas torcedoras (que pagavam um pau para ele em vinhetas durante o jogo) após a derrota do Brasil. Zico era o rei, eu até tinha um jogo do Zico, um campo de futebol e tinha uma bola que você tinha que dar corda para andar e marcar o gol. Havia também as miniaturas de jogadores do açúcar União. Outra copa que me lembro foi a de 90 (será que era 90?), Sebastião Lazaroni como técnico, foi quando meu ódio contra o Galvão Bueno surgiu, já que foi nessa Copa que nasceu o "Vai que é sua, Taffarel", e o Taffarel tomava uns frangos absurdos. Aliás, a minha lembrança mais forte dessa copa foi quando o Brasil foi eliminado pela Argentina (será que foi pela Argentina?), e essa lembrança me veio como um Deja Vù na corrida do Rubinho (aquela lá que ele deu de presente pro Shummy). Acontece que o Batistuta (ou será o Cannigia?) saiu driblando todo mundo, enquanto o Galvão, histérico como sempre, gritava "vai Taffarel, vai Taffarel... Gol", o "gol" que ele falou foi a coisa mais patética e cômica que eu havia escutado até o "hoje não, hoje não... hoje sim" do Kleber Machado. Não contive o riso. Já em 94 (isso eu sei) foi engraçado, pois eu detestava (e detesto) o Romário. Havia uma promoção da Coca-Cola que era uma espécie de bolão em que no fundo da tampinha mostrava possíveis times que iriam para a final e o possível ganhador; um amigo havia pego uma tampa que era Brasil e Itália, sendo que o vencedor seria a Itália. Caso o resultado fosse esse, o cara ia ganhar uma grana, então a gente ficou torcendo para a Itália, só para o cara emprestar um dinheiro depois. Só que deu Brasil, e foi aquela festa, com direito a bebedeira e tudo mais. E depois rolou um escândalo com a Coca-Cola, de gente que ganhou a promoção esperando a bolada sem contar que devia haver milhares de tampinhas com o mesmo resultado, e conseqüentemente, milhares de ganhadores que deveriam dividir o prêmio, que acabou sendo uma mixaria. Eu me lembro que estava apaixonado por uma menina e, no final da Copa, rolando aquela festa, eu tive a oportunidade de ficar com ela mas não fiquei. Fiquei foi de porre. Já a Copa de 98 (a copa da amarelada) foi a mais divertida, pois eu já estava trabalhando, com grana, conhecia um monte de gente legal, estava com a banda tocando pra caramba, e o melhor: durante os jogos, a gente dava um chapéu no trabalho, ia para uns bares com telão lá na Avenida Paulista, ou no Black Jack (bar roqueiro aqui de SP) e enchia a lata. Eu nem prestava atenção no jogo, ficava só trocando idéia com a galera, enxugando umas caipirinhas e barbarizando no chopp. No começo do ano (no carnaval, para ser mais exato), teve um cara que eu esqueci o nome que estava gravando um "hino" para a Copa chamado "A taça é nossa" no mesmo estúdio em que a gente estava gravando nosso disco. Essa música tem a participação das Ronaldinhas, e a gente perdeu o dia que elas foram gravar. A música é uma pérola (trash), e me lembro que durante nossas gravações a gente vivia cantando esse som. Sempre detestei a Copa pelo oba-oba idiotizante de "Pra frente Brasil", mas sempre gostei de Copa pelo oba-oba etílico e idiotizante sob o pretexto de um "Pra frente Brasil". Essa é minha relação com as Copas do Mundo. Só sei que esse ano vai ser um saco, porque não vai rolar um encontro com meus camaradas para "torcer", pois não vou acordar de madrugada nem a pau. E o pior: não vou poder dar um cano aqui no trampo. Indiegesto - Era sempre o último a ser escolhido para os times. |
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