Beagá, Domingo, 16 de junho de 2002 d.C.

Metendo a colher onde não fui chamada

Por Marina Peçonha
E-mail: marinapeconha@abacaxiatomico.com.br

Tempo de Copa do Mundo é tempo de retrocesso nacional. Todos se esquecem de tudo (deve ser por isso que a sucessão presidencial é sempre em ano de Copa) e se concentram em falar apenas sobre a Seleção. A grade da tv é alterada completamente e os programas picaretas de comentaristas de botequim invadem a sala sem convite prévio. São de aporrinhar qualquer um, onde a ala nacionalista exalta todos os lances e perdoa todas as falhas da defesa, visando em seus comentários apenas os pontos fortes da Seleção. Já os ultracontrários ao esquema tático em vigor reclamam do ataque, do meio de campo, da zaga... e o mérito quase nunca existe, com algumas ressalvas (êpa: qualquer semelhança com a política nacional não é mera coincidência). E as transmissões? Haja disposição para assistir aos 90 minutos, cercado por um festival de patrocinadores chatos, reportagens inúteis e os comentários dos que pensam entender muito de futebol... é dose!

Já não basta sofrer pelo time a trancos e barrancos? Não. Para o festival ser completo é preciso viver a copa intensamente, ou seja: não se restringir apenas a assistir aos jogos e torcer contra a Inglaterra. É também ler as previsões furadas do Zé Dinah e achar ruim com o Cajabis por ele torcer contra a Itália (trauma de 82). É aturar um Jornal Nacional "especial" com informações inúteis do Japão e da Coréia (e que nada têm a ver com futebol), ao invés de saber se o risco Brasil subiu a ponto de termos que pegar a mala e o passaporte. É jogar na esportiva com a certeza de ganhar, apostando em Portugal contra os EUA e entrar pelo cano. E, acima de tudo, ser menosprezada no assunto porque dita a regra que mulher não entende nada de futebol! E, para piorar, ainda inventam uma eleição queima-filme dos jogadores mais belos da copa, única distração para as Amélias que acompanham os jogos com os maridos, namorados e afins. O pior é que o resultado final foi ridículo!

Assim, é por tais que desde já Marina Peçonha vai marcar presença no Especial Copa 2002 do ABACAXI ATÔMICO! Antes de qualquer comentário sobre os esquemas táticos, as chances reais de cada país, os lances de mestre e os resultados das partidas, a primeira atitude que devo tomar é a de refazer a lista das beldades da copa. Afinal de contas, lista de bonitões que não tem Paolo Maldini não é digna de nenhum salão de beleza - a colunista aqui fala de cadeira, já que teve a oportunidade de apreciar in loco a beldade em questão...

Os bonitões da Copa 2002 - por Marina Peçonha

Vítor Baía
Portugal, goleiro.
Paolo Maldini
Itália, zagueiro (presença assegurada desde a copa de 90, na Itália).
Mellberg
Suécia, zagueiro (ocupando a vaga que já foi de Brolin em 90 e 94).
Michal Zewlakow
Polônia, zagueiro.
Cannavaro
Itália, zagueiro.
Ballack
Alemanha, meia.
Aimar
Argentina, meia.
Donovan
EUA, meia.
Owen
Inglaterra, atacante.
Capucho
Portugal, atacante.
Raúl
Espanha, atacante.

 

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