Quando um Estranho Chama
When a Stranger Calls , EUA, 2006. Direção de Simon West. Com Camilla Belle, Tommy Flanagan, Tessa Thompson, Brian Geraghty, Clark Gregg, Derek de Lint, Kate Jennings Grant. Cor, 87 minutos.Site oficial: http://www.quandoumestranhochama.com.br/Site IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0455857/Existem alguns filmes que fica um pouco difícil analisar e classificar. Quero dizer o seguinte: o que dizer de um filme que não é bom e nem consegue ser decentemente ruim? Quer dizer: você vai ao cinema como se não tivesse mais nada pra fazer na vida e daí entra na sala onde está passando esse filme. Daí, sai 90 minutos depois como se nada tivesse acontecido naquela hora e meia. O que dizer sobre um filme desses?
Claro que acontece com freqüência, pelo menos comigo, que vou muito ao cinema e assisto muita coisa. Às vezes saio do cinema com a impressão de que poderia estar em casa fazendo QUALQUER COISA, ao invés de ter assistido ao filme que acabei de ver. Isso porque quando você assiste um filme bom... Você sabe, sai do cinema recompensado, feliz, de bom humor. Quando você assiste um filme ruim, sai maldizendo o diretor, o fotógrafo, os atores, o montador, o projetista, os figurantes, o produtor, a moça da pipoca e o trocador do ônibus na hora de voltar pra casa. Ou seja, pelo menos dá pra falar mal do filme. E vocês sabem que falar mal de alguma coisa é com a gente mesmo.
Entretanto,
Quando um Estranho Chama é um filme ruim que dá vontade de esquecer. Esse filme não serve nem pra se falar mal dele, não vale a pena. Trata-se de um filme de suspense (anhnnnnnnnnn, que preguiça), remake de uma produção chamada
Mensageiro da Morte, de 1979 (vocês viram? Eu não). Dirigido por Simon West, um dos maiores cineastas de todos os tempos, diretor de pérolas como o primeiro filme da
Lara Croft (ei, isso é uma gozação, hein!),
Quando um Estranho Chama conta a história de uma garota muito gostosinha que, em uma noite escura e tempestuosa (que mêda), vai trabalhar como babá para uns ricaços em uma casa distante, perto de um lago (seria o lago onde afundaram o Jason? Isso poderia explicar muita coisa), no alto de uma colina, onde judas perdeu as botas (claro, tem que ser longe da civilização pra polícia demorar a chegar e ter mais tempo pra encher lingüiça no filme). A mocinha precisa de uns trocados pra pagar a conta do celular - seus pais são pessoas sérias e querem que ela seja uma menina responsável, porquanto uma menina responsável paga a própria conta de celular.
A garota chega para cumprir sua missão e, comedidamente, passeia pelos 1842 cômodos do imóvel. A casa é pra lá de bacanésima, chique pra dedéu. Até a lareira é controlada por controle remoto - daí, se você tem um neurônio mais ou menos ativo, já sabe que alguma coisa vai acontecer logo depois, envolvendo a bendita da lareira. Sabe o que quero dizer, né? Daí, é pra ela não fazer barulho, afinal as crianças dos bacanas já estão dormindo. Ah, e eles têm uma empregada mexicana - ou colombiana, panamenha, peruana, o que sabemos é que ela é uma cucaracha e se chama Rosa. Bom, chamá-la de Frida seria demais, deixa pra lá. E você já imagina o que vai acontecer com ela, no filme né? Dou-lhe uma, dou-lhe duas...
Espera, eu tava contando a história. Mas, na verdade, não precisa contar muita coisa. O filme é um amontoado aborrecido de clichês com um roteiro que não dá pra engolir. O fato é que há um psicopata à solta (mái Gódi, que original!) e o doido começa a assustar a pobre e indefesa babá, passando trotes para ela. Tudo bem, ela fica assustada porque o malfeitor parece estar observando-a, e isso até assusta qualquer pessoa; daí, nossa babá (vem cuidar de mim, gostosa) liga pra polícia e esperneia com o policial de plantão. Claro que o maníaco doido varrido dá um jeito de entrar na casa (sabe-se lá como) porque senão não tem história, né verdade? Ah, talvez tenha sido quando a amiga galinha da babá responsável apareceu do nada pra visitá-la - pra história render um pouco, entende? Aliás, este filme tem uma mensagem edificadora: os psicopatas preferem matar garotas vagabundas e imigrantes cucarachas, as mocinhas boazinhas sobrevivem.
Praticamente não há sustos, embora o filme pegue um pouco no tranco na hora do vamo vê. Tenta-se criar um clima de suspense abusando-se de uma trilha sonora chatíssima, que cansa o espectador, aporrinha o saco. E os próprios "sustos falsos" aborrecem - ah, esqueci de comentar que a casa tem um gato... PRETO... que fica sempre pentelhando a protagonista... E as ligações telefônicas se alternam entre o maníaco perseguindo-a e colegas ligando, sempre na expectativa de que vai acontecer alguma coisa e tal... E tem corpo debaixo d'água, carro que não pega justamente na hora que deveria pegar, trauma que fica pelo resto da vida... Chega... Falei muito pra um filme que não merece maiores considerações.
Avaliação:
:: Postado por Cajabis às 23:31
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