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Beagá, 15 de março de 2004 d.C.
 
O explosivo filme de Mel Gibson rendeu, só na primeira semana em cartaz nos EUA, mais de 150 milhões de dólares
Por Marina Peçonha
 

A polêmica está nas telas. Você já viu?
Provavelmente não, já que A Paixão de Cristo só chega às telas na próxima sexta-feira, dia 19 (a não ser que você tenha descolado seu lugar em alguma das pré-estréias, o que não foi o nosso caso). Quem acompanha a coluna sabe dos percalços do filme desde a sua pré-produção até a estréia americana, e toda a repercussão que vem tendo desde então. Anteriormente considerado um provável fiasco de bilheteria, o filme de Mel Gibson já deu retorno dos custos da produção devido à bilheteria que ultrapassa os 200 milhões de dólares nos EUA, onde em algumas cidades os ingressos chegaram a se esgotar. Mel Gibson deve faturar 150 milhões de dólares livres pelo filme, que custou uns 30 milhões de produção + 20 de divulgação. Em uma sessão na cidade de Wichita, no estado do Kansas, uma mulher de aproximadamente 50 anos teve um enfarte durante a cena da crucificação (dizem ser a mais emocionante e violenta). À parte de toda essa polêmica, os livreiros comemoram, já que o filme impulsionou também o interesse pela literatura bíblica. Nada como pôr lenha na fogueira para aumentar ainda mais a$ polêmica$.

O filme em si...
...também não escapa dos olheiros de plantão. Segundo o site MovieMistakes, A Paixão de Cristo tem um monte de erros não apenas de continuidade, mas também de roteiro. Um dos deslizes técnicos pode ser percebido na cena da crucificação, onde a mão do ator que protagoniza Cristo, Jim Caviezel, aparece junto com a prótese martelada na cruz. Credo!!!

Questionamentos
Os bispos católicos das Filipinas aprovaram o filme, recomendando-o aos fiéis. Já os bispos brasileiros que o assistiram, estão divididos. Alguns o defendem veementemente, alegando que A Paixão de Cristo "é historicamente correto e profundamente emotivo, e que a violência mostrada nele representa a força de Jesus". Para outros bispos que fizeram declarações a respeito, o filme não coloca nem os romanos tampouco judeus como os vilões, mas simplesmente expressa o que diz a Bíblia. Para Dom Odilo Pedro Scherer, o diretor Mel Gibson apenas passou para as telas a "realidade que está nos evangelhos (...) no seu estilo artístico com imagens chocantes, com muito sangue". Já o Rabino referência nacional e presidente da Congregação Israelita Paulista Henry Sobel discursou afirmando que o filme é pura violência, não está calcado em fundamentação teórica de credibilidade e que nem mesmo alguns dos bispos católicos que o acompanhavam na sessão privada do filme aplaudiram ou elogiaram a produção. A preocupação fundamental do Rabino e de dúzias de descontentes com A Paixão de Cristo é que ele possa vir a fomentar o anti-semitismo.

Alguns clamam pela proibição
Um advogado de São Paulo entrou com um requerimento na justiça para proibir a exibição de A Paixão de Cristo no país. Segundo ele, o filme é um apelo à violência e explicitamente preconceituoso, além de ser anticristão. Jacob Pinheiro Goldberg fez o pedido à Secretaria Especial de Direitos Humanos no último dia 09, alegando apologia ao racismo e solicitando, no mínimo, censura 18 anos (a previsão é de 14). O ministro Nilmário Miranda, responsável pela pasta, ainda não deu seu parecer a respeito. A propósito, Jacob Pinheiro teve acesso ao filme através de um DVD pirata de um amigo, comprado em uma entre milhares de bancas de camelôs da capital paulista.

Indo ao cinema durante a quaresma
Nos bastidores sempre tem alguém querendo lucrar com toda essa polêmica e o filme outrora rejeitado pelas distribuidoras ganha espaço até na TV. A Fox, que distribui o filme, começa a divulgá-lo nas telinhas brasileiras em intervalos de programas de grande audiência. O apelo à cristandade em tempos de quaresma certamente ampliará a bilheteria.

Filme Hollywoodiano em terras tupiniquins
Genesis Code, estrelado por Andy Garcia, será filmado no Brasil. A trama, que não teve maiores detalhes divulgados, é baseada no romance de John Case e o filme será dirigido por Hugh Hudson. O motivo pelo qual os produtores decidiram-se por nosso país é devido aos baixos custos de produção - aqui, o dólar rende mais.

Papel antigo vira dinheiro
Um leilão em Londres arrecadou nada menos que R$ 1 milhão por cerca de 200 cartazes antigos de cinema. O cartaz mais valorizado foi o do filme Bonequinha de Luxo, de 1961 e com Audrey Hepburn no elenco, seguido por Expresso de Xangai, de 1932 e estrelado por Marlene Dietrich. O próximo leilão de cartazes raros acontece em setembro, por isso remexa suas gavetas e veja se não há nada de valor entre suas quinquilharias cinematográficas!

Aparecida até demais
A atriz Nicole Kidman não se cansa de ganhar dinheiro, sendo vista em diversas produções simultaneamente em cartaz. E quem ainda não enjoou da australiana pode esperar mais um pouquinho para conferir suas novas aparições: American Darlings (com Jennifer Lopez), filme que volta à década de 40, mostrando um grupo musical composto apenas por mulheres. A segunda produção é A Feiticeira e o Guarda-Roupa, uma obra infantil adaptada pela Disney - não confundir com a adaptação cinematográfica de A Feiticeira, aquele seriado, lembra? A propósito, esse também está em pré-produção. Mas prosseguindo, Kidman estará presente em Birth e The Stepford Wives, que já se encontram em fase de pós-produção, além de estar filmando neste momento (agora, nesse exato instante mesmo!) The Interpreter e Alexandre, o Grande. Projetos futuros envolvendo o nome da oscarizada (ainda estão no papel, mas já foram anunciados) são The Producers e Emma's War.
Depois disso, bem que Kidman poderia sair de férias...

 

 

 

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