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Beagá, 07 de março de 2005 d.C.
 
Clint Estwood foi o grande vencedor da noite com o seu Menina de Ouro
Por Lucie Multiplex
 

Oscar 2005: o Show de incompetência da Globo

A cobertura do Oscar feita pela Rede Globo foi a pior que tive a infelicidade de acompanhar até hoje, a começar pela falta de respeito aos telespectadores cinéfilos que não têm condições financeiras, como eu, de pagar TV por assinatura. Os assinantes da TNT tiveram a oportunidade de acompanhar a prestigiada premiação na íntegra, com os comentários (quase) sempre bem-vindos do crítico Rubens Ewald Filho. Quem teve de acompanhar pela Globo, perdeu os primeiros quarenta minutos: a abertura da cerimônia, as piadas inicias do apresentador Chris Rock, a entrega dos quatro primeiros prêmios e a interpretação da música "Vois Sur Ton Chemin", do filme A Voz do Coração, indicada ao prêmio de melhor canção, foram substituídas pelo irritante Pedro Bial e suas criaturas do circo de aberrações (vulgo ‘reality show’) BBB5. Como escrever sobre aquilo que não vi? Culpa da Globo! Deu saudades da transmissão feita pelo SBT nos anos anteriores...

Além do atraso, foi difícil suportar os comentários dispensáveis do ator José Wilker e a apresentação meia-boca de Renato Machado. Sem falar da deficiente tradução de Elisabete Hart, que sozinha não dava conta de traduzir nem a metade do que foi transmitido.

Wilker e seus comentários "fundamentais"

Todos os prêmios para O Aviador pareciam ser injustos para José Wilker. Cada vez que um vencedor do filme recebia seu prêmio, ele sempre dizia que era injusto. Esperava que Wilker estivesse nos estúdios da Globo para comentar e não palpitar sobre suas preferências. O seu candidato preferido a melhor filme era Sideways, que na sua opinião era o mais bem acabado e realizado entre os indicados. Já Menina de Ouro, o grande vencedor, ele considerou uma “coleção de clichês bem-feitos”. Esses comentários ainda são aceitáveis, uma vez que expressam a opinião pessoal do “crítico”. O pior foi quando ele comentou que os filmes indicados a efeitos visuais eram filmes muito complexos para sua inteligência, mas que no fim das contas ele achava bonito. Alguém poderia chamar o Rubens, por favor!

Descaso com os prêmios técnicos para abreviar premiação

Quando a transmissão do Oscar de fato começa, Scarlett Johanson entrega os ‘Prêmios Científicos e Técnicos’ àquele pessoal que nunca é devidamente reconhecido pelas contribuições inventivas que fazem ao cinema. De fato, eles nem foram tão reconhecidos assim no dia 27 de fevereiro, já que tinham recebido suas estatuetas em uma outra ocasião e só compareceram lá para fazer uma média.

Aliás, uma medida encontrada pelos organizadores da Academia para abreviar e dinamizar o Oscar foi a de convidar todos os indicados a prêmios técnicos (como figurino, efeitos visuais, edição de som) a subir ao palco. Lá, eles eram apresentados e o nome do vencedor era divulgado.

Os Incríveis leva dois prêmios; estilista famosa sobe ao palco

A Pixar deve ter orgulho de Procurando Nemo e Os Incríveis. As duas produções já renderam dois Oscar de longa de animação seguidos ao estúdio. Além do prêmio citado, Os Incríveis também fisgou o de edição de som. E como a Academia adora fazer umas inovações, ninguém menos que Edna, a estilista maluca de Os Incríveis, dividiu as atenções com Pierce Brosnan na apresentação dos indicados a melhor figurino. Edna parecia estar tão segura que até comentou os figurinos que concorriam ao prêmio. Por ironia, a mais mal vestida das candidatas, Sally Powell, levou o prêmio pelo seu trabalho em O Aviador.

Frases que não precisariam ter sido ditas

“Espero que meu filho algum dia possa se casar com a sua filha” - de Cate Blanchett, vencedora do prêmio de melhor atriz coadjuvante (O Aviador), para o diretor Martin Scorsese.

“Graças a Deus não houve mais um episódio de O Senhor dos Anéis” - de um dos vencedores do prêmio de melhor efeitos visuais por Homem-Aranha 2, sobre a hegemonia absoluta da trilogia fantástica nas últimas três edições do Oscar.

As canções continuam quase as mesmas

Como explicar a presença de Beyoncé interpretando nada menos que três das canções indicadas ao Oscar, sendo que ela não gravou originalmente nenhuma delas? A cantora foi a responsável pelas apresentações de “Believe” (O Expresso Polar), “Learn To Be Lonely” (O Fantasma da Ópera) e “Vois Sur Ton Chemin” (A Voz do Coração). A justificativa de sua presença no palco da premiação foi a mesma de Antonio Banderas e Carlos Santana: como os originais não eram nomes assim tão famosos, a Academia não viu problema em impedi-los de interpretar suas canções. O caso do uruguaio Jorge Drexler foi o que mais chamou a atenção da mídia: o compositor e intérprete da vencedora “Al Outro Lado Del Rio”, de Diários de Motocicleta, teve até um abaixo-assinado veiculado na Internet a seu favor. O organizador dessa idéia foi ninguém menos que o ator e diretor Robert Redford, idealizador do Sundance Festival e um dos produtores do filme.

Um caso diferente foi o da banda Counting Crows, os preferidos na categoria com a bonitinha “Accidentally in Love” (Shrek 2). A banda de Adam Duritz fez uma apresentação mediana (diria que até Antonio Banderas se saiu melhor), deixando bem claro que deixa a desejar em apresentações ao vivo.

Tropeços acontecem...

Emmy Rossum se dirigia ao palco com seu longo vestido para apresentar a canção de O Fantasma da Ópera, filme da qual participa, quando tropeçou em seu próprio figurino e soltou um gritinho. Como se nada tivesse acontecido, ela cumpriu sua tarefa e chamou Beyoncé e Andrew Lloyd Webber. Pena que foi o único evento engraçado da noite.

Charlie Kauffman é finalmente honrado

OK, tem gente que não precisa de prêmios na estante para que os outros reconheçam seu talento, como é o caso do genial Charlie Kauffman. Mas, finalmente, o tímido roteirista de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças conseguiu chamar atenção o bastante da famosa Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e levou seu primeiro Oscar, derrotando na categoria de melhor roteiro original o recordista de indicações, O Aviador. Foi o único prêmio para o filme, que também foi indicado a melhor atriz (Kate Winslet).

Figurinos para agradar ou espantar

Essa questão de figurinos é muito pessoal, mas eu vou aproveitar que meu senso crítico está em forma e vou indicar os ‘mais’e os ‘menos’ da cerimônia do Oscar.

Na categoria masculina, os cinco mais foram Morgan Freeman, Tim Robbins, Samuel L. Jackson, Orlando Bloom e Leonardo DiCaprio, com destaque para Freeman, de longe o mais elegante e charmoso de todos. Não é à toa que Gwyneth Paltrow, na época que namorava o então homem mais sexy do mundo, Brad Pitt, respondeu a uma revista que preferia o Morgan Freeman.

Se os moços acima souberam escolher bem suas roupas, o mesmo não podemos dizer de Adam Duritz (Countig Crows), Prince, Robin Williams e o mais bem-intencionado de todos, Johnny Depp, com sua roupa meio-clássica e muito cafona.

O mais divertido é reparar nas roupas da estrelas. Por incrível que pareça, este ano teve menos figurinos bregas do que as edições anteriores do Oscar. A mais bela de todas foi a jovem e desconhecida Catalina Sandino Moreno, que provou que não é necessário se produzir tanto para ficar bonita. Outras escolhas felizes de figurino foram feitas por Halle Berry, Kate Winslet, Zhang Ziyi e Helen Mirren.

Não tiveram a mesma sorte Renée Zellweger, Cate Blanchett, Hillary Swank, Charlize Theron e a brasileira Gisele Bündchen, com uma batinha tão sem-graça quanto ela.

Confira os comentários de Cajabis Cannabis sobre o Oscar 2005.

 
Lucie Multiplex é correspondente do ABACAXI ATÔMICO em Itatiba (SP). E-mail: lucie@abacaxiatomico.com.br.

 

 

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