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Quinta-feira, Março 09, 2006



Firewall - Segurança em Risco



Firewall, EUA, 2006. Direção de Richard Loncraine. Com Harrison Ford, Paul Bettany, Virginia Madsen, Mary Lynn Rajskub, Robert Patrick, Robert Forster, Alan Arkin, Carly Schroeder, Jimmy Bennett. Cor, 105 minutos.

Site oficial: http://wwws.br.warnerbros.com/firewall/
Site IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0408345/


É legal ver um ator como Harrison Ford na telona. O cara é legal.
Deve ser por causa do Indiana Jones, tudo bem, mas ele é legal. Chato
mesmo é vê-lo em filmes final de carreira como Divisão de Homicídios,
onde ao final você se pergunta "mas pô, como é que ele foi se meter
nessa roubada?"

Firewall é o 28547º filme de ação de Harrison Ford e, dessa vez, a
gente sente um certo prazer em revê-lo. Isso porque o filme funciona
- e funciona bem. E assistir o ex-Indy atuando é como rever um velho
conhecido que você gosta e tal e quer sempre ver se dando bem, afinal
de contas o cara é gente boa. O lado bom de Ford ter se especializado
nesse tipo de filme é esse: a familiaridade com o público. Chato é
que Harrison Ford parece sempre interpretar o mesmo personagem -
claro que em situações diferentes e sob determinados níveis de
pressão: muito pressionado, extremamente pressionado e a 5 mil metros
de profundidade (literalmente, se pensarmos no bacana e desprezado
K-19, onde faz o papel de um comandante de um submarino soviético).

Mas deixa pra lá. A história aqui é interessante. Nosso herói é Jack
Stanfield, um alto executivo de um banco em Seattle (abrindo
parêntesis: quando é que vamos ver um filme brasileiro cuja história
se passe em Curitiba, Belo Horizonte, Manaus? Aplausos pro pessoal da
Casa de Cinema de Porto Alegre, que consegue romper com o eixo
Rio-São Paulo. Fecha Parêntesis). Ele é um especialista em segurança,
foi ele quem criou os sistemas de proteção para a rede de
computadores da empresa. Tem uma alta posição na firma, uma ótima
condição financeira, uma muié coroa gata e dois filhos lindos, além
de uma casa na beira do mar, coisa de grã-fino mesmo.

O fato é que um bando de bandidos (horrível, mas vai assim mesmo)
muito maus (claro que são maus, senão não seriam bandidos) está
monitorando a vida de Jack, filmando sua rotina, grampeando seus
telefones e gravando suas conversas, bisbilhotando a internet. O
bacana é que o filme não perde muito tempo com frescuras e já vai
apresentando a situação durante a exibição dos créditos iniciais. Com
as informações obtidas através da espionagem, os larápios se
aproveitam de um descuido e invadem a casa de Jack, mantendo então
como reféns seus dois filhos lindos e sua esposa apaixonada. O
objetivo? Obrigar Jack a burlar o sistema de segurança de sua
empresa, que ele próprio elaborou, para que a quadrilha transfira 100
milhões de dólares para contas bancárias no exterior.

Daí, você se pergunta: mas por que, ora bolas, o Jack não avisa a
polícia? E eu te respondo: porque Jack está "de mãos atadas", afinal
de contas tem seus movimentos severamente vigiados pelos malfeitores
por uma parafernália eletrônica de encher o raio do saco. Não preciso
dizer que, se der um movimento em falso, alguém de sua família morre.
Para complicar, há uma pitada de "não saiu conforme planejamos"
porque o banco em que Jack trabalha está sendo vendido, e disso os
bandidos não sabiam, o que complica as coisas. Isso porque vários
computadores da empresa foram transferidos de local, necessários para
que o golpe desse certo, e daí nosso herói vai ter que se virar para
burlar o próprio sistema de segurança com o Ipod da filha
aborrescente - não me perguntem como ele vai fazer isso ou se tal coisa é possível no mundo real, habitado por nós, os pobres mortais.

Nada tão assim original, repleto de clichês (o bandido que não é tão
mau assim, mas em compensação o chefe do bando é mau pacas, os filhos lindos e
pôbremáticos, o caçula tem pôbrema de saúde, o mocinho apanha mais
que ator de pegadinha, a trama tem reviravoltas mil e tal...).
Entretanto, estes clichês são muito bem costurados por um roteiro
preciso, que não perde tempo com explicações e também não enrola o
expectador, indo direto à ação. Os personagens secundários estão bem
delineados e os atores são bacanas (atenção para Mary Rajskub, a
Chloe de 24 Horas faz a secretária de Harrison Ford), tudo é muito
correto, preciso e a família ainda tem um cachorrinho que vai fazer
as menininhas esclamarem "que lindinho" no cinema cada vez que o
peludo aparecer. É diversão bacana pra rever o véio Indiana Jones. E
outra coisa boa: é o filme de ação ideal para se levar a namorada -
pra ela babar pelo cachorrinho.

Avaliação:



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