Sexta-feira, Abril 07, 2006
E se Fosse Verdade
Just Like Heaven, EUA, 2005. Direção de Mark Waters. Com Reese Witherspoon, Mark Ruffalo, Donal Logue, Dina Spybey, Ben Shenkman, Jon Heder. Cor, 95 minutos.
Site oficial: http://www.justlikeheaven-themovie.com
Site IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0425123
O cinema adora mostrar que workaholics têm uma vida profissional invejável, mas no campo familiar e amoroso são um desastre (alguns exemplos recentes são
Um Homem de Família e
Kate & Leopold). As mulheres são solteironas que fingem não ligar para essa história de casamento, entretanto buscam um homem compreensivo, inteligente, sensível e bonito - as qualidades não são listadas exatamente nessa ordem. Workaholics têm dinheiro, sucesso e amigos, embora falte tempo para desfrutarem desses benefícios. Vivem num mundo cruel e são castigados por não optar pelo tradicional modelo "esposa-marido-filhos". Alguns morrem (ou quase) assim que conseguem alcançar seus objetivos profissionais, como a médica Elizabeth Masterson (Reese Witherspoon), personagem central dessa despretensiosa comédia romântica.
A vida de Elizabeth se resume aos plantões que faz num hospital de San Francisco, onde chega a trabalhar por 26 horas ininterruptas. No dia em que iria conhecer o futuro homem de sua vida, um trágico acidente automobilístico a deixa em coma. Mas a jovem não sossega e seu espírito passa a importunar David Abbott (Mark Ruffalo), um viúvo que aluga o apartamento em que ela morava com todos os itens inclusos, como móveis, utensílios, roupas de cama. E o restante da história o espectador já pode imaginar.
Mais interessante do que observar a dupla Ruffalo-Witherspoon é acompanhar a descoberta da médica quanto à sua identidade. Seu espírito não sabe o que aconteceu, não sabe quem é (ou quem foi). Só quer se livrar do estranho que ocupou um espaço que é seu. Ao incorporar uma Elizabeth irritante, Reese Witherspoon comprova que é uma das melhores atrizes de sua geração.
Mesmo com muitos clichês e uma lição de moral que pode ser notada nos primeiros minutos do longa,
E se Fosse Verdade surpreende com o desenvolvimento de sua história. É claro que o diretor Mark Waters (
Sexta-feira Muito Louca) e os roteiristas Peter Tolan e Leslie Dixon poderiam tornar o filme menos
dèjá vu e mais criativo, mas ainda assim ele é bem melhor do que muita coisa do gênero lançada ultimamente.
O filme se torna mais sério quando o tema da eutanásia é colocado em discussão - não de um modo tão dramático e demorado quanto em
Menina de Ouro -, no entanto sua abordagem é de tal modo superficial que raramente o espectador vai se lembrar dele após assistir ao filme (se bem que isso ocorre em
Menina de Ouro, um filme sobre boxe, e não sobre eutanásia). Ao final, sobrarão mais comentários sobre espiritismo, cara-metade e destino. Enfim, essas coisas de novela das seis...
Avaliação:
:: Postado por Lucie Multiplex às 08:39
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