Beagá, Segunda, 27 de maio de 2002 d.C.

Amazing Stories

Por Mr. Rapadura
Ex-goleiro do time de futebol do Colégio Militar

Bom dia, boa tarde, boa noite! Não é um conto de terror de Sthefen King (que aliás declarou recentemente que vai escrever mais dois livros e uma estória para a tv e depois se aposentar) mas a história é bem triste. Eu era garoto, tinha doze anos, estava de férias no mês de julho a partir daquele dia e, é claro, bastante empolgado com a seleção brasileira nos gramados espanhóis. Era o primeiro dia de minhas primeiras férias conquistadas com muita luta, porque era o meu primeiro ano em um dos colégios mais estranhos do mundo: o Colégio Militar do Exército Brasileiro! Bem, sofrimentos à parte, eu iria agora deixar o cabelo crescer e curtir o Brasil chegar até a final da Copa, mas Paolo Rossi não deixou.

Paolo Rossi era um centravante baixinho mas fora titular da seleção italiana desde novo, chegando a disputar a Copa de 1978 ao lado do ídolo italiano Roberto Betega. Esta seleção italiana já era nossa velha conhecida, pois a havíamos derrotado na Argentina na disputa do terceiro lugar daquela Copa com um gol de Jorge Mendonça e uma pintura de Nelinho (2 X 1), fomos campeões morais. Paolo Rossi esteve lá e depois, entre as duas Copas, foi ofuscado devido ao seu envolvimento com a máfia da Loteria italiana, ficando suspenso do futebol por dois anos. Assim mesmo o técnico Enzo Berzotti o convocara nas vésperas do Mundial, acreditando no potencial do bambino apesar de toda a oposição da imprensa italiana.

A seleção brasieira da época era bem diferente da seleção de hoje. O clima era de confiança e no mundial a equipe era a sensação, vencendo por goleada os adversários e praticando um futebol arte com Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico e Éder comandando a massa, apesar das trapalhadas de Serginho e Valdir Peres. Já a seleção italiana fora um desastre até ali, pois empatara todos os jogos na primeira fase e recebia críticas de toda a imprensa mundial como a grande decepção da copa. E o pior: Paolo Rossi não havia marcado ainda nem um gol durante o torneio. É, parecia que ele estava guardando tudo para o Brasil. Dizem que os italianos estavam até com suas malas prontas no vestiário para voltar para casa. Dizem que o técnico Telê deveria ter recuado o time para garantir o resultado, dizem que Cerezo foi o culpado pela derrota, pois errara um passe que resultou no primeiro gol de Rossi e durante o intervalo do jogo chorava no vestiário. E agora o escritor mineiro Jefferson de Andrade diz que o culpado pela derrota foi o atual comentarista da Globo, e na época jogador, Falcão. Segundo o escritor, Falcão teria brigado com Zico por causa das descidas do lateral italiano Cabrini, e assim não passara a bola para o galinho durante àquela partida. Mais detalhes? Leia o livro A falta que faz um gol, da editora Página Aberta.

 

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