Beagá, Terça, 18 de junho de 2002 d.C.

Brasil x Bélgica: que sufoco!

Por Sukrilius
E-mail: sukrilius@abacaxiatomico.com.br

Ufa! Nos safamos dessa. Pensei que, dessa vez, o Brasil fosse cair fora da Copa. Houve uma evolução na equipe, a defesa não jogou tão mal (também, pior do que estava seria difícil...), mas está longe de convencer. Desta vez, apresentamos problemas no meio-de-campo, o que sacrificou nosso ataque. Estávamos jogando em um 4-0-6. Sério! O goleiro, os três zagueiros e o Gilberto Silva armando as jogadas, tentando a famosa "ligação direta" com os laterais, os meias e os atacantes, que sumiam atrás dos gigantes belgas.

Além disso, a seleção insistia em jogar pelo meio e o Felipão ainda mexeu mal no time. As falhas na zaga, nesta partida, aconteceram mais por méritos dos atacantes belgas do que por deficiência nossa. Ah, o juiz era nosso. No primeiro tempo, quando o placar apontava 0 a 0, a Bélgica fez um gol legítimo, anulado pelo juiz. Não, não acreditem no Arnaldo Cezar Coelho, o gol foi legal!

Pela quarta partida consecutiva, havia um buraco - não, uma cratera - entre a nossa defesa e o ataque. A Bélgica ficou "na dela", usando seu jogo aéreo. Apertou no início do segundo tempo e quase que a vaca foi para o brejo. O Brasil chegou pouco ataque, graças ao meio-de-campo inexistente, que não protegia a zaga e não alimentava o ataque. Será que o Felipão não enxerga que falta um Ricardinho, um meia que saiba tocar a bola e não apenas carregá-la, como faz o Juninho? O Felipão vai continuar acreditando que o Denílson é um jogador que decide partidas no segundo tempo e que, sempre que ele entra, o time melhora?

Claro, houve evolução: o time está mais entrosado, os jogadores estão mais conscientes do papel que cada um deve desempenhar em campo, não há afobação. Fizemos o primeiro gol aos 22 do segundo tempo e o time estava frio - talvez até demais, pois tomava um sufoco daqueles. Muitos falaram mal, mas eu gostei do time no primeiro tempo. Achei que o ataque ficou isolado, mas o time não jogou mal. No início do segundo tempo a seleção caiu de rendimento, pois deixou a Bélgica jogar e finalmente o Marcos trabalhou.

A zaga foi relativamente bem. Acho que o Felipão quer voltar pro 4-4-2, mas não quer cair em contradição, não quer passar uma imagem de um técnico confuso, que não sabe qual esquema adotar. Lúcio e Roque Júnior jogaram mais atrás e o Edmílson jogou um pouco mais à frente, como um líbero, ou como um primeiro volante. Kléberson, Vampeta ou o Ricardinho podem entrar à frente do Gilberto Silva, recuando o atleticano (ainda?) para jogar como primeiro volante.

O Brasil ainda está dependendo das jogadas individuais de seus atacantes. O esquema tático é: "se vira!".

Vou fazer uma rápida análise dos jogadores:

Marcos: o melhor do time, para vocês terem uma idéia do sufoco que levamos. Só precisa melhorar a reposição com os pés.

Cafu: razoavelmente bem no apoio e mal na marcação.

Roque Júnior: falhou no gol legítimo que o juiz anulou. De resto (incrível!), não comprometeu.

Lúcio: no mesmo nível do Roque. Com a ausência do meio-de-campo, tentou armar algumas jogadas, mas (é claro) sem sucesso.

Edmílson: foi o principal armador do time durante boa parte do jogo. Errou inúmeros passes. Mas a culpa não foi dele.

Roberto Carlos: atuação discreta. Na marcação, errou em alguns momentos, principalmente no início do segundo tempo.

Juninho: correu com a bola sem ser objetivo. Perdeu a bola várias vezes. Ficou totalmente perdido dentro de campo e não ajudou na marcação.

Gilberto Silva: merece uma estátua. Continua sendo o único jogador do meio-de-campo que marca. Ele marca o jogador dele, o jogador do Juninho, o jogador do Ronaldinho... Ficou tão ocupado na marcação que não fez mais nada. Mas nem precisava, pois o que ele fazia quase ninguém fez.

Ronaldinho: decepcionou novamente. Uma boa jogada entre várias que tentou. Perdeu muitas bolas. Pode jogar bem melhor.

Rivaldo: mérito pelo gol (a bola desviou no zagueiro, mas e se ele não chutasse?). Foi bem em alguns lances, jogando realmente onde sabe: na frente, perto do gol.

Ronaldo: ficou um pouco isolado, mas quando apareceu criou as principais chances do Brasil e fez um gol. O Brasil vai precisar muito do Ronaldo se quiser ser penta.

Denílson: não deveria ter entrado. Ele acha que é só sair driblando que tudo se resolve. Foi "fominha" em vários lances, pois preferiu o drible do que passar a bola para alguém mais bem posicionado.

Kléberson: demorou para entrar. Reanimou o meio-campo e deu um passe magnífico para o segundo gol brasileiro.

Ricardinho: entrou só para ganharmos tempo. No time titular, é ele e mais dez!

Agora é Brasil x Inglaterra. Bem, a Inglaterra está jogando melhor, mas este jogo é um clássico como Atlético e Cruzeiro, Corinthians e Palmeiras, Fla-Flu. Quem está pior pode se superar, equilibrar a partida e vencer. É esta a minha aposta. Quem vencer, está praticamente na final.

Vamos usar o discurso de que "a Inglaterra é favorita". Isso pode nos ajudar. Dizem as más línguas que, nas fases decisivas, a Inglaterra e a Espanha "amarelam". Vamos ver.

México 0 x 2 Estados Unidos
Fiquei acordado para ver um baile tático dos norte-americanos. No início do jogo, a zaga mexicana bobeou e McBride não desperdiçou. Durante todo o resto do primeiro tempo, os EUA fizeram uma marcação praticamente perfeita, quase não dando espaços para o México. Na segunda etapa, os astecas foram para o ataque, acuando os ianques, que exploravam os contra-ataques velozes e eficientes. Daí saiu o segundo gol. Então o jogo ficou mais aberto e com mais faltas, mas mesmo assim os EUA não deixaram o meio-de-campo do México jogar. Foram quase perfeitos. Se repetirem esta marcação contra a Alemanha, pode aparecer mais uma zebra nesta Copa - mas aí seria muito otimismo da minha parte...

 

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