Sexta-feira, Março 10, 2006
O Sol de Cada Manhã

The Weather Man, EUA, 2005. Direção de Gore Verbinski. Com Nicolas Cage, Michael Caine, Hope Davis, Gemmenne de la Peña, Nicolas Hoult, Michael Rispoli. Cor, 121 minutos.
Site oficial: http://weathermanmovie.com
Site IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0384680
Filmes que tratam de temas como conflitos familiares costumam cometer alguns exageros, sendo que o principal deles é o melodrama excessivo, que só parece ter o propósito de fazer o espectador comover-se e chorar.
O Sol de Cada Manhã, de Gore Verbinski, é mais cômico do que dramático. É claro que conflitos não faltam na vida de David Spritz (Nicolas Cage), um homem do tempo de um telejornal de Chicago, atormentado pelo seu fracasso como pai, filho, marido e profissional. Quando David tenta descobrir o que deu errado em sua vida, sua tendência seria a de culpar o pai por seu fracasso, mas ele mesmo confessa que seu pai (Michael Caine) foi uma figura importante e presente nos mais diversos momentos de sua existência.
Como na vida real, seria mais fácil construir um enredo em que a figura paterna é a responsável pelo medo e tormento do filho, como Franz Kafka em
Carta ao Pai. Mas em
O Sol de Cada Manhã, o destino de David não foi traçado pelo pai, mas por sua própria conduta. Para entender a narrativa angustiada e irônica de David (refletida em uma trilha sonora monótona e repetitiva), deve-se estar atento aos fatos ocorridos em sua vida. Pai ausente antes e após o fim de seu casamento, para ele é mais cômodo insultar a ex-mulher e o namorado a compreender o que acontece com seus filhos - Mike (Nicholas Hoult, de
Um Grande Garoto), o primogênito, teve problemas com drogas, enquanto Shelly (Gemmenne de la Penã), a caçula, é obrigada a suportar apelidos pelo fato de ser obesa.
Apesar de ser bem-sucedido financeiramente, David é visto pelo público como "o idiota da tv" e, constantemente, é acertado na rua por todo tipo de fast-food. Seu salário anual é satisfatório, mas seu emprego não lhe garante o mesmo prestígio e sucesso que seu pai alcançou na carreira de escritor. A relação de David com o pai o faz pensar nas atitudes que tomou ao longo dos anos e decidir mudar sua vida. Procura outro emprego, torna mais afetiva sua relação com a filha, tenta reatar com a ex-mulher e busca compreender o que se passa com o filho.
Mesmo após conhecer o passado e o presente ordinários de David, o espectador se sente tentado a torcer por ele. A relação comovente e impressionante do personagem com o pai torna Michael Caine e Nicolas Cage uma das melhores duplas "pai-e-filho" do cinema: quando os dois aparecem juntos, é quase impossível não torcer para que a cena dure mais. Caine interpreta um pai ao mesmo tempo rígido e afetuoso, que conversa com o filho como se ele ainda vivenciasse a infância. Cage, por sua vez, constrói um personagem ambíguo. Ora ele merece uma segunda chance, ora deve enfrentar todos os obstáculos que lhe são impostos para aprender a controlar sua maneira de agir.
A direção de Verbinski surpreende. Diretor responsável pelo blockbuster
Piratas do Caribe e por
A Mexicana (filminho dispensável estrelado por Brad Pitt e Julia Roberts), ele mostra sensibilidade ao retratar um homem do tempo confuso em uma Chicago coberta de neve. Aliás, é interessante como o diretor consegue contar a história utilizando o inverno e suas implicações não como elemento coadjuvante, mas como um dos personagens principais.
O Sol de Cada Manhã é um filme para ser revisto com muito prazer. Dificilmente uma produção hollywoodiana posterior sobre relacionamento familiar conseguirá o mesmo êxito emocional que ele proporciona.
Avaliação:
:: Postado por Lucie Multiplex às 08:39
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Mulheres do Brasil
Brasil, 2006. Direção de Malu de Martino. Com Camila Pitanga, Deborah Evelyn, Carla Daniel, Bete Coelho, Roberta Rodrigues, Dira Paes, Luana Carvalho, Luciano Szafir. Cor, 113 minutos.
Site oficial: http://www.ehfilmes.com.br/mulheres
Site IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0446407/O novo grande lançamento do cinema nacional está chegando às telas. É o longa-metragem
Mulheres do Brasil, produzido pela mesma empresa que realizou
Cidade de Deus e
Central do Brasil. O filme, que vai ocupar mais de 100(!) salas de cinema em todo o país, está recebendo bastante espaço e destaque na mídia. É o maior lançamento do cinema nacional nos últimos tempos. Até uma revista foi lançada pela Editora Abril, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher e também para promover o filme. Segundo o release, o filme "conta a história de cinco mulheres que amam, trabalham e sonham em cinco cidades brasileiras". Dá até um frio na espinha lendo.
Mulheres do Brasil se constitui de cinco histórias, cada uma passada em um lugar do país - e cada uma das histórias pior que a outra. Na verdade, este filme é um exemplo interessante de como tudo na vida pode ficar ainda pior.
Na primeira história, Camila Pitanga é uma menina do interior da Bahia que recebe uma educação privilegiada por parte de sua família, que não mede esforços para que ela tenha um futuro promissor. Entretanto, sabe-se lá o porquê, quando chega à idade adulta a garota se torna uma garota de programa, sendo sustentada por um político na capital baiana. A dubiedade do caráter da personagem é apresentada sem nenhuma explicação. Mas acho que pedir alguma explicação é demais para um roteiro tão estúpido quanto o deste filme.
A história em seguida é completamente idiota. Trata-se de uma estudante de turismo que vai fazer um trabalho de faculdade numa praia da cidade de Maceió e conhece um casal formado por um pescador e uma rendeira. Daí a menina começa a refletir sobre a vida inútil que leva como pequena burguesa e resolve "se descobrir" - ou qualquer dessas viadagens. São constrangedores os diálogos entre a estudante (Luana Carvalho, numa infeliz estréia cinematográfica) e a rendeira (pobre Dira Paes), as conversas são de fazer qualquer ser humano sensato corar de vergonha. Em determinado momento da conversa entre as duas personagens, Dira Paes se atira na água de roupa e tudo, sem nenhum motivo - lá em Alagoas faz muito calor e as pessoas de repente ficam loucas, se atiram na água sem mais nem menos, deve ser essa a explicação. Então a rendeira dá uma lição de vida à menina burguesa (e a todos nós, o público, também: evite filmes nacionais) ao bradar: "solte suas amarras!" É tão bizarro que chega a ser cômico. O elenco está tão perdido que a impressão que se tem é que está rolando um clima entre as duas, a estudante e a rendeira, e que vai haver um beijo lésbico a qualquer momento, sendo que isso passa longe da intenção da história. Entretanto, o mais impressionante nisso tudo é saber que duas escritoras se juntaram pra escrever essa narrativa tão patética.
Depois vem a história menos horrível das cinco, mas nem por isso ela deixa de ser ruim. É sobre uma porta-bandeira de escola de samba do Rio de Janeiro que se prepara para desfilar no carnaval. Trata-se de um verdadeiro e previsível dramalhão. Ao menos, não insulta muito a inteligência. A seguir, nossas atenções voltam-se para Curitiba. A quarta história tem um argumento curioso: são duas amigas que trabalham como garçonetes e vivem num bairro pobre da cidade. Uma delas se apaixona pelo locutor de um programa de rádio. O desfecho é simplesmente terrível. E no último segmento do filme, ambientado na cidade de São Paulo, uma história completamente absurda mostra a que nível uma mulher decadente de 40 e poucos anos recém-separada do marido pode se rebaixar. É simplesmente deprimente.
Pra começar, o roteiro (?) é pavoroso. As histórias não se articulam entre si, não têm propósito algum, não têm conflito ou as resoluções são as mais esdrúxulas possíveis. As personagens são mal construídas, completamente planas, chapadas, sem a menor profundidade - podem ser reduzidas a mulheres totalmente descerebradas, cujas ações se dão por impulso e não requerem explicação ou contextualização.
Para piorar ainda mais, das cinco histórias três são intercaladas por depoimentos que serviriam para ilustrá-las, para dar um tom documental à narrativa - são rendeiras, porta-bandeiras e prostitutas reais, que contam suas experiências. Mas, pra quê? Com qual objetivo? O tom "verdade" da primeira história é a exibição gratuita de cenas de procissões religiosas em Bom Jesus da Lapa. Na história paulistana, a última (pra fechar o caixão), apenas ouvimos relatos de mulheres em off que, assim como a personagem principal, se separaram do marido depois dos 40 anos. Não preciso dizer que o resultado é um verdadeiro Frankstein narrativo, uma monstruosidade dramática. Os depoimentos simplesmente não se mesclam com as histórias, soam falsos, forçados, sem o menor cabimento, e quebram o ritmo da narrativa justamente por serem tão banais, estereotipados, tão frívolos quanto os personagens do filme. E esta obra ainda se propõe a retratar as mulheres do Brasil...
As atuações variam entre ruins e péssimas. Ver uma boa atriz como Dira Paes fazer papel de boba é algo indescritível. Deborah Evelyn e Carla Daniel ainda se esforçam no sotaque e fazem duas coritibocas aceitáveis, mas o final bizarro da história joga tudo por terra. Apenas Luciano Szafir parece adequado no papel de reprodutor/homem objeto, que aliás lhe cai muito bem.
E tem mais. Erros crassos de enquadramento em alguns planos, utilização equivocada da trilha sonora, tentativa absurda de juntar todas as cinco histórias no último episódio através de uma passagem pra lá de tosca, digna de teatrinho de colégio: é tão fake e horroroso que dá pra assustar.
Provavelmente, Prostit... Ops,
Mulheres do Brasil vai ser um enorme sucesso de bilheteria graças à publicidade que está recebendo. Mostrando e glorificando mulheres estúpidas e vulgares, tolas e fúteis, esquizofrênicas e neuróticas, este filme tem tudo para conquistar o público. Em tempos obscuros como os nossos, quando intelectuais elogiam o funk de Deize Tigrona, nada mais me espanta. De qualquer maneira, a verdade é que tudo nesse filme é ridículo e execrável. Simplesmente abaixo da crítica.
Avaliação:
:: Postado por Cajabis às 01:00
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Quinta-feira, Março 09, 2006
Firewall - Segurança em Risco
Firewall, EUA, 2006. Direção de Richard Loncraine. Com Harrison Ford, Paul Bettany, Virginia Madsen, Mary Lynn Rajskub, Robert Patrick, Robert Forster, Alan Arkin, Carly Schroeder, Jimmy Bennett. Cor, 105 minutos.Site oficial: http://wwws.br.warnerbros.com/firewall/
Site IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0408345/ É legal ver um ator como Harrison Ford na telona. O cara é legal.
Deve ser por causa do Indiana Jones, tudo bem, mas ele é legal. Chato
mesmo é vê-lo em filmes final de carreira como
Divisão de Homicídios,
onde ao final você se pergunta "mas pô, como é que ele foi se meter
nessa roubada?"
Firewall é o 28547º filme de ação de Harrison Ford e, dessa vez, a
gente sente um certo prazer em revê-lo. Isso porque o filme funciona
- e funciona bem. E assistir o ex-Indy atuando é como rever um velho
conhecido que você gosta e tal e quer sempre ver se dando bem, afinal
de contas o cara é gente boa. O lado bom de Ford ter se especializado
nesse tipo de filme é esse: a familiaridade com o público. Chato é
que Harrison Ford parece sempre interpretar o mesmo personagem -
claro que em situações diferentes e sob determinados níveis de
pressão: muito pressionado, extremamente pressionado e a 5 mil metros
de profundidade (literalmente, se pensarmos no bacana e desprezado
K-19, onde faz o papel de um comandante de um submarino soviético).
Mas deixa pra lá. A história aqui é interessante. Nosso herói é Jack
Stanfield, um alto executivo de um banco em Seattle (abrindo
parêntesis: quando é que vamos ver um filme brasileiro cuja história
se passe em Curitiba, Belo Horizonte, Manaus? Aplausos pro pessoal da
Casa de Cinema de Porto Alegre, que consegue romper com o eixo
Rio-São Paulo. Fecha Parêntesis). Ele é um especialista em segurança,
foi ele quem criou os sistemas de proteção para a rede de
computadores da empresa. Tem uma alta posição na firma, uma ótima
condição financeira, uma muié coroa gata e dois filhos lindos, além
de uma casa na beira do mar, coisa de grã-fino mesmo.
O fato é que um bando de bandidos (horrível, mas vai assim mesmo)
muito maus (claro que são maus, senão não seriam bandidos) está
monitorando a vida de Jack, filmando sua rotina, grampeando seus
telefones e gravando suas conversas, bisbilhotando a internet. O
bacana é que o filme não perde muito tempo com frescuras e já vai
apresentando a situação durante a exibição dos créditos iniciais. Com
as informações obtidas através da espionagem, os larápios se
aproveitam de um descuido e invadem a casa de Jack, mantendo então
como reféns seus dois filhos lindos e sua esposa apaixonada. O
objetivo? Obrigar Jack a burlar o sistema de segurança de sua
empresa, que ele próprio elaborou, para que a quadrilha transfira 100
milhões de dólares para contas bancárias no exterior.
Daí, você se pergunta: mas por que, ora bolas, o Jack não avisa a
polícia? E eu te respondo: porque Jack está "de mãos atadas", afinal
de contas tem seus movimentos severamente vigiados pelos malfeitores
por uma parafernália eletrônica de encher o raio do saco. Não preciso
dizer que, se der um movimento em falso, alguém de sua família morre.
Para complicar, há uma pitada de "não saiu conforme planejamos"
porque o banco em que Jack trabalha está sendo vendido, e disso os
bandidos não sabiam, o que complica as coisas. Isso porque vários
computadores da empresa foram transferidos de local, necessários para
que o golpe desse certo, e daí nosso herói vai ter que se virar para
burlar o próprio sistema de segurança com o Ipod da filha
aborrescente - não me perguntem como ele vai fazer isso ou se tal coisa é possível no mundo real, habitado por nós, os pobres mortais.
Nada tão assim original, repleto de clichês (o bandido que não é tão
mau assim, mas em compensação o chefe do bando é mau pacas, os filhos lindos e
pôbremáticos, o caçula tem pôbrema de saúde, o mocinho apanha mais
que ator de pegadinha, a trama tem reviravoltas mil e tal...).
Entretanto, estes clichês são muito bem costurados por um roteiro
preciso, que não perde tempo com explicações e também não enrola o
expectador, indo direto à ação. Os personagens secundários estão bem
delineados e os atores são bacanas (atenção para Mary Rajskub, a
Chloe de
24 Horas faz a secretária de Harrison Ford), tudo é muito
correto, preciso e a família ainda tem um cachorrinho que vai fazer
as menininhas esclamarem "que lindinho" no cinema cada vez que o
peludo aparecer. É diversão bacana pra rever o véio Indiana Jones. E
outra coisa boa: é o filme de ação ideal para se levar a namorada -
pra ela babar pelo cachorrinho.
Avaliação:
:: Postado por Cajabis às 20:25
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Segunda-feira, Março 06, 2006
Soldado Anônimo

Jarhead, EUA, 2005. Direção de Sam Mendes. Com Jake Gyllenhaal, Peter Sarsgaard, Jamie Foxx, Chris Cooper, Brianne Davis. Cor, 123 minutos.Site oficial: www.jarheadmovie.comSite IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0418763Na cerimônia do Oscar 2000, Sam Mendes foi consagrado o melhor diretor graças a Beleza Americana, também premiado com a cobiçada estatueta. Seis anos mais tarde, o diretor inglês volta a alfinetar a sociedade americana, acostumada a encarar a guerra como um evento em que se deve provar a hegemonia norte-americana e o amor à pátria. Se em Beleza Americana criticava-se uma classe média apegada ao consumo e à falsa imagem, em Soldado Anônimo o roteiro de William Broyles Jr. (que também escreveu Náufrago) limita-se a relatar as relações, decepções e esperanças de um grupo de soldados na Guerra do Golfo, o que torna o filme menos denso do que poderia ser.
Baseado no livro de Anthony Swofford, personagem interpretado nas telas pelo ótimo Jake Gyllenhaal, Soldado Anônimo traz cenas memoráveis, como a exibição do clássico Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, para uma platéia formada por jovens soldados, que gritam e aplaudem durante a famosa cena em que helicópteros norte-americanos bombardeiam a população vietnamita ao som de Richard Wagner. Desprovidos de qualquer senso crítico sobre o que significou a Guerra do Vietnã ou sobre o que Apocalypse Now realmente representa, aos jarheads (nome em referência ao corte de cabelo dos militares) nada mais resta a não ser preparar-se para a oportunidade de um dia poder lutar pela nação.
Swofford, filho de um veterano do Vietnã, sonha em ser atirador. Para sua sorte (ou azar), o presidente George Bush decide mandar tropas para defender o Kwait, pequeno país asiático invadido pelo Iraque. Para Swofford e seus companheiros é um privilégio servir à nação como fuzileiro naval, proteger um povo ameaçado pelo ditador Saddam Hussein e, quem sabe, ser reconhecido quando a guerra terminar.
Chegando ao Golfo Pérsico, todos querem ação, explosão, tiros e sangue. Entretanto, a missão desses soldados acaba sendo a de vigiar os poços petrolíferos aos arredores de seu acampamento. É no momento em que retrata a rotina dos soldados no deserto que o filme perde o seu ponto de vista crítico, pois canalizar a crítica em um único personagem (o típico soldado aloprado que não respeita os colegas e tão pouco os nativos, vistos sempre como inimigos mortais) tornou-se um artifício pouco convicto. Também falta ao filme uma discussão mais política sobre o significado dessa guerra - em poucos momentos discute-se quais deveriam ser as verdadeiras razões da mobilização do exército dos Estados Unidos.
O grande mérito de Soldado Anônimo é o de ser um filme de guerra que deixa os discursos patrióticos de lado, ao contrário do recente Falcão Negro em Perigo, de Ridley Scott, que também abusou ao mostrar os invasores como ingênuos e inocentes.
Avaliação:
:: Postado por Lucie Multiplex às 12:01
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