Beagá, Sábado, 22 de junho de 2002 d.C.

Brasil joga como campeão e vence a Inglaterra

Por Sukrilius
E-mail: sukrilius@abacaxiatomico.com.br

Sinceramente, não sei como escrever esse texto. A última vez que vi a seleção vencer jogando muito bem foi quando ganhou por 4 a 2 da Argentina, em Porto Alegre. Nem me recordo quando foi este jogo, mas isso não importa.

Não sabia, ou melhor, não sei como escrever esse texto. Não sei se precisarei fazer uma avaliação individual, acho que acabarei fazendo, mesmo com o Brasil sendo tão homogêneo.

Vamos lá: Brasil venceu e encheu os olhos. Foi simplesmente sensacional. Perdíamos por 1 a 0, viramos a partida e jogamos 35 minutos com um jogador a menos. Não há o que questionar: todos os setores da equipe foram bem. A zaga, salvo o passe do Lúcio para o gol do Owen, jogou muito bem. No segundo tempo, quando a Inglaterra precisava fazer gols, o Marcos não fez uma defesa sequer. O meio-campo combateu e criou. O ataque teve dificuldades, porque a zaga inglesa é boa, mas fez dois gols, correspondeu.

O Brasil jogou como um time campeão do mundo. Se manter esse nível, leva a taça. Não pode subir no salto e achar que Senegal ou Turquia serão adversários fáceis, porque não serão. Mas hoje eu fiquei feliz com a atuação da Seleção.

O jogo começou com as duas seleções se estudando, se respeitando. O Brasil estava melhor, mas o Roque Júnior deu uma bobeada, a bola foi para a área e o Lúcio dominou mal, deu um passe para Michael Owen: 1 a 0. Nos dez minutos seguintes, o time ficou um pouco grogue, mas isso é normal. Depois voltou a comandar a partida. Em um contragolpe, Ronaldinho serviu Rivaldo, que não perdoou.

No segundo tempo, o time voltou melhor. Roberto Carlos adiantou sua marcação e limitou as investidas de Beckham, o cérebro do time inglês. Ronaldinho, em um lance atípico, fez um golaço de falta. Foi proposital, não foi sem querer.

Logo depois o mesmo Ronaldinho foi expulso. Daí em diante, já imaginei: a Inglaterra vai pra cima, vai empatar e complicar. Que nada! Com uma excelente marcação, mesmo com um a menos, o Brasil não deixava a Inglaterra jogar. Os ingleses tiveram que apelar para o velho jogo aéreo e o Brasil conseguiu se defender.

A Inglaterra não teve competência para furar nosso bloqueio. Fomos perfeitos, defendemos muito bem e não levamos a natural pressão nos minutos finais, porque os jogadores estavam tranqüilos e sabiam o que estavam fazendo.

Eu, que tanto critiquei o Felipão, reconheço que nesta partida ele armou a equipe de forma impecável e soube organizá-la com um jogador a menos. Inclusive a imprensa espanhola, inglesa e até a argentina aplaudiram nossa seleção. Mas ressalto que nada está ganho: essa é a Copa das zebras, todo cuidado é pouco.

Vou fazer uma rápida análise de cada jogador, se é que é necessário:

Marcos: não teve culpa no gol. Trabalhou muito pouco durante o jogo. No segundo tempo não fez nenhuma defesa.

Cafu: boa atuação, principalmente na marcação.

Lúcio: falhou no gol inglês, mas depois jogou bem.

Roque Júnior: boa atuação (quem diria...).

Edmílson: com Gilberto Silva e Kléberson ao seu lado, jogou bem melhor.

Roberto Carlos: um dos destaques do time. Só aplausos.

Gilberto Silva: marcação eficiente e ainda apareceu no ataque.

Kléberson: ajudou Gilberto Silva na marcação e criou jogadas. O lance do primeiro gol coneçou com ele.

Ronaldinho: muito boa atuação, até ser expulso. Fez um golaço.

Rivaldo: primoroso. Fez um gol e comandou o time no segundo tempo. Era o Felipão dentro de campo. Prendia a bola na hora certa, passava na hora certa, driblava na hora certa e cavava faltas na hora certa. E ainda ajudou na marcação.

Ronaldo: boa atuação, faltou o gol. Mas teve papel fundamental em vários lances da seleção e sempre puxava mais de um marcador com ele, deixando Rivaldo e Ronaldinho livres.

Edílson: entrou no lugar do Ronaldo e cumpriu bem o seu papel em puxar contra-ataques e prender a bola na defesa inglesa.

Para a próxima partida, Felipão deve manter o Kléberson e colocar o Juninho no lugar do Ronaldinho. Nessa posição, o Juninho jogará bem melhor, pois é a posição em que ele está acostumado a atuar. Ou então põe o Ricardinho, dando mais criatividade e marcação pro time, mas ao mesmo tempo, deixando o time meio "torto" para a esquerda.

Escrevi esse texto ouvindo a canção "Hello, Goodbye", dos Beatles. Hello para nós, que estamos entre os quatro no Mundial. Goodbye para eles!

 

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