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Beagá, 05 de abril de 2004 d.C.
 
Tanta polêmica por muito pouco...
Por Marina Peçonha
 

"Um filme que glorifica o sadismo e a tortura"; "anti-semitismo puro"; "humilhante e degradante"; "filme controverso"; "a mais longa sessão de tortura já contada"; "pode ser usado para apoiar opiniões anti-semitas"; "embrutecedor, violento, desumano e sadomasoquista"; "absoluta estupidez do ponto de vista da História"; e mais e mais balelas a respeito de A Paixão de Cristo são noticiadas diariamente a cada lançamento mundo afora.

Agora, cá entre nós: esses bispos, rabinos, religiosos e afins que estão a criticar o filme acreditam piamente que os momentos cruciais da vida de Jesus ocorreram na maior normalidade? Que flores cobriam a via crucis, que não houve flagelação e que sequer jorrou sangue da cruz? Será que na visão desses espectadores todo o martírio foi um mar de rosas com dignidade, respeito e zelo por Cristo? O quão sádicos eram os romanos na época? Qualquer livro de história é capaz de calar essas controvérsias a respeito.

Quantos filmes foram feitos retratando a vida de Cristo? Rei dos Reis, O Evangelho Segundo São Mateus, Jesus de Nazaré... Em todos os aspectos, a paixão e morte de Jesus são evocados da mesma maneira, a história por si todos sabem. Entretanto, o realismo com que cada detalhe é tratado em A Paixão de Cristo faz a diferença em todos os aspectos, principalmente na personificação de Jesus como um homem de carne e osso igual aos outros e que passava por sofrimentos, medos, angústias como qualquer mortal. O filme é bem feito, tem ótimas interpretações, como a de Maia Morgenstern no papel de Maria, a mãe de Jesus (curiosamente, o nome de Monica Bellucci, que faz Maria Madalena, vem em primeiro lugar nos letreiros).

O que marca o filme de Mel Gibson é a violência e o sangue que jorram na tela a cada passo de seu personagem principal - uma belíssima interpretação de Jim Cavazel, diga-se de passagem. Violência por violência, as telas do cinema estão repletas, seja em faroestes, na ficção científica, nas lutas marciais e em filmes de guerra, onde o sangue sempre correu solto. Mas, claro, o protagonista não era Jesus... e com isso, o sentimento de culpa aflora em toda a humanidade, onde alguns rejeitam enxergar a violência dos fatos.

Qualquer leigo que tenha lido os evangelhos em qualquer momento de sua existência e tenha visto o filme de Mel Gibson sabe perfeitamente que a película retrata apenas o que está escrito, sem tirar nem colocar. Se existe um ou outro detalhe que não condiz com os Evangelhos... enfim, quem estava lá mesmo para saber? Toda história contada, mesmo sendo escrita, sofre distorções daquilo que realmente aconteceu. Mas assim também não é a arte e o encanto do mundo cinematográfico?

Dizer que o filme é sádico, anti-semita ou qualquer outro tipo de baboseira serve apenas para aumentar a bilheteria e a conta bancária de Mel Gibson - a produção já ultrapassou os 60 milhões de dólares fora dos EUA. Por outro lado, e graças a toda essa poeira levantada pelo filme, vários criminosos estão se redimindo perante a lei, dada a comoção provada pelo filme (certamente, estavam temendo o inferno). A verdade é que em qualquer sessão de A Paixão de Cristo reina um silêncio mortal onde podem ser ouvidos choramingos, narizes fungando, certamente seguidos de lágrimas a brotar dos olhos dos espectadores. Parece que, ao final do filme, a platéia em peso vai se dirigir ao confissionário mais próximo. Quem quiser se impressionar, que o faça. Sua alma só tem a ganhar.

A remissão dos pecados...
O filme A Paixão de Cristo já opera milagres. Em um deles, um neonazista de 41 anos oriundo da Noruega confessou à polícia sua participação em atentados a bomba contra anarquistas ocorridos há dez anos em Oslo, em uma onda de conflitos entre neonazistas e anarquistas - um crime até então sem solução. Já no Texas, um homem de 21 anos confessou o assassinato de uma jovem de 19 anos que esperava um filho seu. O homicídio ocorreu no início do ano e o rapaz, arrependido, confessou o crime à polícia. Isso tudo aconteceu após ambos assistirem ao filme e temerem veementemente o inferno. Parece que nenhum político ainda assistiu ao filme, pelo menos aqui no Brasil...

O futebol a invadir as telas
Depois de A Paixão, Gibson se volta para os gramados. Exatamente: uma trilogia sobre o futebol será produzida pelo polêmico diretor e distribuída por sua empresa, a Icon. O primeiro filme já começa a ser rodado em abril e retrata um jovem hispânico que vive em los Angeles e sonha em ser uma estrela mundial, personagem interpretado por Dirgo Luna. Já o segundo filme vai mostrar a ascensão do craque em grandes times da Europa, culminando na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. A trilogia tem o patrocínio da Fifa e a direção será do inglês Michael Winterbottom.

De 007 a Matador
Pierce Brosnan vai encarar um matador de aluguel durante as filmagens de The Matador, que já está em plena produção no México. Segundo o otimista astro irlandês, o filme será espetacular. A direção será de Richard Shepard e no elenco estão também Greg Kinnear (Melhor Impossível), Hope Davis (O Beijo da Morte) e os mexicanos Roberto Zonza e Claudia Lobo. Não há data definida para a estréia.

A novela Indiana Jones continua
Depois da desilusão dos fãs no fracasso das negociações de roteiro entre Frank Darabont e George Lucas, o australiano Stuart Beattie foi o escolhido para colocar o ponto final no roteiro de Indiana Jones 4. Para quem não sabe, Beattie foi o roteirista de Piratas do Caribe, onde realizou um belo trabalho. É aguardar pra ver.

Estava demorando
Você pode até não conhecê-lo, mas o seu filho, sobrinho ou qualquer criança com certeza sabe quem é Bob Esponja. E como todo desenho animado que faz um baita sucesso entre as crianças, a esponja que vive em um abacaxi (é isso mesmo? Será um abacaxi "atômico"?) terá sua vez. Com vozes de Scarlett Johansson, Alec Baldwin e Jeffrey Tambor, o desenho The SpongeBob SquarePants Movie tem sua estréia mundial marcada para o final do ano. A direção é do criador da série animada, Stephen Hillenburg. Pais e tias: preparem-se.

A internet é uma mãe
Os cinéfilos de plantão amam, adoram a internet. Tanto que baixam de 400 a 600 mil filmes a cada dia em todo o mundo através do sistema P2P provocando a ira da indústria cinematográfica, isso segundo a Associação Americana de Cinema. Diferentemente das cópias em vídeo piratadas, a mídia digital pode ocasionar inúmeras cópias sem perda da qualidade de imagem ou vídeo, o que faz a alegria dos piratas da rede. Por outro lado, a poderosa indústria afirma que os prejuízos são cada vez maiores, sendo impossível a criação de taxas e impostos para diminuir o suposto preju, como a taxa de fitas de vídeo instaurada em 1982 pelo Congresso Americano. Enquanto a soluçao para o problema está longe de ter fim, a pirataria faz a festa.

 

 

 

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