| Oscar
2005: o Show de incompetência da Globo
A cobertura
do Oscar feita pela Rede Globo foi a pior que tive a infelicidade
de acompanhar até hoje, a começar pela falta de respeito
aos telespectadores cinéfilos que não têm condições
financeiras, como eu, de pagar TV por assinatura. Os assinantes
da TNT tiveram a oportunidade de acompanhar a prestigiada premiação
na íntegra, com os comentários (quase) sempre bem-vindos
do crítico Rubens Ewald Filho. Quem teve de acompanhar pela
Globo, perdeu os primeiros quarenta minutos: a abertura da cerimônia,
as piadas inicias do apresentador Chris Rock, a entrega dos quatro
primeiros prêmios e a interpretação da música
"Vois Sur Ton Chemin", do filme A Voz do Coração,
indicada ao prêmio de melhor canção, foram substituídas
pelo irritante Pedro Bial e suas criaturas do circo de aberrações
(vulgo ‘reality show’) BBB5. Como escrever
sobre aquilo que não vi? Culpa da Globo! Deu saudades da
transmissão feita pelo SBT nos anos anteriores...
Além do atraso, foi difícil suportar
os comentários dispensáveis do ator José Wilker
e a apresentação meia-boca de Renato Machado. Sem
falar da deficiente tradução de Elisabete Hart, que
sozinha não dava conta de traduzir nem a metade do que foi
transmitido.
Wilker
e seus comentários "fundamentais"
Todos
os prêmios para O Aviador pareciam ser injustos para
José Wilker. Cada vez que um vencedor do filme recebia seu
prêmio, ele sempre dizia que era injusto. Esperava que Wilker
estivesse nos estúdios da Globo para comentar e não
palpitar sobre suas preferências. O seu candidato preferido
a melhor filme era Sideways, que na sua opinião
era o mais bem acabado e realizado entre os indicados. Já
Menina de Ouro, o grande vencedor, ele considerou uma “coleção
de clichês bem-feitos”. Esses comentários ainda
são aceitáveis, uma vez que expressam a opinião
pessoal do “crítico”. O pior foi quando ele comentou
que os filmes indicados a efeitos visuais eram filmes muito complexos
para sua inteligência, mas que no fim das contas ele achava
bonito. Alguém poderia chamar o Rubens, por favor!
Descaso
com os prêmios técnicos para abreviar premiação
Quando
a transmissão do Oscar de fato começa, Scarlett Johanson
entrega os ‘Prêmios Científicos e Técnicos’
àquele pessoal que nunca é devidamente reconhecido
pelas contribuições inventivas que fazem ao cinema.
De fato, eles nem foram tão reconhecidos assim no dia 27
de fevereiro, já que tinham recebido suas estatuetas em uma
outra ocasião e só compareceram lá para fazer
uma média.
Aliás, uma medida encontrada pelos organizadores
da Academia para abreviar e dinamizar o Oscar foi a de convidar
todos os indicados a prêmios técnicos (como figurino,
efeitos visuais, edição de som) a subir ao palco.
Lá, eles eram apresentados e o nome do vencedor era divulgado.
Os
Incríveis leva dois prêmios; estilista famosa
sobe ao palco
A Pixar
deve ter orgulho de Procurando Nemo e Os Incríveis.
As duas produções já renderam dois Oscar de
longa de animação seguidos ao estúdio. Além
do prêmio citado, Os Incríveis também
fisgou o de edição de som. E como a Academia adora
fazer umas inovações, ninguém menos que Edna,
a estilista maluca de Os Incríveis, dividiu as atenções
com Pierce Brosnan na apresentação dos indicados a
melhor figurino. Edna parecia estar tão segura que até
comentou os figurinos que concorriam ao prêmio. Por ironia,
a mais mal vestida das candidatas, Sally Powell, levou o prêmio
pelo seu trabalho em O Aviador.
Frases
que não precisariam ter sido ditas
“Espero
que meu filho algum dia possa se casar com a sua filha” -
de Cate Blanchett, vencedora do prêmio de melhor atriz coadjuvante
(O Aviador), para o diretor Martin Scorsese.
“Graças
a Deus não houve mais um episódio de O Senhor
dos Anéis” - de um dos vencedores do prêmio
de melhor efeitos visuais por Homem-Aranha 2, sobre a hegemonia
absoluta da trilogia fantástica nas últimas três
edições do Oscar.
As
canções continuam quase as mesmas
Como
explicar a presença de Beyoncé interpretando nada
menos que três das canções indicadas ao Oscar,
sendo que ela não gravou originalmente nenhuma delas? A cantora
foi a responsável pelas apresentações de “Believe”
(O Expresso Polar), “Learn To Be Lonely” (O
Fantasma da Ópera) e “Vois Sur Ton Chemin”
(A Voz do Coração). A justificativa de sua
presença no palco da premiação foi a mesma
de Antonio Banderas e Carlos Santana: como os originais não
eram nomes assim tão famosos, a Academia não viu problema
em impedi-los de interpretar suas canções. O caso
do uruguaio Jorge Drexler foi o que mais chamou a atenção
da mídia: o compositor e intérprete da vencedora “Al
Outro Lado Del Rio”, de Diários de Motocicleta, teve
até um abaixo-assinado veiculado na Internet a seu favor.
O organizador dessa idéia foi ninguém menos que o
ator e diretor Robert Redford, idealizador do Sundance Festival
e um dos produtores do filme.
Um
caso diferente foi o da banda Counting Crows, os preferidos na categoria
com a bonitinha “Accidentally in Love” (Shrek 2).
A banda de Adam Duritz fez uma apresentação mediana
(diria que até Antonio Banderas se saiu melhor), deixando
bem claro que deixa a desejar em apresentações ao
vivo.
Tropeços
acontecem...
Emmy
Rossum se dirigia ao palco com seu longo vestido para apresentar
a canção de O Fantasma da Ópera, filme
da qual participa, quando tropeçou em seu próprio
figurino e soltou um gritinho. Como se nada tivesse acontecido,
ela cumpriu sua tarefa e chamou Beyoncé e Andrew Lloyd Webber.
Pena que foi o único evento engraçado da noite.
Charlie
Kauffman é finalmente honrado
OK,
tem gente que não precisa de prêmios na estante para
que os outros reconheçam seu talento, como é o caso
do genial Charlie Kauffman. Mas, finalmente, o tímido roteirista
de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças conseguiu
chamar atenção o bastante da famosa Academia de Artes
e Ciências Cinematográficas de Hollywood e levou seu
primeiro Oscar, derrotando na categoria de melhor roteiro original
o recordista de indicações, O Aviador. Foi
o único prêmio para o filme, que também foi
indicado a melhor atriz (Kate Winslet).
Figurinos
para agradar ou espantar
Essa questão de figurinos é muito
pessoal, mas eu vou aproveitar que meu senso crítico está
em forma e vou indicar os ‘mais’e os ‘menos’
da cerimônia do Oscar.
Na
categoria masculina, os cinco mais foram Morgan
Freeman, Tim Robbins, Samuel L. Jackson, Orlando Bloom e Leonardo
DiCaprio, com destaque para Freeman, de longe o mais elegante e
charmoso de todos. Não é à toa que Gwyneth
Paltrow, na época que namorava o então homem mais
sexy do mundo, Brad Pitt, respondeu a uma revista que preferia o
Morgan Freeman.
Se
os moços acima souberam escolher bem suas roupas, o mesmo
não podemos dizer de Adam Duritz (Countig Crows), Prince,
Robin Williams e o mais bem-intencionado de todos, Johnny
Depp, com sua roupa meio-clássica e muito cafona.
O mais
divertido é reparar nas roupas da estrelas. Por incrível
que pareça, este ano teve menos figurinos bregas do que as
edições anteriores do Oscar. A mais bela de todas
foi a jovem e desconhecida Catalina
Sandino Moreno, que provou que não é necessário
se produzir tanto para ficar bonita. Outras escolhas felizes de
figurino foram feitas por Halle Berry, Kate Winslet, Zhang Ziyi
e Helen Mirren.
Não
tiveram a mesma sorte Renée
Zellweger, Cate Blanchett, Hillary Swank, Charlize Theron e
a brasileira Gisele Bündchen, com uma batinha tão sem-graça
quanto ela.
Confira
os comentários de Cajabis Cannabis sobre
o Oscar 2005.
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