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oficial do Oscar: www.oscar.com
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ano, sai ano, a cerimônia de entrega do Oscar torna-se cada
vez mais chata, mais enfadonha, mais dispensável. Globo e
SBT demonstraram enorme desdém à atração
- o SBT nem se interessou em renovar o contrato de exibição,
já que vinha mostrando o evento nos últimos anos.
A Globo, por sua vez, começou a transmissão com 40
minutos de atraso, mostrando seu costumeiro desrespeito ao público
e provando mais uma vez que é ela quem manda por aqui, calem-se
todos ou paguem uma caríssima tevê por assinatura -
que, por acaso, é quase um monopólio do grupo fundado
pelo "saudoso" Roberto Marinho. Ou seja, o recado da Globo
aos telespectadores foi bem claro, como sempre: fodam-se.
Ainda
bem que gravei em vídeo e os momentos mais, digamos, dispensáveis,
passam rapidinho pelo FF do controle remoto. A inacreditável
falta de preparo e ignorância de Renato Machado, que por DUAS
vezes anunciou o filme "Eterno Brilho" de Uma Mente
Sem Lembranças - e não foi corrigido pelo palpiteiro
de botequim José Wilker que, como crítico de cinema
é um excelente jogador de hóquei sobre o gelo. Foi
provavelmente a pior, mais constrangedora e mais imbecil transmissão
de Oscar da história - ganhou até do ano que o Arnaldo
Jabor dava chiliques nos comentários ou a Babi entrevistava
sem noção total "convidados" nos intervalos.
Mas
da transmissão quem falou foi a Lucie
Multiplex. Como nas corridas de cavalos, vamos lá palpitar
sobre quem venceu e quem voltou pra casa puto da vida.
Melhor
Filme
Cinco
filmes meia boca que provavelmente vão envelhecer bastante
em menos de dez anos. Quero ver quem vai se lembrar de Menina
de Ouro em 2015, por exemplo. Êta ano fraco esse... A
ausência de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
e Os Incríveis entre os indicados é imperdoável.
Por isso, talvez tenha vencido o mais correto entre os cinco filmes.
Apenas isso. O Aviador é mais uma tentativa de Scorsese
de se afirmar, Sideways - Entre Umas e Outras é
simpático e imperdível - para quem gosta de vinhos,
of course, o resto da humanidade pode muito bem passar sem assisti-lo
-, Em Busca da Terra do Nunca é o mais "apelativo"
para o sentimentalismo e Ray se complica um pouco ao tentar
abarcar a vida movimentada de um verdadeiro mito da soul music.
Então vá lá, entre esses cinco talvez Menina
de Ouro fosse mesmo o melhor...
Melhor
Ator
O prêmio
mais manjado da noite. E até que todo mundo trabalhou direitinho.
Mas Jamie Foxx é o Ray Charles cuspido e escarrado. Sua caracterização
ficou realmente perfeita - ou quase isso. A ausência gritante
de Paul Giamatti (Sideways) entre os indicados é
que chamou mais a atenção.
Melhor
Atriz
Meio
que outra barbada. Não dá pra comentar muito, já
que assisti apenas a Kate Winslet, que faz um bom trabalho em Brilho
Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, mas o que posso
dizer é que Hilary Swank realmente brilha em Menina de
Ouro.
Melhor
Diretor
O Scorsese
ficou chupando o dedo novamente. Eu até cheguei a arriscar
que dessa vez a Academia iria dividir a glória, premiando
Menina de Ouro como melhor filme e dando a estatueta de
direção a O Aviador. Pois é, errei.
Mas fica difícil escolher entre dois filmes tão sem
graça, tão "certinhos", tão frios.
O filme de Scorsese é uma biografia banal e o de Clint Estwood
é uma historinha tipo Supercine. Nada de mais, nada de menos.
Então, qualquer um que ganhasse tava bão mesmo.
Os
Coadjuvantes
Outro
filme muito superior a qualquer um dos cinco indicados, Closer,
ficou de fora das categorias principais e levou duas indicações
de consolação: as de ator e atriz coadjuvante. E ainda
foi injustiçado em ambas. Tudo bem, o seu Morgan é
gente boa, ele é bacana, tá sempre sorrindo, amigo
da turma, sempre aí e talz, nunca havia ganho o Oscar e aí
o pessoal deve ter pensado "gente, vamos dar um prêmio
aí pra ele, imaginem se ele morre..." E deram o prêmio
pra ele por sua atuação em Menina de Ouro.
Clive Owen, no entanto, é um dos pontos altos de Closer,
com uma atuação que literalmente rouba o filme e surpreende
o espectador. E Natalie Portman perder para a apenas esforçada
Cate Blanchett (O Aviador) também foi dose pra elefante.
Os
Roteiros
A vitória
de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças como
Roteiro Original fez justiça a Charlie Kauffman, embora eu
também gostasse muito do roteiro de Os Incríveis
(e indicaram o roteiro de O Aviador, meu Deus do céu...
Não tinha nada melhor não?). Mas na categoria Roteiro
Adaptado a vitória de Sideways chega a ser ridícula.
É uma boa história, mas não pode ser comparada
aos diálogos inteligentes e à narrativa impecável
em tempo real de Antes do Pôr-do-Sol ou à
excepcional adaptação de Diários de Motocicleta.
Chega a ser uma piada! Mas é aquela coisa, foi indicado a
melhor filme, precisava de um Oscar de consolação,
então...
E
no mais...
O placar
final foi 5 a 4 para O Aviador, mas com um sabor de derrota.
Afinal de contas, os prêmios mais importantes ficaram com
Menina de Ouro, o filme mais superestimado do ano. Os
Incríveis levou seus prêmios, Em Busca da
Terra do Nunca ganhou alguma coisa que eu não me lembro
agora e então todo mundo ficou feliz. Exceto os produtores
de O Aviador, que contavam com a vitória de Scorsese
e estavam bufando após o encerramento da cerimônia.
Na
categoria Filme Estrangeiro, estou curioso, muito curioso mesmo
para assistir A Queda, filme alemão sobre os últimos
e melancólicos dias do 3º Reich. Assisti Mar Adentro
e A Voz do Coração, posso dizer que Mar Adentro
é superior e Javiem Bardem é mesmo um ator fenomenal.
E não preciso dizer do grande momento da cerimônia,
a vitória de Diários de Motocicleta na categoria
Melhor Canção, com "Al Otro Lado Del Río",
composta pelo uruguaio Jorge Drexler, que foi impedido de cantar
sua própria música no Oscar. Em seu lugar, Antônio
Banderas e Santana (meu Deus, que decadência, por que alguém
que já foi tão importante para a música se
rebaixa a esse ridículo?! Por dinheiro? Será que ele
já não tem grana o suficiente não???) se encarregaram
de destroçar, pulverizar, arrebentar, desgraçar, enterrar
a canção. O adjetivo "lamentável"
é insuficiente para descrever o que foi a apresentação
desses dois. Só faltou chamarem uns mexicanos com sombreros
e trompetes para inserirem trechos de "La Cucaracha" (deve
ser isso que Hollywood chama de "latinos").
E não
é que o cucaracha venceu? Subiu ao palco e, ao invés
de agradecimentos, fez justamente o que os organizadores da festa
não queriam: cantou sua música. E o público
é quem devia agradecê-lo, por sua lição
de dignidade.
Confira
os indicados ao Oscar 2005.
Confira os comentários de
Lucie Multiplex sobre a transmissão.
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